Foto: Reprodução
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Texto: Monteiro Lobato
Direção: José Eduardo Martins
Duração: 74 minutos
Gênero: Infantil
Apresentação: 09 de outubro de 2013

A música começa e não demora para que a voz de Gilberto Gil chegue nos ouvidos e toque o coração. Lembro-me da infância, quando tinha um compromisso marcado todos os dias com a televisão. Volto a ser criança por alguns instantes, mas logo percebo não estar no sofá da casa de minha avó. Estou na plateia de um teatro lotado por crianças e o Sítio do Pica-Pau Amarelo está apenas começando.

Após apresentar O Auto da Compadecida, a Companhia Viva Arte teve pouco mais de duas semanas para preparar uma nova peça. O Dia das Crianças estava se aproximando e os alunos da rede municipal de ensino teriam o prazer de conhecer a história de Narizinho (Beatriz Olivi), a garota do nariz arrebitado.

Vivendo no Sítio do Pica-Pau Amarelo, Narizinho está sempre buscando por novas aventuras e tudo o que quer é dar vida para sua boneca Emília (Rebeca Monteiro). A viagem da garota para o Reino das Águas Claras é apenas o inicio dessa divertida história ao lado de Emília, de seu primo Pedrinho (Rodrigo Izidoro) e de todos os moradores do sítio de Dona Benta (Fernanda Monteiro).
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Nostálgico é a melhor palavra para descrever a apresentação do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Como citado, a voz de Gilberto Gil, assim como todas as demais canções que compõem a trilha sonora, fazem o espectador mais velho se recordar das histórias acompanhadas pela televisão. Esse mesmo espectador se lembra ainda de quando escolheu a obra de Monteiro Lobato em uma biblioteca ou livraria. Enquanto isso, as crianças se encantam com os personagens mágicos de uma das histórias mais conhecidas e amadas da nossa literatura.

Levar essa história para o teatro foi um risco muito grande. Quando se trata das aventuras de Narizinho e seus amigos, não dá para aceitar qualquer resultado. É preciso ter qualidade e prender a atenção, afinal estamos falando de Monteiro Lobato e não de um escritor ou uma história qualquer. Talvez por isso seja necessário aprovar o resultado final de Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Para essa apresentação, o diretor José Eduardo Martins escolheu a história que dá início a série de Lobato: Reinações de Narizinho. Dessa forma, contando com a narração do Visconde de Sabugosa (Celso Xinini), o público descobre como Narizinho foi ao Reino das Águas Claras e ali conseguiu dar vida para sua boneca, que passa a falar como um papagaio. Porém a história não para por aí!
Ter pessoas mais velhas no papel de crianças é válido, já que mesmo com idades diferentes, a interpretação se torna natural, algo que poucas crianças conseguiriam. Natural também é a interpretação de Beatriz Olivi, que em cena é muito semelhante com a atriz Lara Rodrigues, e que mais uma vez mostra seu talento que conquista pela entrega ao personagem. Dá gosto de vê-la no palco!

Se Beatriz atua de forma impecável e conquista por essa atuação, Rebeca Monteiro não precisa de nada disso. Claro que sua atuação merece destaque, no entanto as crianças se encantam por ela antes mesmo que comece a falar como só Emília é capaz. É como se as pílulas que dão vida a personagem tivessem um efeito mágico que causa os sorrisos e o brilho nos olhos das crianças – que saem da apresentação comentando sobre a personagem, ou com medo da Cuca, interpretada por Daniela Agostini.

Claro que não é possível comparar Sítio do Pica-Pau Amarelo com O Auto da Compadecida. São peças diferentes e para públicos diferentes. Talvez essa não tenha a perfeição da peça anterior, e uma coisa ou outra poderia até ser ajustada. Mas apenas o fato de ficarmos encantados pela história, pelas atuações e até mesmo pelas coreografias, essenciais para uma peça que envolve muita música, possui um significado especial. No entanto, não mais especial do que o sentimento nostálgico, porque esse é simplesmente único!

* O Sítio do Pica-Pau Amarelo voltará a ser apresentado no próximo dia 08/12, no Cine Theatro Avenida de Espírito Santo do Pinhal-SP.

6 Comentários

  1. Michelli Santos Prado23 de outubro de 2013 15:46

    Olá Ricardo!!
    Não perdia um episodio também e sempre amei demais =)
    Adorei saber mais sobre a peça, adoraria poder prestigiar ela!!

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  2. Sou daqueles que acredita que peça feitas para crianças tem que agradar a todas as faixas etárias. Claro que o enfoque maior é dar atenção aos pequenos, mas tem que conquistar os maiores também, pois os pais e/ou responsáveis também assistem, e se não agradá-los, muitos vão preferir levar seus filhos para fazer outros programas. Achei muito massa essa ousadia de trazer ao palco uma das mais conhecidas histórias da nossa Literatura. Com certeza deve ter conquistado as crianças, e em especial a galera mais velha também, pois rola essa questão de saudosismo que você falou.
    Parabéns ao Companhia Viva Arte mais uma vez!!!


    @_Dom_Dom

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  3. Gabriela Costa e Silva25 de outubro de 2013 19:22

    Também amava assistir o Sítio, uma pena não passar sempre!
    E essa peça deve ser ótima, uma pena ser em SP, moro tão longe, sempre perco essas coisas.. haha

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  4. Agoora eu fiquei com nostalgia mesmo! Lembro de quando era criança e todo dia assistia o Sítio, aquela da época em que Isabelle Drummond era a Emília da história. Perfeito!
    As crianças devem ter adorado!

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  5. muito legal, recordei minha infancia pois foram personagens marcantes para mim, muito legal, gostei muito

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  6. O Sítio definitivamente ocupa certo espaço nas minhas memórias de infância. Nunca gostei muito da Emília, sempre foi irritante, mas se tem algo que acho válido são as interpretações no teatro e até na série de TV que a Globo costumava passar. Mesmo tendo essa dose de Monteiro Lobato quando era criança, nunca procurei ler realmente os livros (a não ser o único a que fui obrigada pela escola rs) então só sabia por cima como Emília tinha sido encantada.
    Acho que essa peça totalmente funcionaria pra mim, pois é algo descontraído, infantil. Adoro coisas assim. rs E percebi que você se divertiu bastante, mas, afinal, quem é que não gosta de voltar a ser criança? Mas, talvez, mais importante do que uma peça de verdade seria, foi a minha visita a Taubaté, onde conheci os personagens e eles acabaram fazendo uma pequena encenação. Tirei até algumas fotos. rsrs
    Então, na falta de uma oportunidade dessas, tudo o que tenho a fazer é invejá-lo, agradecê-lo pelo post, sempre impecável, e, claro, me contentar com o desenho animado na TV e a reprise da série de antigamente. rsrsrsrs
    Adorei, Rick, que sorte a sua! :D


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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