3º Grau, James Patterson e Andrew Gross, tradução de Alyda Sauer, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Rocco, 2010, 280 páginas.
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Em 3º Grau, terceiro livro da série Clube das Mulheres Contra o Crime, novamente o escritor James Patterson explora suas principais características para criar uma história digna de um bom suspense policial e que poderia facilmente ser levada ao cinema.

Nessa obra, a detetive Lindsay Boxer testemunha a explosão da mansão de um importante executivo e, deixando sua profissão e o desejo de ajudar falarem mais alto, não pensa duas vezes antes de tentar ajudar as possíveis vítimas. A detetive só não imaginava que isso a colocaria em um confronto contra uma perigosa organização terrorista.

Após a misteriosa explosão, outros incidentes aterrorizam a cidade de San Francisco e todo o meio político e econômico. Cada vez que o grupo terrorista age, uma nova mensagem é deixada e com ajuda de suas amigas, que formam o Clube das Mulheres Contra o Crime, Lindsay não demora a perceber que os riscos são grandes para todas elas. Isso pode mudar para sempre esse círculo de amizade.

“Entrei no chuveiro e bebi um gole de cerveja que tinha levado. Inclinei-me para trás sob a água quente, a sujeira, a fuligem e o cheiro de cinza escorreram pelo meu corpo e rodopiaram aos meus pés. Alguma coisa me fez sentir vontade de chorar.
Estava tão sozinha...
Eu podia ter morrido hoje” (pág. 36).


Após a resenha de 4 de Julho, sequência de 3º Grau, existem poucas novas informações que são necessárias dizer sobre a famosa série de James Patterson, bem como as características de seus personagens. Mas é importante ressaltar que, mesmo sem a parceria com Maxine Paetro, que anteriormente foi classificada como a responsável pela ótima estruturação das personagens femininas, Patterson, agora em parceria com Andrew Gross, consegue dar um toque especial para essas personagens, que são reais; sentimentais.

No suspense criado pelos autores, temos inimigos que buscam uma guerra contra os agentes da ganância e da corrupção, o que leva a um grupo fechado e que em muitos casos deveriam aproveitar a influência e agir em prol da sociedade. Sabemos que isso não acontece e que, mesmo por uma “boa causa”, o grupo que aterroriza a detetive Boxer não age da melhor maneira. Pelo contrário. Causam mortes que acabam se tornando angustiantes – ponto para ótima descrição.

Mas infelizmente, tudo o que é causado pelos vilões da história não ganha um grande destaque nos capítulos destinados ao grupo. Mesmo contendo muita ação e assassinatos narrados de forma primorosa, os poucos capítulos em terceira pessoa não conquistam o leitor e às vezes se tornam até mesmo tediosos. Talvez por um grande motivo: Lindsay Boxer é o grande diferencial da série.

A personagem narra a história com riqueza de detalhes e ainda assim possibilitando uma leitura rápida, principalmente pelo fato de tudo se passar em capítulos curtos. Mesmo com a rapidez dos capítulos, Boxer consegue transmitir o lado feminino escondido por trás de seu lado policial, que sabemos, é uma mulher dura e que não vê limites para atingir seus objetivos. E se ela deixa seu sentimento falar mais alto, isso explica o motivo de 3º Grau também ter um lado emocional que o diferencia de outros livros policiais de James Patterson.

Dessa vez, Boxer também conta com uma participação muito maior das personagens secundárias, se é que podemos chamá-las dessa forma. Elas estão mais presentes, com capítulos especiais e problemas individuais, que causam uma aproximação maior do leitor com a jornalista Cindy Thomas, a médica-legista Claire Washburn e assistente da promotoria Jill Bernhardt – a amiga de maior destaque na obra.

É também o personagem Joe Molinari que impede a perfeição da obra (ainda que existam os já citados capítulos tediosos). Desde o início, na própria sinopse encontrada na orelha do livro, sabemos que Boxer terá um relacionamento estreito com o agente federal Molinari, mas tudo acontece de forma precipitada. Quando esse relacionamento se inicia, nem de longe Boxer aparenta ser a mulher durona e que vem de problemas em relacionamentos anteriores, e isso pode sim ser considerado uma falha do autor (se alguma leitora concordar com a entrega imediata da personagem, por favor, me corrija o quanto antes).

Independente de possuir falhas ou não, 3º Grau tem características de romances policiais que certamente agradarão aos fãs do gênero e principalmente aos fãs do autor, que sabemos possuir uma qualidade invejável em seus livros de suspense. Além do terrorismo, buscando por um objetivo tecnicamente válido, temos ainda questões familiares e ligações com o passado, o que motiva tudo o que é causado em mais uma aventura de Lindsay Boxer.

Essa aventura é tão intensa que é praticamente óbvia a certeza de que o Clube das Mulheres Contra o Crime jamais será o mesmo. Por isso, ao contrário do que imaginava até então, não é recomendada que a leitura da série aconteça de forma aleatória. Isso pode tirar a graça/brilho de situações em livros anteriores - nesse caso, 1º a Morrer e 2ª Chance.

“Há crimes que são brutais e imperdoáveis. Às vezes me provocam náuseas, mas os motivos são declarados. De vez em quando eu até compreendendo. E há os crimes ocultos. Aqueles que não são para ninguém ver. O tipo de crueldade que só arranha a pele, mas esmaga o que há por dentro, a pequena voz que é o lado humano de todos nós”. (pág. 80).

Para adquirir seu exemplar de 3º Grau, acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

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3 Comentários

  1. Oii Ric...
    Eu AMO livros policiais que fazem a gente ter que pensar junto... o último que li foi o Sangue na Neve da Ed. Novo Conceito.. E amei... (pra variar)
    Como não li nenhum dessa série fiquei meio perdida na resenha hehehe Mas fiquei curiosa...
    Parabéns pela ótima resenha...
    Beijos
    Lylu - http://reliquiasdalylu.blogspot.com.br/

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  2. Bom, eu não conhecia essa série, mas parece ser legal. Eu não curto muito romances policiais, porém, achei esse livro bastante interessante. O que mais me deixa curiosa para ler "3º Grau" é o Clube das Mulheres Contra o Crime, nunca vi algo assim em um livro desse gênero, pode existir, mas nunca ouvi falar.

    xD

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  3. O James Patterson manda tão bem, que qualquer livro que ele lance, já nos faz cair pra cima sem nem pensar duas vezes. E o melhor de tudo é que em quase na totalidade deles, nós ficamos completamente entregues a trama. Esse é mais um que entra na minha listinha de próximas aquisições.

    @_Dom_Dom

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