Memórias Póstumas

Estreia: 17 de agosto de 2001

Resenha: Adaptar uma obra literária não é tão fácil quanto se imagina, por isso quando estamos falando de uma das mais importantes obras da nossa literatura, a dificuldade para essa adaptação apenas aumenta. Imagine então a responsabilidade dos produtores de Memórias Póstumas, adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, escrito por Machado de Assis.

Reginaldo Faria interpreta o personagem Brás Cubas, que após sua morte em 1869, decide contar a história de sua vida como única maneira de evitar o tédio pós-morte. É assim que, de forma sarcástica, o personagem relembra momentos marcantes de sua vida e narra sem a preocupação de quem precisa dar satisfação sobre suas palavras.

Apesar de ter uma escrita antiga e por isso assustar muitos leitores, que evitam ao máximo se deliciar nas palavras de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas tem uma das melhores histórias da nossa literatura, não por menos se tornou um grande clássico. Sendo assim, o simples fato dessa história ganhar vida já é motivo para despertar uma curiosidade quase inevitável. Mas como toda adaptação, o receio também é certo.

Como adaptação, Memórias Póstumas funciona por se aproveitar ao máximo da história de Machado de Assis, não deixando pontos importantes de lado por falta de tempo, por exemplo. A essência transmitida pelo autor está presente na produção, assim como toda a ironia e as críticas que encontramos nas páginas dos livros. Esse caso só peca por repetir os mesmos problemas que sempre encontramos no cinema nacional.

Apesar de algumas atuações impecáveis, como do próprio Reginaldo Faria, Memórias Póstumas possui algumas cenas quase que artificiais, e notamos na expressão ou na fala dos personagens a falta de algo natural; de algo que nos faça esquecer que estamos assistindo a um simples filme. Mas claro que isso não se refere a todos os atores e atrizes presentes no elenco. Marcos Caruso, por exemplo, interpreta de forma impecável (o que não é nenhuma novidade) o personagem Quincas Borba, um dos mais importantes da trama; a bela Milena Toscano, na época com apenas 17 anos, não possui um papel de grande destaque, mas já mostra o talento que ficaria evidente com Sem Controle, filme de 2007. São apenas alguns exemplos que impedem uma crítica total ao elenco.

Felizmente o filme ganha em outros aspectos. A loucura que encontramos em Memórias Póstumas de Brás Cubas é tão grande que isso não poderia ser deixado de lado em sua adaptação. Vemos assim cenas que fogem do considerado normal, o que é natural quando falamos de um defunto que conta a sua própria história. Quem se encanta facilmente com novelas e filmes de época podem sim esperar por algo mágico em Memórias Póstumas. A moda da primeira metade do século XIX e os cenários que embelezavam a paisagem da época são muito bem retratados, deixando o leitor no clima desejado.

Infelizmente ainda não é possível usar nos filmes as mesmas características dos livros, portanto muito da narrativa de Machado de Assis se perde com a adaptação da obra. Mas quem busca a ironia, o humor, as críticas e principalmente as análises humanas do escritor e de seu defunto-autor encontrará em Memórias Póstumas. Um filme que, mais do que adaptar um clássico da literatura, retrata uma época em que a sociedade brasileira iniciava o que seria uma significativa mudança em seus costumes.

Um Comentário

  1. Não é fácil mesmo adaptar um livro para o cinema. Ainda mais quando se trata de um clássico da literatura brasileira como esse. E que ainda tem vários críticos por cima... hahahaha

    Abraços
    www.booksever.blogspot.com

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