Pra Dizer Adeus
Texto: Alberto de Oliveira
Direção: Alberto de Oliveira
Duração: 50~60 minutos
Gênero: Drama
Apresentação: 24 de outubro de 2013

Apesar de ser comum a apresentação de monólogos no teatro, raras são as vezes em que esse tipo de apresentação se destaca. Isso acontece porque um monólogo, ainda que não passe de uma peça teatral, não pode ser considerado um espetáculo qualquer. Existe uma dificuldade muito grande, sobretudo para atrair o público, e nesse caso uma história bacana pode se perder apenas por ter a responsabilidade sobre os ombros de um único ator.

O monólogo Pra Dizer Adeus é um dos participantes da fase regional do Mapa Cultural Paulista e tem como cenário um simpático bar, onde conhecemos a história de Adelmo (Alberto de Oliveira), um homem de trinta e poucos anos, mas com uma aparência muito cansada e sofrida. Adelmo é um ator que se aproveita de um festival de teatro para narrar a sua trajetória, seja no palco ou em sua vida pessoal. Assim conhecemos cada detalhe da vida desse senhor, alcoólatra e apaixonado pelo teatro e a cultura.
Quando Alberto de Oliveira entra em cena percebemos automaticamente que a peça não nos apresentará uma história feliz – o que já dava para imaginar apenas pelo título. Ao entrar no bar (ou no palco, se assim preferir), o ator carrega uma mochila nas costas, uma bengala em uma das mãos e uma tristeza em seu olhar, que é percebida mesmo por quem não está próximo do palco.

Durante toda a peça, a atuação de Alberto é impecável. Seu personagem, mais jovem, porém com aparência muito mais velha, reluta contra as dores desde o início e chega a um momento em que o próprio espectador se contorce pelas dores sentidas por Adelmo. Impossível não se sensibilizar ao vê-lo caindo em cena, resmungando, tremendo, devido a sua dor, e contando sua história, na maioria das vezes, com a voz saindo do fundo de seu coração, já que não há mais forças. Alberto sustenta seu personagem, porém apenas isso não basta em um monólogo.
Apesar de existir uma conversa entre personagem e público, não existe algo que os aproxime, e como também é impossível gargalhar em um drama tão forte como tal, aparentemente o ator está se apresentando para si mesmo. Adelmo até faz questionamentos ou diz o que o público pode ou não achar, contudo não há tempo para uma resposta, que acaba sendo dita apenas no coração do espectador.

O motivo da falta de tempo pode ser explicado com a maneira como o texto foi estruturado. Não dá para negar que é um texto forte, e totalmente poético, que narra uma história sofrida e por isso marcante. Mas o texto possui uma intensidade tão forte que não há tempo para descanso ou, quem sabe, uma reflexão durante a peça. O personagem simplesmente joga sua trajetória para o espectador e esse precisa se virar para unir pontos citados, para quem sabe refletir sobre determinadas situações.

Pra Dizer Adeus é uma peça marcante, com uma história emocionante, ainda que Adelmo cite inúmeros personagens, que infelizmente não são explorados. Isso pode causar certa confusão, no entanto são esses os responsáveis em transformar o narrador em um personagem tão forte. Talvez seu sofrimento acabe ofuscando partes do que ele tem a dizer, mas isso tem um único significado: Alberto de Oliveira fez uma excepcional atuação e se isso determinar sua classificação para a próxima fase, as chances serão muito grandes.

9 Comentários

  1. Eu sou apaixonada por teatro, e não me importo se for monólogo. Às vezes é até melhor, depende muito do objetivo da peça.


    Eu morava em cidade pequena, e ir ao teatro era uma das principais atividades. Tanto que eu mesma fiz aulas e participei de várias apresentações. É uma pena que na época não era tão fácil ter uma câmera de vídeo. Adoraria ver minhas performances. rsrsrsrrss


    Beijos,
    www.livrosqueinspiram.blogspot.com.br

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  2. Se, para um ator, um monólogo já é complicado, imagina quando esse ator é seu próprio diretor?!?! Aliás, o Alberto de Oliveira acumulou pelo menos três funções: Autor, ator e diretor. Só digo que é perigoso demais isso, pois é necessária uma visão de alguém de fora. O olhar de quem está no palco é completamente diferente de quem está nas poltronas. Enfim, ele teve coragem e deu a cara pra bater. E, como na linguagem que usamos no Teatro... MERDA!!!!! E que ele consiga a aprovação para a próxima etapa.


    @_Dom_Dom

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  3. Eu nunca fui muito de assistir a peças de teatro, mas sei o quanto deve difícil um monólogo. Deu pra entender o quanto de emoção tem numa peça dessa e a dificuldade de ase atuar em uma delas, o que não é para todos. Espero que ele consiga classificação para a próxima fase :)

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  4. Michelli Santos Prado31 de outubro de 2013 15:44

    Adoraria poder prestigiar esta, por que na minha cidade não tem teatro e fiquie super interessada nesta peça.

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  5. Gabriela Costa e Silva31 de outubro de 2013 21:19

    Também me interessei demais, iria adorar assistir. Quem dera se na minha cidade tivessem peças assim! =S

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  6. Nardonio, os jurados (ou avaliadores, como eles preferem ser chamados) disseram o mesmo que você: era preciso uma visão de fora. Não quis colocar isso, até porque não foi alto que eu notei, mas disseram também que o ator entra e sai de cena da mesma forma, ou seja, não há uma evolução ou mudança, por exemplo.
    De fato ele teve muita coragem, mas após essa resenha assisti outra peça, que até o momento tem grandes chances de passar para próxima fase (apesar de ainda faltar três peças e eu torcer para a última, que será a Cia. Viva Arte).
    Abraços e obrigado por sua visão!

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  7. muito bacana, arece ser um espetaculo muito bom e merece ser prestigiado

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  8. Não sou exatamente fã de monólogos (embora eu produza um número absurdo deles aqui em casa rsrsrsrs) e tendo isso somado a um drama, aí é que não cairia bem para mim de forma alguma.
    No entanto, fiquei um pouco confusa com a sua opinião, Rick. Afinal, você gostou ou não? Sei que ressaltou pontos confusos, a carga excessiva do texto que impede a absorção correta da reflexão que a peça pode querer passar ao público; por outro lado, existe a atuação e a história igualmente emocionante. Então, isso foi suficiente para ganhar sua atenção ou apenas te deixou confuso e um pouco atolado com o excesso de drama?
    Mesmo assim, como sempre, seu texto está muito bom, só achei mesmo que faltou uma opinião mais clara no final, que teria me esclarecido melhor seu posicionamento depois dessa torrente de emoções e sofrimento. rs Você conseguiu refletir, no final das contas? rsrsrs
    Adorei seu texto e, claro, sua coragem por se arriscar em peças de conteúdo tão diferentes e propostas tão distintas!


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  9. Boa pergunta, Vê! kkkk Posso dizer que quando assisti a peça, que foi uma das primeiras da fase regional do Mapa Cultural Paulista, achei a peça interessante, apesar dos detalhes que incomodaram, como a excessiva carga de drama e sofrimento. Aos poucos minha opinião foi mudando, até porque conheci o trabalho de outras peças teatrais. O ator fez um excelente papel (ainda que não senha sido o melhor); a história se tornou marcante (ainda que não tenha sido a melhor); a reflexão existiu e poderia mudar muita coisa.
    O que acontece é que escrevi baseando em minha opinião logo após terminar a peça, até porque segui minhas anotações. No entanto, com algumas conversas e troca de opiniões, percebi coisas que não tinha percebido até então. Só não poderia usar isso, claro, já que não foi o que eu notei. Talvez por isso não possa dizer que gostei como das demais. Uma peça mediana, isso sim.


    Beijos, Vê! Espero que agora tenha ficado mais claro.

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