A Menina que Semeava, Lou Aronica, tradução de Maria Angela Amorim De Paschoal, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 416 páginas.
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A literatura é marcada por fases, mas sempre existem casos em que gostaríamos que essa fase continuasse por muito tempo. O gênero sicklit se tornou um grande sucesso nos últimos meses e mesmo com uma única experiência é possível dizer que o gênero deveria continuar por muito tempo, pois o potencial é indiscutível.

A experiência citada se deu com A Menina que Semeava, obra que narra a história de Chris Astor, um botânico bem-sucedido que possui um amor indescritível por sua filha, Becky. Mas a garota enfrentou um doloroso câncer que abalou todas as estruturas da família de Chris, que se vê obrigado a encontrar uma maneira de diminuir o sofrimento de Becky.

Para isso, o pai encontra uma solução mágica e cria um mundo paralelo, recheado de fantasias e personagens capazes de aliviar o sofrimento e recolocar um sorriso no rosto da garota. Apesar da maluquice que isso pode parecer, Chris não se importa com nada e, todas as noites, pai e filha criam juntos histórias do reino conhecido como Tamarisk.

O tempo passa e como toda adolescente, Becky se incomoda com um assunto tão infantil quanto esse, que é o único capaz de uni-la ao seu pai. Mas, quando em uma noite a garota consegue ultrapassar todas as barreiras da imaginação e ir para Tamarisk, ela percebe que tudo o que foi criado por eles é real. E mais do que isso: ela pode ser a única capaz de ajudar o reino, que está com os dias contados após o surgimento de uma praga incontrolável.

“Assim que esse pensamento veio à cabeça de Becky ela soube que não era verdadeiro. O pai não ia fugir gritando, não importa como os últimos anos tivessem sido. Ele a seguraria e a abraçaria com tanta força quanto conseguisse. Ele diria para ela não ter medo, mesmo quando fosse óbvio que ele mesmo estivesse morrendo de medo” (pág. 86).

Contraindicado para pessoas emotivas, A Menina que Semeava é capaz de deixar qualquer leitor refletindo por muito tempo e com lágrimas nos olhos, sobretudo em seu final. Escrito por Lou Aronica, autor best-seller conhecido por suas obras de ficção científica, o livro une o sicklit e fantasia de forma impecável. E ainda possui uma simplicidade – em sua história e linguagem - e uma riqueza de detalhes capazes de deixar o leitor envolvido do princípio ao fim.

Apesar de um início confuso, que não dá uma chance de o leitor ser apresentado a tudo o que está acontecendo de forma apropriada, o livro não demora a ganhar um bom ritmo, que contribui para o desejo de saber como tudo acontecerá. E se a primeira vista o desfecho é previsível, no final somos totalmente surpreendidos com a maneira leve e emocionante criada pelo autor para solucionar todos os problemas.

Antes de chegar a esse final, conhecemos de forma profunda o mundo mágico de Tamarisk, colorido principal por tons de azul – que aos poucos estão se tornando cinza - e com uma diversidade de pessoas e situações encantadoras. Ao contrário de outros livros de fantasia, a magia de Tamarisk está em sua simplicidade. Não existem guerras, mas a já citada magia. Não existem disputas, mas esperança. Não existem vilões, mas uma praga tão destruidora quanto os personagens que representam o mal. E por isso tudo nos sentimos dentro de Tamarisk, como se fosse possível ir a esse mundo para ajudar em todas as vezes que Becky ultrapassa as barreiras da imaginação.

Com personagens tão distintos, a obra de Aronica consegue dividir o sentimento do leitor por cada um deles. A princípio sentimos pena de Becky por estar enfrentando tão dolorosa doença; carinho por esse pai capaz de tudo para estar ao lado da filha e ajudá-la; ou desprezo pela mãe, que por racionalidade desacredita nessa maluquice.

Também nos envolvemos com tudo o que acontece em Tamarisk, principalmente quando percebemos existir uma relação entre a real situação de Becky e a fase de destruição enfrentada por esse reino imaginário. Isso dá total sentido a tudo.

A Menina que Semeava pode não ser um livro de fantasia em sua totalidade, mas nos mostra como a fantasia e a imaginação podem nos ajudar em situações difíceis. Porém, como citado, o livro deixa reflexões sobre inúmeros pontos: será que o mundo mágico foi criado por Chris para que ele mesmo aceitasse a condição da filha ou realmente para que ela se sentisse melhor? Será que a imaginação é a melhor forma de aceitarmos as escolhas do destino? Será que a realidade seria menos dolorida se pensarmos como Chris? Será que o autor quis criar um livro de fantasia ou um livro que não fugisse da realidade, mas mostrasse soluções para nossos problemas?

Independente da situação, A Menina que Semeava é um livro mágico e encantador. Sabemos, portanto, que seja em tons de azul ou não, a esperança jamais deve deixar de existir, ainda em situações como a vivenciada por Becky.

Por mostrar o que um câncer é capaz de fazer com uma pessoa, em especial a uma criança/adolescente tão frágil, sentimos o sofrimento que a pessoa enfrenta em cada etapa da doença. E isso pode ser visto como o ponto mais marcante da história, que ao final mostra uma menina que pode semear alegria e esperança em nossos corações. Também por isso é um livro mágico!

“Se Becky estava imaginando isso, certamente era muito mais vívido do que qualquer outra fantasia que ela havia experimentado antes. Chris não tinha duvidas de que isso era muito real para ela. Mesmo nos seus momentos mais criativos na história de Tamarisk, ele nunca a tinha visto ficar tão preocupada com um acontecimento dramático assim” (pág. 223).

Para adquirir seu exemplar de A Menina que Semeava acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

6 Comentários

  1. Não conhecia a história. Achei a premissa bem interessante.
    Só tenho medo de a menina morrer no fim do livro, ahhhhhhhh meu coração nao aguenta hahaahaha!


    Abraços
    www.booksever.blogspot.com

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  2. Gabriela Costa e Silva10 de setembro de 2013 23:02

    Já vi também em outros blogs sobre esse livro, ainda fico meio na dúvida se vale a pena! =S

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  3. hey!
    Já li muitas resenhas sobre esse livro e a cada nova só desperta mais minha curiosidade! Parece que tem um quê de sicklit, que eu to aprendendo a amar muito, e um quê bem mágico e fantasioso que tonar tudo emotivo e delicioso de ler.



    xoxo,
    Bianca.


    www.blogsomaisum.blogspot.com.br

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  4. Olá. Bianca. Essa foi a primeira experiência com um sicklit, mas também já "estou aprendendo a amar", de tão encantadora que foi a experiência. Recomendo!.
    Beijos!

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  5. Oieeeeee, já to sacada que esse livro é o livro do momento e estou louca para lê-lo, quer me dar de presente?! Hahhahha Brinks.

    Adorei a resenha e me deixou mais desesperada ainda para o ler. Espero conseguir ele logo!

    Beijos, @_RayPereira

    http://porredelivros.blogspot.com.br/

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  6. Ana Carolina Lopes3 de outubro de 2013 17:19

    Esse livro nos transmiti uma grande lição . E eu gosto muito quando encontro isso nos livros que leio . Meu exemplar está pra chegar , e assim que isso acontecer eu vou lê-lo .

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