O Poder da Espada, Joe Abercrombie, tradução de Alves Calado, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Arqueiro, 2013, 480 páginas.
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Três personagens com características distintas e que têm seus destinos cruzados com a volta de um único personagem. Essa é a premissa de O Poder da Espada, primeiro livro da trilogia A Primeira Lei.

Sand Dan Glokta trabalha a serviço da Inquisição de Sua Majestade, utilizando as mais questionáveis técnicas para erradicar a deslealdade, não se importando nem mesmo em torturar os supostos traidores.

Considerado uma verdadeira lenda, Logen Nove Dedos enfrentou muitas dificuldades e sobreviveu a elas de forma cruel, muitas vezes com manchas de sangue. Agora Logen está decidido a mudar e não mais ser lembrado apenas como um temido guerreiro.

Por fim, o jovem Jezal dan Luthar gosta de aproveitar a sua vida com mulheres e sem muitos esforços. Vivendo cercado de regalias, Luthar quer apenas vencer o campeonato de esgrima. Ele só não imagina que todos seus planos podem mudar com uma guerra e com a volta de Bayaz, o Primeiro dos Magos, que acaba de retornar de um exílio que durou séculos.

“Quem está com sede de verdade bebe mijo, água salgada ou óleo, mesmo que faça mal, tamanha é a necessidade de beber. Ferro tinha visto isso nas Terras Ruins. Assim era sua necessidade de matar aquele homem. Queria rasgá-lo com as próprias mãos, arrancar a vida dele esganando-o, retalhar seu rosto com os dentes. O desejo era quase forte demais para resistir” (pág. 260).

Quando George R. R. Martin, autor de fantasia mais reconhecido da atualidade, garante que não conseguiremos “parar de virar as páginas por um bom tempo”, esperamos que o livro de Joe Abercrombie seja empolgante e principalmente sanguinário (afinal foi indicado por Martin). Contudo, infelizmente encontramos apenas a segunda opção e isso acaba sendo desmotivador.

No primeiro livro de sua trilogia, Abercrombie usa de uma característica comum em alguns títulos do gênero: narra a história de vários personagens, que acabam se encontrando em um futuro não muito distante. O que poderia ser um ponto positivo, assim como em outros livros, acaba se tornando ruim pela falta de algo que convença o leitor e pelo surgimento de certa confusão devido a esse detalhe.

Os primeiros capítulos, assim como deveriam ser, conseguem empolgar por situações inusitadas e até mesmo bem descritas, no entanto ainda não sabemos a verdadeira intenção da obra. Passamos dezenas e mais dezenas de páginas sem entender. E quando tudo enfim ganha um sentido, percebemos que passamos grande parte do livro “sem respostas” e que restam poucas páginas para o fim do primeiro volume.

Ao seu lado, O Poder da Espada tem as já citadas descrições, o que é de longe a característica mais agradável de criador e criatura. Descrevendo sem ser monótono, Abercrombie dá um novo sentido para as batalhas e as torturas, que são eletrizantes e reais, causando novas sensações, de angústia ou tensão, a cada nova cena.

Apesar desse detalhe fundamental, que pode ser visto como o grande diferencial do autor, não encontramos um mundo fácil de ser entendido, já que acontecem várias apresentações e poucas explicações. Acostumados a ter tudo no momento certo, nos sentimos deslocados com situações, principalmente políticas, desconhecidas e com a falta de um mapa, que nos orientaria conforme a leitura.

Ainda que existam detalhes que aparentemente são insignificantes, mas que fazem a diferença, O Poder da Espada também possui seus pontos positivos – que vão além das descrições. A estrutura dos personagens principais e secundários, revela a possível preocupação do autor em fugir do óbvio e garantir que seus personagens se tornassem eternos. E se esse era o objetivo, Abercrombie conseguiu conquistá-lo.

Entre tantas características interessantes, encontramos Glokta que ironiza tudo o que possível e não fala o que realmente pensa; Jezal com a sua determinação em mudar a visão que todos têm de sua personalidade; pelo mistério envolvendo o lendário Bayas; e por fim, a simples existência de Logen, que é capaz de colocar medo em todos com um simples olhar.

Mortes, sangue, lutas e mistérios entre povos nórdicos e sulistas dominam a história de O Poder da Espada. Se não tão bom como o esperado, é ao menos o início de uma trilogia que tem tudo para melhorar, mas que para isso serão necessárias explicações. O sentido da trilogia já foi revelado. Resta apenas saber se o autor será brilhante no desenvolvimento assim como é em suas descrições.

“O homem escuro se desviou do primeiro grande giro, e do segundo. Era rápido e esperto, mas não o suficiente. O terceiro golpe o mordeu na lateral do corpo. Uma mordida de raspão. Só um mordiscar. Apenas esmagou suas costelas e o fez cair de joelhos, gritando. O último foi melhor, um círculo de carne e ferro que escavou sua boca e praticamente lhe arrancou a cabeça, lançando uma chuva de sangue nas paredes” (pág. 461).

Para adquirir seu exemplar de O Poder da Espada, acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

15 Comentários

  1. Gabriela Costa e Silva30 de setembro de 2013 23:47

    Já li uma resenha sobre esse livro, e junto com premissa me fez acreditar que é uma boa leitura!
    Só não compro por agora pois já tenho muitos pra pagar, e outros tantos que quero comprar com urgência! haha

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  2. Bom dia Ricardo,

    LI e resenhei esse livro no blog, gostei demais e apesar da falta de algumas explicações o livro é ótimos...parabéns pela resenha...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  3. Michelli Santos Prado1 de outubro de 2013 11:10

    Olá Ricardo!! Tudo bem!!
    Estou interessada neste livro desde seu lançamento, gosto bastante deste gênero de livro e somente me animei com sua resenha.

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  4. Eiiiiiiiii, Rics! Estou com esse livro na estante faz algumas semanas, eu tinha começado a ler. E no começo estava bastante empolgado com o livro, ele está comprometendo todas as minhas expectativas, mas ele começou a ficar um pouco demorado e chato, e veio as provas escolares, oque proporcionou dificuldade para ler. Mas, logo pretendo voltar a ler, e deixando as expectativas não tão altas. Tudo culpa do Martin sabia?

    Www.setecoisas.com

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  5. Iaew Ricardo. Tudo bom?
    Ainda não comprei este livro, mas com certeza será um dos próximos.
    Parece ser bem interessante!

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  6. A capa não me chamou muita atenção, mas devo concordar que ao ler sua resenha, a narrativa do livro me chamou muito a minha atenção. Adoro filmes assim, com bastante lutas, mas na hora de comprar um livro esse contexto não se encaixa nas minhas escolhas, dependendo do livro até fica cansativo pra mim terminar. Mas ao contrario do que li aqui, uma resenha bem completa, diria que gostei do enredo, quem sabe não leio,

    bjs

    http://www.loveebookss.com.br/

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  7. Apesar da capa não ser lá essas coisas, só com a citação do Martin eu fico com vontade de ler. Só tenho uma pergunta: é um livro de fantasia ou apenas é um épico histórico medieval? Li em outra resenha a dificuldade do leitor em se situar na história, e por esse argumento, fico com um pé atrás, mas acredito que o autor só introduziu os personagens nesse primeiro volume, e talvez na sequência, a trilogia tome corpo. Enfim, quero muito ler o livro, e sua resenha esclareceu muitos pontos, tanto positivos como negativos.


    Abraços, Joshua Guimarães
    Blog Pensamentos do Joshua - pensamentosdojoshua.blogspot.com

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  8. Quando lemos que um dos melhores autores do gênero está elogiando um livro, claro que nossas expectativas vão lá pra cima. Aí você pega o livro com aquela gana e... brocha na mesma hora. Rsrsrs
    Pena que o "empolgante" ficou um pouco esquecido aqui, mas pelo menos não foi de todo, mal. Pelo menos deixa uma esperança de melhorar com o passar dos volumes.


    @_Dom_Dom

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  9. Nossa parece ser um livro muito interessante. Adorei o seu blog.

    Beijos

    http://luninhacat.blogspot.com.br/

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  10. Já apresentei um trabalho sobre o Machado e li Dom Casmurro, apesar de encontrar dificuldades com o vocabulário, me interessei bastante pelo enredo.

    http://tears-inthedark.blogspot.com.br/

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  11. Igor, você tem muita razão: tudo culpa do Martin. A lentidão da leitura atrapalha muito, e caso isso não tivesse acontecido, acho que tudo seria muito mais motivador. Infelizmente o Martin plantou a curiosidade por algo que não era tão perfeito assim. Malditas frases de capa KKK
    Abraços e obrigado por seu comentário!

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  12. Joshua, é um livro de fantasia, apesar de não se focar tanto nesse detalhe. Acho que isso acontecerá mais nos próximos livros - pelo menos é o que eu espero.
    Realmente não é fácil se situar na história, por isso acredito que o melhor seja ler sem expectativas. A leitura pode se tornar muito mais agradável.
    Abraços!

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  13. Muito obrigado, Luninha. Fico feliz que tenha gostado.
    Irei conhecer o seu blog também.
    Beijos!

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  14. Ana Carolina Lopes7 de dezembro de 2013 09:47

    Esse livro valeria a pena nem que fosse só pela capa , mas pelo que vi na sua resenha , ele é bom por inteiro ;)

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  15. Oi adorei.. muito obrigado, amei a maneira que vc usou para descrever essa resenha...me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda
    www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?
    www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html
    shopping.uol.com.br/e-book-reverso_2631732.html

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