Morte em Dezembro, Ivair Antonio Gomes, 1ª edição, Içara-SC: Dracaena, 2013, 240 páginas.
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Vivemos um momento especial no Brasil, o que movimentou várias organizações de segurança para a proteção de um único líder político. Quando existe um encontro que reúne um número muito maior de representantes de outras nações, essa proteção requer um cuidado ainda mais especial. Principalmente quando um serial killer está solto, pronto para estragar todos os planos.

O cenário que encontramos em Morte em Dezembro, do autor Ivair Antonio Gomes, é uma Florianópolis que se prepara para receber líderes do chamado Mercosul, bloco comercial que atualmente inclui, além do Brasil, outros três países da América do Sul. O encontro é muito importante também para o mundo afora, por isso receberá a presença de líderes de outras partes do globo, inclusive o presidente norte-americano.

No entanto, os planos sofrem alterações quando duas pessoas são brutalmente assassinadas de forma misteriosa na capital catarinense. A investigação leva a uma arma rara, que já mostra a estratégia ofensiva do serial killer e o seu intenso preparo para transformar o encontro dos líderes políticos em um verdadeiro fracasso. A suspeita de um plano muito maior por parte do serial killer movimenta não apenas a Polícia Federal, como também a CIA, o FBI e a Interpol. Todos para evitar uma tragédia que poderia mudar radicalmente a história do mundo.

“Ainda tenta pegar a arma em sua maleta, mas o homem mascarado à sua frente é mais rápido. Mortalmente rápido. Apenas um golpe e Marcos Lima vê tudo escurecer. Cai ao chão. Leva as mãos ao pescoço. Sente uma dor lancinante. Tenta gritar mas não consegue. É como se uma bola estivesse em sua garganta impedindo qualquer som de sair” (pág. 62).

Morte em Dezembro é o tipo de livro que não precisa de muito para aguçar a curiosidade dos leitores. Sua capa, tão bem desenvolvida por parte da Heima Serviços Editorais, já mostra o clima de tensão que encontraremos nas belas paisagens de Florianópolis – mesmo cenário de O Diário Serial, outro livro lançado pela Dracaena. O grande problema é que o cuidado da Heima na capa não se repetiu na revisão da obra.

Em vários momentos encontramos erros de digitação (que fique bem claro) que não poderiam estar presentes em uma obra e que podem ou não prejudicar a leitura, dependendo exclusivamente do tipo de leitor. Palavras desnecessariamente em negrito também não encontradas ao longo das 240 páginas de Morte em Dezembro, um livro com uma complexidade incomum.

Por se tratar de um thriller que promete ser intenso do princípio ao fim, o livro é dividido por datas e se passa principalmente em dias que antecedem o encontro do Mercosul, que como o título sugere, acontecerá em dezembro. Mas, além dos capítulos diários, o livro não possui outro tipo de estrutura e nesse ponto que a complexidade citada pode atrapalhar, já que sentimos a falta de uma estrutura mais convincente, em especial do tempo verbal utilizado, já que existe uma constante alternância ao longo de todo o livro. A narrativa informal e descritiva também intercala a história.

Mas é bom ressaltar que a complexidade existe justamente por se tratar de um livro que envolve muito mais do que uma simples investigação policial. Como diferencial, Morte em Dezembro tem a fuga do “clichê” de apenas entrevistar suspeitos ou testemunhas para encontrar o culpado. Nesse caso, toda a força policial age, nos mínimos detalhes, e chegam a uma conclusão por ir a campo em busca de pistas – e com “campo” não me refiro apenas a cidade onde tudo acontece.

Para que isso seja possível, agentes do governo brasileiro e de forças internacionais se unem em várias partes do mundo, o que motiva a utilização de inúmeros personagens, cada qual com sua função. Isso obriga o leitor a utilizar de o máximo da sua atenção para que nenhum detalhe, da investigação e de como a verdade será revelada, se perca com o decorrer da leitura. O que também pode ser considerado um fator inovador, em alguns momentos pode confundir o leitor tamanha a quantidade de personagens, todos autoridades do governo nacional ou internacional.

Isso impossibilita uma aproximação e identificação do leitor com os personagens que representam o bem, no entanto xstranho, que sabemos já com a sinopse que é o vilão da história, consegue o que outros personagens não conseguiriam facilmente. É verdade que, diferente de outros livros, os assassinatos e as cenas que mostram o lado psicótico do serial killer não possuem grande destaque, mas cada vez que entra em ação xstranho deixa uma marca de sua personalidade. É juntando tudo o que é revelado que chegamos a um perfil completo do personagem.

Provavelmente tudo o que foi descrito sobre Morte em Dezembro levará a uma conclusão precipitada. Existem sim falhas em sua qualidade técnica e principalmente em sua estrutura como um romance, o que impossibilita uma boa classificação. Mas encontramos um thriller com uma boa história, que aliada ao ritmo de leitura, pode agradar quem busca algo complexo em um thriller policial. Nesse caso, a investigação invade as fronteiras de uma única nação, para ganhar o mundo em busca de um único assassino – que não mede esforços para acabar com um encontro internacional.

“Nesse momento, um som lhe chama a atenção e ele olha para cima, bem a tempo de desviar-se de mais um tijolo que vinha diretamente para sua cabeça. No movimento repentino que faz para desviar-se, acaba caindo fora do elevador, mas com um rápido reflexo sua mão direita agarra-se a um dos cabos, salvando-se assim de uma queda mortal” (pág. 204).

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8 Comentários

  1. A capa está realmente muito bem feita, mas não estou entendendo qual é o problema das revisões ultimamente... Muitos livros estão cheios de erros, palavras pela metade, negrito desnecessário... Imagine se livros fossem baratos! :(
    O livro parece bom, apesar das ressalvas... Que bom que li sua resenha para não ler o livro cheia de expectativas ou algo assim!
    Já estou participando da promoção, apesar das poucas chances ;-;
    Abraços!

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  2. Joshua Guimarães23 de julho de 2013 10:36

    Também não entendo o problema das revisões dos livros e os erros de português e falhas na tipografia. Isso não chega a atrapalhar uma boa história, mas é desconfortável ler uma cena com erros bobos e palavras comidas. Acho que as editoras deveriam cuidar mais dessa parte editorial.
    Quanto ao livro, a premissa até que é boa, mas como você disse, talvez o desenvolvimento não seja lá essas coisas. No mais, gostaria de dar uma olhada na obra. Essa capa é ótima :D

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  3. Oi Ricardo!
    É uma pena que a revisão tenha sido terrível (isso se realmente fizeram, pelo o que você disse).
    Eu confesso que a capa me deixou muito curioso. Realmente ficou bem trabalhada e interessante. Deixou-me curioso.
    Mesmo que o desenvolvimento não seja lá muito bom, pretendo ler, caso tenha oportunidade.
    Parabéns pela resenha!
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  4. Ola Ricardo

    Realmente é triste saber que o escritor confiou na revisão da editora e acabou ficando prejudicado em seu trabalho.
    Porém, comecei a ler o livro e a trama é tão envolvente e cheia de personagens que passei batida e nem percebi os erros mencionados . No momento o que mais quero é terminar de ler este envolvente trama policial .

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  5. Eu já havia dito que estava com vontade de ler o livro, então não irei ler a resenha para evitar spoiler hehe xD

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  6. Fico aliviada em saber que não sou a única a encontrar problemas de revisão e estrutura em um livro da Dracaena. E por mais de uma vez. Eles precisam melhorar nisso porque é um problema sério.
    Não sei se essa história me atrairia, apesar de prometer a intrigante ação de um serial killer (que, aliás, como você citou, já foi retratada também em O Diário Serial, que eu adorei!); acho que minha cota de livros com má estruturação já estourou e eu não aproveitaria a verdadeira essência, que é o enredo. Para mim, se o livro não tem uma boa estrutura, isso acaba com a minha leitura, então acho que aguardaria por uma boa revisão antes de tentar.
    Ainda assim, gostei muito da resenha porque soube equilibrar bem as falhas e as qualidades, essencial para quem procura passar uma opinião sincera. Parabéns ;)


    Beijos,

    Only The Strong Survive
    P.S.: Depois sou eu que escrevo resenhas enormes, né? rsrsrs

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  7. Eu também achei essa capa muito legal. Bonita e cheia de significado. Mas é realmente uma pena que as editores estejam deixando passar erros grotescos na revisão do texto. Acho isso uma falta de respeito com o autor e com os leitores. Pelo menos, a trama é interessante. Não chega a ser brilhante, mas consegue cumprir o que promete.

    @_Dom_Dom

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  8. Olá, Rani.
    Concordo com você quando diz que a trama é envolvente, mas como o Joshua comentou logo abaixo, chega a ser desconfortável a leitura, mesmo quando não nos incomodados com tais errados.
    O que mais entristece é saber que os escritores brasileiros geralmente investem valores altíssimos para a publicação, mas nem sempre tem a sua obra como realmente deseja. Não digo que é o caso da editora ou do autor, já que li livros da editora onde isso não foi um problema, mas é um problema do mercado editorial brasileiro em geral. Infelizmente.

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