O Castelo de Mulumí
Texto: Jurandyr Pereira
Direção de Arte: Ary Oswaldo
Duração: 70 minutos
Gênero: Infantil
Apresentação: 14 de agosto de 2013

Como muitas coisas na vida, o poder pode ser visto como algo com um prazo de validade. Isso acontece porque tudo deve ser renovado, não apenas no nosso interior, mas também em tudo o que nos cerca. Ainda assim, lutar contra as mudanças faz parte de nossa personalidade e por isso não medimos esforços para evitar sair de nossa zona de conforto.

Escrita por Jurandyr Pereira e encenada pelo Teatro Flácus, a peça infantil O Castelo de Mulumí nos apresenta uma história simples que retrata justamente o que foi citado: o poder quando esse se aproxima do seu prazo de validade.

A história se passa no antigo Castelo de Mulumí, que tem como moradores o Rei (Eric), o garoto Piretsim (Nando) e a simpática Assombração (Marina). Durante todo o seu reinado o Rei levou uma vida sem grandes acontecimentos ao lado de seus dois únicos súditos e por isso que agora, próximo de completar mil anos, sente que não pode deixar que se cumpra a profecia que diz: “quando o rei completar mil anos chegará o novo rei”. Quando isso está prestes a acontecer, os três moradores do Castelo de Mulumí decidem agir antes que o próximo rei (e inimigo) chegue para iniciar o seu reinado.
As crianças são exigentes e quando elas caem na gargalhada com um diálogo ou simplesmente pela aparição de uma personagem isso significa que algo está dando muito certo. A experiência de Jurandyr Pereira ao escrever peças para crianças é notada ao longo de pouco mais de uma hora de uma peça simples em todos os sentidos.

Mas sabemos que uma peça de teatro possui algumas características únicas e quando estamos como espectadores sentimos a necessidade de uma aproximação entre atores e o público. Nem todos os textos permitem essa aproximação e talvez seja esse o caso de O Castelo de Mulumí, uma peça que possui poucos momentos de interação e que nem por isso perde a chance de prender a atenção de crianças e adultos.

A apresentação do Teatro Flácus convence de uma forma geral. Ainda que usando da simplicidade em seu cenário, figurino e atuação, a apresentação intercala entre momentos engraçados e outros que, mesmo sem as gargalhadas, estão transmitindo uma bonita mensagem. E isso se deve também pelo uso de personagens que transmitem algum tipo de ensinamento ou se tornam marcantes: como exemplo é possível citar Assombração, personagem encantadora e engraçada; o Rei por sua valentia em aceitar a espera pelo inimigo; e Mestre Coruja (quarto e último personagem), que como toda coruja possui uma sabedoria invejável.
Produzida não apenas para as crianças, mas para toda a família, O Castelo de Mulumí cumpre o que é prometido ao apresentar reflexões entre o bem e o mal e o certo e o errado quando estamos tratando do poder. Isso em diálogos poéticos, divertidos e em muitos momentos simpáticos.

Para encerrar poderia escolher falar sobre diversos outros pontos ou simplesmente uma reflexão, o que geralmente acontece, no entanto vejo a necessidade de encerrar o primeiro texto da coluna Boca de Cena falando sobre a personagem Assombração. A experiência com o teatro não é tão vasta, mas arrisco dizer que poucas personagens foram tão encantadoras quanto Assombração. Com sua simplicidade ela tira sorrisos por suas confusões ou simplesmente pela bondade ao tentar ajudar o seu Rei, mesmo de forma ingênua. Geralmente uma assombração assustaria uma criança, no entanto essa encanta. Encanta e nos fazer pensar que a vida seria muito melhor caso Assombração estivesse presente no nosso cotidiano. Caso não passasse de uma personagem...

8 Comentários

  1. Ah que lindo, parece ótimo essa peça, pena que o teatro da minha cidade não tem tantas peças snif snif


    bjos

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  2. Teatro é algo incrível né? transmite tantos sentimentos e emoções que só perde para os livros.
    Essa peça deve ser ótima apesar de infantil!

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  3. O Grupo Flácus foi muito corajoso ao encenar uma peça infantil com duração de mais de uma hora, pois geralmente as crianças começam a ficar impacientes depois de um certo tempo (entre 45 e 50 min.). Isso mostra que o texto e a encenação foram muito bem trabalhados. Gostei bastante do cenário e da caracterização das personagens. Está bem colorido, e o melhor de tudo, lúdico. E isso é importantíssimo quando se encena para crianças.
    Gostei bastante dessa nova coluna e estou aguardando ansioso pelo próximo post.


    @_Dom_Dom

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  4. Me enganei quando coloquei "Grupo Flácus". Na verdade quis colocar "Teatro Flácus". Perdoem-me pelo equívoco.

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  5. Não havia pensado nisso, Nardonio. Agora, pensando sobre o assunto, percebo que realmente houve uma coragem por parte de todo o grupo.
    Caso queira conhecer, é possível assistir a peça pelo YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=N89P_AlLbl8

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  6. Diria que não foi um "equívoco", já que o "Teatro Flácus" faz parte do "Grupo da Fraternidade Espírita (Irmão) Flácus".

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  7. Nara Brasil do Amaral14 de setembro de 2013 19:57

    Realmente 'O castelo de Mulumí' deve ter sido uma ótima peça para se assistir em família. Queria muito ter ido, mas moro um pouquinho longe e também so fiquei sabendo hoje...
    A história parece ser muito interessante, ainda mais porque tem como intuito mostrar que o poder é esgotável e que mudanças são necessárias na vida sem ter como fugir delas. Assobração realmente parece ser uma personagem adorável, o que contradiz com o seu nome - mas acho que o objetivo era mostrar que as aparências as vezes enganam. Espero que o Rei tenha tido um bom destino e seus súditos também!!

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  8. AAAAAAAAAAAAAAAAH! Se tem uma coisa que eu goste mais de cinema é teatro. Sou fascinada por teatro. Na escola em que eu estudei, todas as turmas do 2º deveriam realizar uma peça de teatro, valendo metade da nota do ano. Sempre saíram excelentes peças. Essa que você nos apresenta parece ser muito fofa, realmente gosto de peças infantis. hahah
    beijos

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