Quando uma Garota Entra em um Bar..., Helena S. Paige, tradução de Robson Falchetti Peixoto, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 240 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Diferente de outros gêneros literários, que se tornam febre editorial e fazem sucesso momentaneamente, a literatura erótica aparenta estar em franca ascensão. Desde que atingiu o topo da lista dos mais vendidos, o gênero continuou ganhando novos títulos e conquistando cada vez mais leitores. E quando pensamos que será impossível inovar, nos deparamos com um livro diferente de tudo o que já vimos.

Escrito por três amigas sob o pseudônimo Helena S. Paige, o livro Quando Uma Garota Entra em um Bar... possui um estilo até então desconhecido, onde o leitor, principal interessado pela história, é o verdadeiro responsável por todas as atitudes da protagonista. E diferente do imaginado em um primeiro momento, o leitor não faz apenas uma escolha. Ele pode fazer escolhas durante todo o livro, seguindo a sua própria vontade a cada nova página.

Narrado de uma forma como se as palavras definissem o que o próprio leitor fará, o livro se inicia com a protagonista chegando a um bar para uma noite com as amigas. No entanto os planos mudam e ela é deixada sozinha, toda arrumada para ter uma noite especial que aparentemente foi por água abaixo.

Não querendo que a noite seja um fracasso, a protagonista (ou você, como queira) pode fazer várias escolhas. Será que o melhor é voltar para casa e aproveitar a noite sozinha? Quem sabe sair com um homem mais velho? Ensinar o prazer da vida ao mais inocente? Ou ainda arriscar experiências novas? Independente da preferência, o leitor pode fazer a sua escolha e aproveitar a noite da maneira que bem entender.

“Essa flor polpuda e cor-de-rosa realmente se parece com a coisa. Você olha mais de perto e quase grunhe em voz alta: não está olhando para uma flor, mas para uma vagina de verdade – ou melhor, para dentro de uma. Olha em volta para ver se alguém mais reparou e está tão surpreso quanto você, depois estica novamente o pescoço, fascinada.” (pág. 50).

A ideia de possibilitar que leitor defina o rumo que seguirá é inovadora e por isso Quando Uma Garota Entra em um Bar... merece atenção. Mas, além dessa inovação, o livro oferece apenas algumas horas de entretenimento e uma leitura rápida e agradável. Nada diferente disso.

Possibilitando ao menos sete versões diferentes, o livro explora várias experiências sexuais, que em nada se assemelham. Seja com sadomasoquismo, relacionamento homossexual e até mesmo uma noite sem opções, obrigando a protagonista a buscar outras formas de encontrar o prazer, as autoras conseguiram fugir do óbvio. O problema é que isso não significa que o livro consegue se destacar no meio de tantas obras eróticas.

Apesar das opções variadas, as autoras não inovam nas descrições, como se a personagem sentisse e passasse pelo mesmo em cada uma das versões. Isso significa que com a leitura por completo, percebemos que aquilo já foi descrito em algum momento, e isso está longe de ser o que esperamos.

O grande problema dessa falta de inovação é a forma passageira com que todas as cenas, sejam elas sexuais ou não, são descritas. Aparentemente a intenção é apenas dizer o que a personagem faz ou deixa de fazer, e sentimos a necessidade de um envolvimento maior e não apenas um texto direto como o que encontramos.

As falhas narrativas também são um grande problema. Se a intenção era que o leitor lesse apenas uma das versões as falhas são inexistentes, porém é difícil passar pelo livro inteiro sem ter a curiosidade de saber o que aconteceria se fizéssemos outras escolhas, e com isso é decepcionante saber segredos de personagens que ainda não conhecemos. Não sabendo as escolhas do leitor, as autoras deveriam buscar evitar certas situações, que podem e certamente vão decepcionar o leitor.

Pela ideia original, Quando Uma Garota Entra em um Bar... é livro interessante; como livro erótico tem grandes chances de ser esquecido. Não dá para negar que são várias aventuras, cheias de adrenalina e prazer, no entanto encontramos aqui uma personagem que dá a impressão de não estar acostumada a esse tipo de situação, mas que de uma página para a outra muda radicalmente, se aproveitando do sexo intenso - e indo ao delírio, literalmente. E apesar de divertido, o grande desafio é tentar encontrar o motivo de essa história ganhar uma continuação que, ao menos no momento, é facilmente dispensável.

“Você mal percebe Mac delicadamente pressionando-a contra os travesseiros atrás, inclinando-se sobre você. Tudo em que você pensa é na boca percorrendo primeiro um seio, depois o outro, seguida pelos dedos fortes, deslizando, beliscando, acariciando. O tempo se expande e, bem longe, você se ouve emitindo tênues sons de choramingo” (pág. 88).

Para adquirir seu exemplar de Quando Uma Garota Entra em um Bar... acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

8 Comentários

  1. Não sou muito fã desse tipo de livro, mas a ideia das autoras é bastante interessante...

    ResponderExcluir
  2. Realmente os livros hots estão com tudo nesse época. Quando fiquei sabendo da premissa desse livro, eu me interessei bastante. Poder ler um livro e escolher quais rumos serão tomados, é muita novidade para mim!

    ResponderExcluir
  3. Michelli Santos Prado26 de outubro de 2013 14:27

    Olá Ricardo!! Tudo bem??
    Ao ver este lançamento não poderia imaginar se tratar de um livro 'diferente', e o ler sua resenha fiquei com bastante dúvida, apesar de achar inovador a ideia da historia, não gosto em nada do gênero erótico.

    ResponderExcluir
  4. Vi esse livro no skoob. Não sabia que era do gênero erótico. Apesar de a capa e o título serem um pouco sugestivos... *-)
    Acho que não entendi sobre "o leitor decidir"... Seria como aquele como aquele final de Lisbela e o Prisioneiro...? *-)
    Eu tinha uma ideia completamente diferente dele... na verdade, eu não tinha "uma ideia", necessariamente falando, mas me parecia interessante... =/

    ResponderExcluir
  5. Madu, não sei dizer se é como o final de "Lisbela e o Prisioneiro", até porque não conheço a história (me perdoe :x), mas vou tentar explicar sobre como o leitor decidi o que vai acontecer.
    Ao final de cada capítulo, existem três alternativas para os leitores. Por exemplo: "Se decidir sair com fulano, vá para a página x". E assim o leitor consegue passar por várias situações, assim como os jogos de tabuleiro, por exemplo.
    Apesar desse detalhe ser interessante, como eu disse, a história está longe de também ser. Infelizmente, porque de fato parecia interessante :/

    ResponderExcluir
  6. não imaginava que erá erotico, mas quero ler, tem uma capa inusitada e muito bonita, gostei muito a sinopse está perfeita

    ResponderExcluir
  7. Não sabia que esse livro tinha essa pegada mais hot. Imaginava que era uma espécie de chick lit, ou algo mais leve e divertido. O que achei interessante foi essa questão do leitor escolher o desenrolar da história. Nunca li nada assim. Fiquei bem curioso.
    Uma pena que ele teve essas falhas. E também não vejo o porquê de uma continuação.

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  8. Não se preocupe por isso, Duda, mas saiba que suas visitas são sempre bem-vindas.
    Sobre o livro, eu particularmente acho que seria mais interessante se fossem contos ou, no máximo, o leitor fizesse apenas uma escolha inicial, dividindo assim o livro em três ou quatro partes. Talvez com isso a leitura fosse mais agradável e não tivesse falhas no enredo (ou não, já que apenas a estrutura chama a atenção).
    E sim, o livro é puramente e exclusivamente sexual. Ela decide sair com o cara, na cena seguinte já estão na cama (ou em outros lugares) e duas cenas depois ela já está voltando para casa.
    Tive a mesma reação ao saber que terá continuação, principalmente por aparentemente não ter qualquer relação com o fim da história KKK
    Beijos, Duda!

    ResponderExcluir