Bruxos e Bruxas, James Patterson e Gabrielle Charbonnet, tradução de Ana Paula Corradini, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 288 páginas.
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Entre o século XV e o XVII, parte da população de alguns países da Europa foi perseguida acusada de bruxaria e por seguir conceitos de vida diferentes do que era imposto, sobretudo pela religião. Nos dias de hoje, ser acusado de bruxaria pode parecer impensável, mas foi o que aconteceu com os irmãos Allgood.

No meio de uma noite comum, Whit e Wisty Allgood são acordados com o barulho de um helicóptero e com pessoas invadindo a casa que dividiam com seus pais. Rapidamente são arrancados do conforto do lar e, acusados de bruxaria, os irmãos são levados a uma prisão sob responsabilidade da Nova Ordem. Ali descobrem que não são os únicos jovens que estão presos “injustamente”.

Para a Nova Ordem, comandada por O Único Que É O Único, todos os jovens com menos de 18 anos devem ser considerados suspeitos e por isso que Whit e Wisty precisam se unir para tentar a sobrevivência – e quem sabe ajudar outros em situação semelhante. Sem qualquer tipo de informação, principalmente em relação a habilidade mágica que acabam de descobrir, os irmãos precisam agir contra um governo opressor que impede o uso da internet, da música, dos livros e claro, da própria liberdade.

“Coloquei meus braços ao redor de Célia bem de leve. E consegui senti-la, de verdade. Com certeza ela não era feita de fumaça, nem era uma ilusão, mas também não era exatamente sólida. Tentei mexer no cabelo dela, fazer carinho com o nariz em seu pescoço, algo que já tinha me transportado para vários lugares felizes. Mas não consegui tirar o cabelo dela do lugar” (pág. 125).

O nome James Patterson estampado na capa de um livro já é motivo suficiente para que o desejo de leitura seja intensificado. Mas, diferente de tudo o que já foi visto, a editora Novo Conceito inovou ao divulgar (não há necessidade de explicar o tipo de divulgação realizada) sua grande aposta para o primeiro semestre de 2013 e isso instigou muitos leitores. O grande problema é que os leitores não foram avisados de que Bruxos e Bruxas é um livro destinado ao público jovem.

Conhecido por suas séries policiais repletas de ação e assassinatos, James Patterson mostra com a publicação de Bruxos e Bruxas que, além de ser um escritor talentoso, possui uma versatilidade invejável. Mesmo acostumado a escrever para um leitor muito mais maduro, o autor se adequou muito bem ao seu público-alvo e certamente irá conquistar os pré-adolescentes/adolescentes. Já um leitor mais velho, que espera encontrar o que foi conhecido anteriormente, tem grandes chances de se decepcionar – motivo de tantas resenhas negativas.

Escrito em parceria com Gabrielle Charbonnet, o livro segue a mesma estrutura narrativa já conhecida de outros títulos de James Patterson, no entanto, além de ser escrito em primeira pessoa, Bruxos e Bruxas tem algo especial: é narrado ora por Wisty, ora por Whit, possibilitando ao leitor sentir a mesma angústia de ambos os personagens, que sofrem, de modos diferentes, com as mudanças radicais em suas vidas.

Se pensarmos que os livros policiais ficam presos a assassinatos e investigações, nesse caso temos a certeza de que, além de escrever muito bem, a imaginação do autor é muito grande. Com a criação de novos tipos de criaturas, e usando inclusive de novas dimensões, o autor peca apenas ao não dar características singulares aos seus protagonistas, algo que pode ter acontecido devido a excessiva divisão.

E assim como acontece com os protagonistas, que estão longe de se parecerem com Alex Cross (Ameaça Mortal) e Lindsay Boxer (4 de Julho), os personagens secundários também não recebem a devida atenção, mas é sempre bom lembrar: é um livro escrito em primeira pessoa. Tudo o que sabemos é sob a visão dos narradores, portanto, se os personagens da terceira parte são pouco desenvolvidos, isso significa que são vários personagens ou que os narradores não viram necessidade em explorá-los. É preciso entrar na cabeça das criaturas e não dos criadores.

Justamente por essa característica que não é possível exigir respostas de dois personagens que não possuem essas respostas. Apesar de o prólogo ser uma cena que acontecerá no futuro dessa história, Whit e Whisty narram tudo com a visão de quem acaba de viver as situações descritas. Ou seja: os narradores, que ainda estão aprendendo a magia naturalmente, sabem tanto quanto os leitores.

Apesar de tudo o que pode desagradar, sendo a falta de diferenciais dos personagens o principal motivo para isso, Bruxos e Bruxas é uma obra de leitura fácil e rápida, com muito humor e referências a cultura pop. A história mostra a superação do medo e das limitações de tantos adolescentes oprimidos pela Nova Ordem, um partido político que almeja um futuro brilhante e que para isso, vê como necessidade a eliminação dos depravados e dos criminosos (jovens) que ameaçam a prosperidade.

Diferente de outros livros sobre magos, no primeiro livro da série não encontraremos nada muito impactante, mas sim uma obra com ação, surpresas e jovens que buscam formas de desbancar os ideais dos adultos (quem pode se interessar por isso mais do que os pré-adolescentes?). Tudo isso com o selo de qualidade de James Patterson, que segundo a Fobers, é “o maior contador de histórias dos Estados Unidos”.

“Eu preciso dizer: aquele negócio clichê de rever a vida toda quando se está à beira da morte acontece mesmo. Eu vi tudo: Wisty, a filha nervosinha, porém carinhosa. Wisty, a aluna que matava aula na escola. Wisty, a bruxa má e assustadora. Wisty, a Libertadora. Wisty, o bicho atropelado na estrada. Ou algo bem parecido com isso” (pág. 213).

Para adquirir seu exemplar de Bruxos e Bruxas, acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

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4 Comentários

  1. sabe eu nao gosto mt do autor, mas vou dar uma chance para esse livro pq acho q pode ser bom sabe.

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  2. Bom, a resenha foi muito bem escrita, porém, o livro não me agradou. Acho que é porque não gosto deste gênero literário. Já cansei de livros com o tema magia. Cada um tem a sua opinião. Creio que os adoradores deste estilo vão gostar bastante. Mas por enquanto vou ficar achando que este estilo ainda é bastante clichê.

    Bye! xD

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  3. Ana Carolina Lopes31 de julho de 2013 14:01

    Bem eu gostei da resenha mas foram tantas negativas que continuo sem o minimo interesse pelo livro :(

    http://livroselivrosana.blogspot.com.br/

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  4. O trabalho de divulgação desse livro foi muito legal mesmo. Pouquíssimas vezes vi algo parecido. Em relação ao Patterson, fico impressionado o quão versátil ele é. Escreve romances policiais como ninguém, se aventura em romances "românticos", distopias, etc. E o melhor de tudo, se dá bem em todos eles. Nem preciso falar que estou super curioso pra ler, né?!?!

    @_Dom_Dom

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