Escola: Os Piores Anos da Minha Vida, James Patterson e Chris Tebbetts (ilustrações de Laura Park), tradução de Ana Ban, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2013, 288 páginas.
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Apesar de sua importância, toda escola possui alunos que não estão ali simplesmente para aprender, mas para bagunçar. Seja a “galera do fundão” ou não, esse grupo tem muitas histórias (algumas boas e outras nem tanto) para contar. Na maioria das vezes histórias divertidíssimas.

É o caso de Rafa Khatchadorian, que está apenas chegando ao sexto ano e conta todas as suas aventuras em Escola: Os Piores Anos da Minha Vida. Segundo o próprio personagem, essa é uma história para quem já chegou ou está prestes a viver essa fase da vida escolar, mas é bom lembrar: Rafa não é exemplo para nenhum aluno.

Quando inicia o primeiro dia do ano letivo, Rafa já sabe que esse será o pior ano de sua vida. E além de todos os problemas que é obrigado a enfrentar em sua casa (principalmente com Urso, o padrasto), ele também precisa enfrentar as imposições da escola, as atividades dos professores e a perturbação do valentão da Escola Municipal de Hills Village. Para superar tudo isso, o jovem protagonista elabora um plano, também conhecido como Operação R.A.F.A, onde o principal objetivo é quebrar todas as regras do colégio, em um verdadeiro jogo valendo pontos.

“As pessoas sempre falam sobre como crescer é maravilhoso. Mas eu só via cada vez mais regras e mais adultos me dizendo o que eu podia e não podia fazer, em nome do que é “para o meu próprio bem”. Sei, bom... Tenho que comer brócolis “para o meu próprio bem”, mas mesmo assim fico com vontade de vomitar” (pág. 30).

Acredite: o sobrenome do protagonista está longe de ser a única coisa engraçada em mais um livro de James Patterson, que pode ser considerado um sinônimo de versatilidade. Em um livro destinado a um público ainda mais jovem do que aquele que certamente apreciará Bruxos e Bruxas, o escritor mais bem pago do mundo novamente consegue agradar o leitor, ainda que seja uma obra razoável.

Assim como o livro citado, James Patterson inicia Escola: Os Piores Anos da Minha Vida com breves comentários de uma situação que ainda irá acontecer e só então, com as palavras de seu protagonista, narra como Rafa Khatchadorian sobreviveu ao pior ano de sua vida. Ainda na apresentação da história, percebemos que o livro será recheado de personagens estereotipados, seja com uma mãe trabalhadora, a mocinha inteligente/bonita ou um inimigo valentão. O que em alguns casos pode ser considerado ruim, nesse é apenas a certeza de uma comédia do princípio ao fim.

Escrito em parceria com Chris Tebbetts e dividido em duas partes, o livro possui uma verdadeira conversa entre narrador-personagem e o seu leitor, sendo que Rafa, em várias oportunidades, questiona o leitor como se esperasse uma resposta do mesmo. Essa conversa não apenas proporciona uma aproximação com o personagem, como também uma identificação, já que sabemos qual o verdadeiro sentimento de Rafa ao realizar sua famosa operação contra as regras do colégio.

O problema é que justamente nessa divisão que o livro perde grande parte de sua principal característica: o humor. Enquanto na primeira parte o humor é muito forte, principalmente pelas encrencas enfrentadas por Rafa, aparentemente na segunda parte de seu livro Patterson possui um novo objetivo: mostrar as consequências dos atos de Rafa, que passa a querer orgulhar sua mãe, ainda que não saiba como fazer isso. Devido ao público alvo, é possível dizer que essa mudança (radical) se deve ao fato de que o livro pode servir de exemplo para crianças que de alguma forma estão passando pela mesma situação do protagonista – e precisam mudar.

Mas não pense que essa mudança tira o brilho e o foco de Escola, que mesmo em sua parte mais fraca, continua com situações engraçadas e revelando o que só poderia sair da imaginação fértil de uma criança. Uma criança com problemas, como qualquer outra, e que usa dessa imaginação para enfrentá-los, ainda que para isso seja necessário vencer batalhas, vender os energéticos do tal do Urso ou ficar “meio a fim da garota mais popular do colégio”. Isso tudo só mostra que, mesmo com todas as suas confusões, no fundo Rafa é um garoto muito bom.

Em uma edição muito bonita, o livro ainda possui ilustrações de Laura Park, que enriquece a história com desenhos igualmente engraçados e que deixam o leitor mais familiarizado com o tudo o que é narrado – dando destaque inclusive para Leo, o personagem de maior importância após o esperto protagonista.

Revelando segredos (alguns até emocionantes) em momentos oportunos, novamente Patterson escreve uma história de leitura rápida, irônica e divertida. Nesse caso, muito do que acontece é esperado e mesmo por isso não pode ser considerada uma obra original, apenas engraçada e que sim, promete melhorar com o próximo livro da série: Middle School: Get Me Out of Here. Isso porque, de uma forma ou de outra, mesmo não sendo perfeito, Escola: Os Piores Anos da Minha Vida mostra que além de ensinar, a instituição escolar pode mudar, para melhor, a vida de um aluno. Até mesmo para os alunos que transformam a escola em uma verdadeira fase de videogame.

“Bom, eu não sei se você é capaz de apreciar esse fato sem conhecê-la de verdade, mas fazer a professora Ida rir é a mesma coisa que fazer com que um polvo fique em pé sobre duas pernas e faça malabarismo com as outras seis. Até onde eu sei, ninguém jamais viu isso acontecer na história da EMHV.
Foi por isso que o Leo me deu os 20.000 pontos mesmo assim.
E essa é a história de como eu sobrevivi à minha primeira suspensão dentro da escola” (pág. 198).

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3 Comentários

  1. Ricardo, já li este livro, mas nao achei ele o melhor do James não. Achei o livro até bem engraçadinha e as ilustrações são de alto nível, mas como é uma estória bem rasa não me envolveu tanto, embora eu tenha gostado :D

    Beijos
    http://nolimitedaleitura.blogspot.com.br/

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  2. Concordo com você, Camila. Posso dizer que é o livro "mais fraco" do James Patterson que li até então, mas também gostei de grande parte do que encontrei. Pena que possui uma estória rasa, como você bem frisou, e nem tudo é totalmente envolvente.
    Espero que isso mude no próximo livro.
    Beijos.

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  3. Parece ser um livro interessante, principalmente para pré-adolescentes.Eu o leria. Também fiquei bastante interessada em ver as ilustrações... xD

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