O Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde, que prevê mais investimentos em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde há escassez e ausência de profissionais. Com a convocação de médicos para atuar na atenção básica de municípios com maior vulnerabilidade social e Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), o Governo Federal garantirá mais médicos para o Brasil e mais saúde para você. A iniciativa prevê também a expansão do número de vagas de medicina e de residência médica, além do aprimoramento da formação médica no Brasil [portalsaude.saude.gov.br].

Com um nome chamativo, o Governo Federal adota a parceria da vinda de mais médicos para o Brasil, ou melhor, para o interior do solo verde-amarelo.
Sob o título “O Brasil tem metade dos médicos que precisa”, a revista IstoÉ, publicou na edição de 10 de julho de 2013 uma profunda análise e a divulgação crítica dos fatos que englobam a saúde no País.
Segundo a revista, o Ipea realizou pesquisas e constatou que de 2.773 pessoas que são frequentadoras do Sistema Único de Saúde (SUS), 58% dos brasileiros que procuram o atendimento na rede pública, reclamam da falta de médicos.
Devemos levar em conta que jornalismo não é apenas escrever um “texto bonito”, assim como medicina não é apenas medicar. A medicina lida diretamente com as vidas, e de todas as carreiras que englobam o lado mais humano da palavra “preservar”, cuidar e medicar são os mais belos dever de ofício.
400 mil médicos são formados no País, dentre, 300 mil exercem a profissão. 15% dos municípios, no total de 700, não possuem um único profissional de saúde. 1,9 mil municípios, 3 mil candidatos a paciente disputam  a atenção estática de menos de um médico por pessoa. Repito, existem lugares sem profissionais de saúde.

A chegada
A revista traça quatro pontos para o plano de chegada dos médicos. A primeira, com transporte dos médicos em aviões da FAB; a segunda, com o treinamento militar para os médicos que ficarão nas fronteiras do País; a terceira com palestras sobre as doenças comuns em áreas de fronteiras e “estágios” no Hospital das Forças Armadas; e o quarto e último ponto, o apoio dos postos do exército em regiões isoladas e que não tenham estrutura própria de atendimento.

Manifestações

Com as manifestações eclodindo por todo o País, os médicos pegaram o embalo e foram às ruas. Jalecos brancos com símbolos de luto e cartazes atrás de bandeiras da pátria, estudantes de medicina e médicos formados fizeram um velório sobre caixões de madeira com as fotos da presidente Dilma Rousseff (PT) e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha – carinhosamente chamado de “ministro da Morte”.

O Estado de São Paulo, publicou diversas matérias sobre a vinda dos médicos. Uma delas me chamou muita atenção: "(...) médicos estrangeiros que não passarem na prova de legislação médica brasileira e português, voltarão para o País de origem", segundo as ordens do próprio Ministro da Saúde.

Em primeiro tempo:
São 2,67 médicos distribuídos na região sudeste do Brasil; 2,09 no sul; 2,05 no centro-oeste; 1,23 no nordeste; e 1,01 no norte. Totalizando no Brasil, a distribuição de médico para cada mil habitantes, o número de 1,8 – países desenvolvidos, como a Alemanha, totalizam 3,6. O Distrito Federal oferece 3,46 médicos.

Em segundo tempo:
A polêmica com os diplomas causou outra revolta aos estudantes de medicina. Como ordem do Governo Federal, os estudantes brasileiros deveriam trabalhar por um período de dois anos no SUS, prestando serviços públicos (e obviamente, fazendo o dever do ofício, cuidando de vidas), e só depois poderiam retirar seus diplomas. O Governo Federal ainda pagaria uma mensalidade para os alunos e ofereceria outros benefícios.
Foi uma atitude do Governo para conseguir sanar os problemas interioranos relacionados à saúde. Isso não agradou aos médicos. "Não é justo ficar mais anos na faculdade", alguns diziam. Os mais radicais de fora da saúde (claro, os que não precisam do SUS), diziam que se os jovens médicos recém-formados chegassem ao SUS depois de formados "se desencantariam". Realmente, a verdade dói. A atitude, caso não alterada, irá vigorar à partir de 2015 para alunos de todo o País, e o que ainda não entendo é a revolta dos médicos de se depararem com o SUS à porta da formatura. Ganhariam para isso, diferentemente de professores que devem fazer estágios em escolas públicas e da mesma forma, se deparam com a precariedade do Estado e mesmo assim, gratuitamente, estão lá porque dependem disso para a retirada do diploma... Sem mais, sendo apenas um deboche, egoísmos.

Ainda em segundo tempo:
Os médicos formados no exterior que virão para o Brasil são de maioria da Bolívia, do Peru, da Colômbia, de Cuba e Argentina. As maiores especialidades são em pediatria, ginecologia, e outras áreas básicas que os brasileiros não conseguem suprir – ou por incompetência, ou por falta de disponibilidade, ou por falta de vontade de exercer o cargo formado.
Os médicos irão para o interior do País, para lugares onde não temos assistências básicas.
Há ainda de se ressaltar que a formação de medicina exige o juramento de “proteger a vida e as pessoas”. Os brasileiros ainda não entenderam isso e preferem reclamar de seus salários.  Normal, ainda são filhos de um elitismo ou favoritismo.

Em terceiro tempo:
Vemos que existe um grande rigor em cima da vinda dos médicos. Dos cubanos principalmente. Um Estado de regime da Esquerda sempre causará polêmica: os médicos cubanos terão seus salários enviados para seu país de origem, e o país (no caso, Cuba) irá repassar o valor "necessário para sobrevivência no Brasil" para os médicos de seu solo.


Fátima - Capital Inicial
Com a letra escrita (segundo livros e mais livros) por Renato Russo em apenas quinze minutos, Fátima é uma das mais belas canções do Rock-Brasília antes de qualquer banda de rock explodir em bilheterias. Da época do Aborto Elétrico (ainda na formação de Renato Russo, André Pretorius e Fê Lemos).
Com a separação da banda, as letras foram divididas e Fátima caiu nas mãos do Capital Inicial. Pertencendo à fase de ouro da banda, é de extremo teor crítico, mostrando-se em temas religiosos e totalmente atemporais, como a guerra, a fome, a inocência das crianças perdidas, um grito sufocado e principalmente, os ares de mudanças extremas. Ou o mundo muda, ou o caos impera enquanto alguns "esperam intervenção divina" enquanto o tempo corre e o mundo se desgasta mais e mais.

Não sou contra a vinda dos médicos. Se não temos a capacidade de cuidar de nossos próprios irmãos brasileiros ou por falta de dinheiro, de preparo ou de vontade, que venha quem possa fazer isso. Se meter na Amazônia ninguém nunca quis, e não adiantam manifestações estúpidas (acreditem médicos, enquanto se manifestam, existem pessoas nas filas de hospitais). Que o Mais Médicos seja uma atitude decente da presidência e que não seja uma simples iniciativa assistencialista passageira que só funciona no papel. Em sua teoria, o Mais Médicos talvez seja a revolução da Saúde no próprio Brasil pós-moderno. Cuba causa espanto porque nunca foi um país admirado pelo Brasil. A elite brasileira despreza Cuba (e sua educação e saúde exemplar - dignas de primeiro mundo) assim como despreza os pobres. Nosso exemplo não é Cuba, que exporta médicos para "todos os lugares e todas as pessoas", mas os Estados Unidos, que sempre exportou a morte de crianças inocentes, o trabalho fabril e escravo, as guerras e a alienação, disfarçados de logotipos e tecnologias. O futuro não é máquina, é a própria humanidade.

Não sejamos as crianças de Fátima: tenhamos os pés firmes, vamos fazer e não esperar o caos.
Não sejamos os brasileiros acomodados, sejamos críticos o bastante de ver que queremos saúde e que independentemente de quem nos atenda, queremos a cura. Pois que venham médicos do exterior. Serão muito mais do que bem vindos!

Eduardo Rezende - Tenho 17 invernos de vida, sou jornalista, idealizador de um "Grupo de Debates", membro da "Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro", gosto muito da música popular brasileira, do nosso rock nacional, e de livros e café que aconcheguem e combinem. Fiz trabalho voluntário em Sala de Leitura e Estudo/Biblioteca, apaixonado por estudo de religiões, sociedade e simbolismos.

5 Comentários

  1. Tenho a mesma opinião que você. Seja brasileiro ou de qualquer outra nacionalidade, o que importa é que a população seja atendida e curada. Apoio a chegada dos estrangeiros e também torço para que não seja um tapa buraco passageiro. Agora é aguardar o desenrolar desse projeto.

    @_Dom_Dom

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  2. Nara Brasil do Amaral14 de setembro de 2013 21:40

    A questão não é a falta de médicos e sim a falta de estrutura na área da saúde, principalmente nas cidades do interior. Os médicos que vão trabalhar em tais cidades sofrem com a situação que se encontram, porque muitas vezes eles não contam nem com recursos médicos básicos, como as luvas estéreis. E sabe aqueles altos salários que eles oferecem aos médicos?
    Pagam o primeiro e o segundo mês e o resto é tudo na base do famoso
    "calote". Até hoje um amigo meu está na justiça para receber os 6 meses de salários atrasados. Um dia alguém disse que uma boa comparação para a situação que os médicos se encontram nas pequenas cidades, seria um engenheiro civil ter que fazer uma obra sem papel, régua, lápis, cimento e tijolo. Agora eu pergunto teria como fazer tal obra? E para completar, os médicos brasileiros não estão querendo impedir a entrada de médicos estrangeiros, mas sim que eles façam uma prova de revalidação do diploma.



    Enquanto a questão da incompetência de alguns médicos é realmente preocupante, mas também existem vários advogados, engenheiros, enfermeiros, fisioterapeutas e etc que também se mostram incompetentes.
    Então a solução seria ‘MAIS ADVOGADOS’, ‘MAIS ENGENHEIROS’, ‘MAIS ENFERMEIROS’, ‘MAIS FISIOTERAPEUTAS’??? Será que essa seria a saída correta? Ou você acha que o Brasil ia ficar mais bagunçado do que já esta?
    Será que a solução não seria investir na educação pública brasileira, para que futuramente saiam profissionais bem formados? Será que a solução não
    seria investir na infra-estrutura das pequenas cidades, como o saneamento
    básico e assim prevenir uma série de doenças que assolam a população do interior por causa do descaso do Governo? Será que a solução não seria
    construir postos de saúdes dignos nessas pequenas cidades, para que um
    médico não tenha que levar um paciente em uma camionete – pois não se
    tem ambulâncias - do posto que ele trabalha para outro PSF, porque onde
    ele trabalha não existe nem maca para colocar o paciente??
    Acho que você devia olhar os dois lados dessa história!

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  3. Prometi a mim mesmo que não iria comentar sobre o texto do Eduardo (até porque sou totalmente contra e isso poderia causar polêmica), mas você tocou em um ponto importante e vejo a obrigação de concordar com tudo o que você citou.
    É um erro muito grande pensar que os tais médicos, que em minha opinião o governo incompetente de nosso país trouxe apenas para "abafar" as manifestações, salvarão a nossa saúde. É preciso manter os pés no chão e, como você disse, ver os dois lados dessa história. Eu diria mais: ver os três lados dessa história.
    Ou será que os tais revolucionários (vide pseudoentendedores que fazem apenas graça) se esquecem que os cubanos, por exemplo, não aguentam mais a vergonhosa situação daquele país (que JAMAIS deve servir de exemplo) e por isso preferem deixá-lo (vide todos os eventos esportivos, em que os atletas deixam suas delegações apenas para não precisar voltar) em busca de condições melhores. Só trouxa pra achar que eles estão aqui pensando na saúde do nosso povo...
    Outro ponto... então porque os nossos médicos não "aceitam" trabalhar em situações sub-humanas devemos colocar estrangeiros na mesma situação? O preconceito começa aí! Antes de colocar médicos estrangeiros, é preciso dar uma condição digna de trabalho para os médicos estrangeiros e os nossos próprios médicos, como foi muito bem citado por você, Nara.
    Infelizmente, como tudo nesse governo imundo da senhora "presidenta", a teoria é linda, mas a prática... Passou da hora de entender que essa corja está acabando com o nosso país (estamos nos transformando na nova Cuba? Espero que não!). Passou da hora de realmente acordar e parar de apoiar todas as besteiras dessa imundice que é o partido que comanda o nosso país (que facilita a vida de um deputado PRESO, que continua no mandato; ou que deixa todos os condenados do mensalão soltos HAHAHA PIADA!). Isso está muito mais próximo de estar acomodado do que continuar com tais argumentos usados por esses "defensores" de um "socialismo" que não existe (tão engraçado ver tais argumentos).
    Parabéns por suas palavras, Nara! Você foi MUITO feliz!

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  4. Bom meu irmão é Médico, e ele realmente ficou com muita raiva de novo programa do governo, assim como eu. Então eu prefiro não expressa muito a minha opinião em relação a convocação de médicos estrangeiros. Mas a única coisa que mais me deixou indignada foi o fato do governo não exigir que os médicos prestem o revalida, isso em minha opinião é o fim da picada. Outra coisa que acho bastante controvérsia é o fato do governo não permitir que o conselho de medicina fiscalize os médicos estrangeiros, mas ao mesmo tempo quer exigir que o conselho libere o registro para os ditos profissionais. Em minha opinião ou o governo pede que o conselho não fiscalize os estrangeiros e o próprio governo crie um registro especial, ou ele deixe que o conselho efetivamente possa praticar a fiscalização.


    beijos

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  5. Nara Brasil do Amaral16 de setembro de 2013 03:55

    Realmente a situação política que o Brasil se encontra é
    vergonhosa. Escândalos políticos como o mensalão – que você mesmo citou – e projetos governamentais que só são feitos para esconder os reais problemas que o país enfrenta, são características marcantes de um Governo marcado pela corrupção e o descaso com a população.
    A razão da criação do programa ‘Mais Médicos’ vai muito além
    do que aquilo que o Governo expõe para a sociedade em suas propagandas, é um projeto que possui várias facetas e só mostra ser mais exemplo clássico de medidas políticas que atrasam o desenvolvimento do país.
    Obrigada pelo seu apoio e também por me mostrar o terceiro lado dessa história que quem sabe não tem um quarto lado?!

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