O primeiro dia da Semana Edgard Cavalheiro dedicado ao Departamento de Educação de Espírito Santo do Pinhal foi bastante movimentado no Cine Theatro Avenida. Durante a manhã e tarde de quarta-feira, 14, alunos do primeiro ciclo do Ensino Fundamental foram ao teatro para acompanhar a peça “O Castelo de Mulumí” (em breve na coluna Boca de Cena) no projeto chamado “A Escola Vai ao Teatro”.

A intenção do projeto é dar a oportunidade das crianças conhecerem a beleza arquitetônica do prédio do Theatro Avenida e principalmente despertar o interesse dessas crianças pela cultura.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Apresentada pelo Teatro Flácus, do Grupo da Fraternidade Irmão Flácus, a peça infantil escrita por Jurandir Pereira possui pouco mais de uma hora e narra a história de Reizinho, que vive no castelo de Mulumí com seus dois súditos: Assombração e Piretsim. Nesse castelo existe uma placa dizendo que quando o rei completar mil anos chegará um novo rei, mas como Reizinho, que está prestes a comemorar o milésimo aniversário, se vê como um péssimo rei, decide que não pode deixar que essa profecia se concretize e para isso precisa da ajuda de seus dois súditos.

Dirce Cleia Malheiro, diretora do Departamento de Educação da cidade, afirmou em entrevista que é preciso formar o conceito cultural da criança que ainda está na escola, por isso a importância da participação da Educação em uma semana cultural. Já sobre a apresentação da peça teatral, Dirce disse que “essas oportunidades acabam criando hábitos nas crianças e a gente sabe que aquilo que a gente cultua na infância, carregamos para a vida adulta”. “Nós queremos, na verdade, formar neles a vontade de estar participando de eventos culturais”, completou.

A diretora do Departamento de Educação revelou ainda o encantamento de algumas crianças que assistiram ao espetáculo e tiveram o desejo de subir ao palco para conhecer “o castelo mal-assombrado” ou de cumprimentar os atores, que após a peça foram ao hall de entrada do Theatro Avenida para se aproximar das crianças presentes.

Apresentada em duas sessões, a peça “O Castelo de Mulumí” volta a ser apresentada para alunos do Ensino Fundamental nessa quinta-feira, 15, também em duas sessões.

Uma noite de aproximação e acolhimento
Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
A terceira noite da Semana Edgard Cavalheiro teve início com um breve concerto do pólo municipal do Projeto Guri, projeto do estado de São Paulo que tem como objetivo ensinar música de forma gratuita para crianças e adolescentes. 

Coordenado pela musicista Thaís Rozon, o pólo de Espírito Santo do Pinhal possui um grande número de alunos que foram representados pela turma mais avançada do curso, formada por pessoas de várias idades. Durante o concerto, esses alunos apresentaram algumas canções conhecidas, entre elas O Pato, de Vinícius de Moraes.

Na sequência, após um breve pronunciamento do prefeito municipal José Benedito de Oliveira (Zeca Bene), que anunciou uma palestra que acontecerá no fim do mês, subiu ao palco a educadora Emília Cipriano, grande atração da noite (como anunciado anteriormente, Emília daria sua palestra na quinta-feira, no entanto foi necessária a troca de data entre os palestrantes de quarta-feira e quinta-feira).

Dedicada especialmente aos professores, maioria entre o público presente, a palestra “Encantamento com a criança e o reencantamento do educador” tinha a intenção de mudar a forma com que o professor entende o que um aluno está pensando e querendo transmitir com suas expressões e palavras. Segundo Emília, que trabalha como pesquisadora da infância e é professora da PUC de São Paulo, é necessário estar encantando para ter a capacidade de encantar o próximo e para isso é preciso se encantar pelo processo de aprendizagem.

Ainda no início de sua palestra, a educadora mostrou imagens de diferentes crianças com diferentes tipos de expressões. “Você tem desde a criança que é aquela que a mídia apresenta e você tem a criança que está lá no nosso contexto, que às vezes não tem nada a ver com aquele estereótipo que é colocado. É (preciso) romper com isso; trabalhar com seres concretos, experiências concretas, olhando-se e se desafiando para enfrentar os desafios desse contexto”, disse em entrevista.

Emília contou ainda sobre um educador da Bolívia que elaborou um livro com verbetes sobre as interpretações de crianças em relação a determinadas situações. Entre os exemplos citados pela educadora está um em que a criança diz que o “branco é uma cor que não se pode pintar” e a “igreja é onde as pessoas vão para perdoar a Deus”. Com esses exemplos, Emília tem a intenção de mostrar as diferenças entre vários tipos de crianças e suas determinadas interpretações, sendo então que “é necessário reencantar todas as crianças sem descriminação”.

Na palestra até então de maior interação entre público e palestrante, Emília mostra a importância de uma aproximação entre o educador e seus alunos, já que os professores estão distantes das crianças, que são fonte de inspiração. “Quando a gente é chamada para tocar e perceber, a gente acolhe. Então é essa a provocação maior: é como eu me percebo construindo uma relação diferente com o conjunto de criança que atuo”.

Foto: Ricardo Biazotto/Over Shock
Já sobre as mudanças que faria na Educação brasileira, a educadora ressaltou a necessidade da criação de “políticas públicas que contemplassem, de fato, essa possibilidade de articular cultura, educação, relações humanas em um contexto muito mais amplo, e não focados de uma forma tão fragmentada como vem ocorrendo em nosso país”, revelou.

A Educação continua sendo tema da Semana Edgard Cavalheiro nessa quinta-feira, 15, com a palestra “Mudando de Postura: Comunicação e diversidade cultural no ambiente educativo”, de Alexandre Camilo.

8 Comentários

  1. Que legal! Educação é um tema muito importante mesmo. Também acredito que cultura e educação devem andar de mãos dadas, dar esse incentivo as crianças é fundamental! Adorei o texto Rica, parabéns!

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  2. Achei muito interessante reservar dois dias na programação da Semana para debater a Educação. E atrelar arte nas suas mais diferentes linguagens foi melhor ainda.

    @_Dom_Dom

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  3. Giselle de Oliveira23 de agosto de 2013 06:24

    As crianças precisam serem incentivas a irem ao teatro, por que elas nunca iram largar a internet e os jogos para ir ao teatro e eventos culturais se não souberem do que se trata. É muito bom levarem os alunos para conhecerem por que com certeza muitos deles nunca iriam por conta própria.

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  4. Achei muito interessante ter palestra sobre a educação, esse é um assunto muito importante. Gostei de tudo que a Emília falou, principalmente as expressões das crianças, e a importância da aproximação entre o educador e o aluno.

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  5. Acho que a educação é um dos temas mais interessantes trabalhados nessa semana, e a Emília Cipriano parece entender muito bem do assunto. Com certeza o que eu acho que é mais importante é aproximação entre o educador e seus alunos, eu acho que isso é fundamental.

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  6. Educação e Cultura devem andar juntas, uma complementa a outra. E se tem uma coisa que está em falta é o incentivo à cultura por parte da educação. Ler, nas escolas, é sinônimo de obrigação e o teatro, então, é quase um bicho de sete cabeças. Se estamos em busca de melhorias no ensino, temos de começar com o básico; renovar os interesses dos alunos e dos próprios educadores é o primeiro passo.
    O interesse deve vir dos dois lados e não se pode desistir de provocar mudanças no sistema de ensino, é necessário moldar as próximas gerações de estudantes e tentar resgatar o gosto pela cultura para que, então, novos incentivos surjam e melhorem ainda mais as oportunidades de lazer.
    Foi muito interessante dedicar um espaço da semana à Educação, pois ela é a precursora da formação de novos críticos e pensadores, possíveis e verdadeiros apreciadores das artes. ;)


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  7. Nara Brasil do Amaral14 de setembro de 2013 16:28

    Fico feliz que esse evento cultural tenha chegado as escolas e que a peça apresentada tenha encantado tanto as crianças, realmente é um avanço que deve ser promovido.
    Emília Cipriano realmente abre a mente das pessoas com suas palavras e adorei quando a mesma falou que é necessário estar encantado para poder encantar, fato que precisa ser mais trabalhado entre os educadores e as crianças. Gostei também quando se ressaltou que precisamos acabar com estereótipo das crianças que a mídia nos impõem e aprender a aceitar as diferenças para que só assim possa se ter uma visão mais ampla sobre o assunto.

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  8. Achei muito legar o evento ter dado a oportunidade das escolas visitarem ;) Principalmente para assistir a peça. Adorava quando era criança justamente por isso, a visita ao teatro era muito mais frequente.

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