Passarinha, Kathryn Erskine, tradução de Heloísa Leal, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Valentina, 2013, 224 páginas.
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O simples gesto de abrir as páginas de Passarinha (vencedor do National Book Award) deixa os olhos do leitor cheios de lágrimas. Com tantos comentários positivos, essas lágrimas são inevitáveis, até porque sabemos que a história, ainda que simples, consegue emocionar desde as suas primeiras páginas.

Caitlin, uma garotinha simpática de dez anos, e portadora da Síndrome de Asperger, é a narradora dessa tocante história. Tudo na vida de Caitlin é visto em preto e branco e ela sempre contou com ajuda de seu irmão, Devon. Pelo menos até o dia em que a vida desmoronou, causando a tristeza incurável de seu pai.

Apesar de querer ajudar o pai que tanto ama, Caitlin não sabe qual a melhor forma de realizar esse desejo próprio, mas com o auxilio de livros e dicionários, que contribuem para que ela descubra o significado das palavras, ela descobre uma palavra que parece ser exatamente o que pai está precisando: desfecho. É dessa forma que a garota segue um antigo conselho de seu irmão para, só então, descobrir que a vida pode ser bela e muito colorida.

“Estou me sentindo feito Branca de Neve porque agora tenho um monte de amigos anõezinhos que me adoram. Posso não saber como é usar o macacão da Scout mas acho que sei como é usar o vestido da Branca de Neve porque agora sei por que a Branca de Neve era feliz” (pág. 96).

Qualquer palavra escolhida para descrever Passarinha seria insuficiente para passar o que realmente sentimos durante a leitura dessa verdadeira obra-prima, escrita por Kathryn Erskine, que possui total relação com o filme To Kill a Mockingbird. O que é possível dizer, sem medo de errar, é que esse livro transforma a vida do leitor para sempre e que em poucas oportunidades uma leitura se tornou tão especial.

Como citado, a narradora-personagem dessa obra é portadora da Síndrome de Asperger. Como qualquer síndrome, a Asperger causa determinadas dificuldades aos seus portadores, incluindo a compreensão de mensagens transmitidas pela linguagem corporal, a interpretação de palavras e até mesmo o relacionamento com outras pessoas. Essas são características presentes em Caitlin, que também não aceita o fato de possuir uma síndrome semelhante ao autismo.

Apenas essas características fazem de Caitlin uma garotinha especial em meio a tantas personagens que conhecemos dia após dia em nossas leituras. Por falar nisso, é comum encontrar pessoas que fazem juras de amor a personagens literários. Nesse caso o sentimento é de uma sincera e especial amizade, em que o principal desejo é o de abraçar Caitlin (como já foi citado em uma resenha de outro leitor), como estamos acostumados a nos relacionar com amigos.

Ainda é interessante ressaltar que, além do desejo de se tornar amigos da personagem, não será nada incomum o desejo de também participar do aprendizado e da busca pelo desfecho capaz de curar a tristeza do pai de Caitlin. A inocência dessa criança causa mudanças em nossa visão do mundo e das coisas ao nosso redor, por isso estamos em constante aprendizado durante a leitura. Cada vez que a personagem aprende o significado de uma nova palavra, por exemplo, ou simplesmente faz uma nova descoberta, o sorriso é inevitável, pois sabemos que aquilo não está mudando apenas a garotinha.

Não dá para negar que Passarinha possui uma história delicada e, no geral, sem nada de extraordinário, no entanto isso não faz a diferença. Com uma história extraordinariamente agradável e uma leitura que não fica longe disso, devoramos o livro em questão de horas e, acredite, é impossível deixá-lo de lado enquanto não percorremos todas as páginas em busca do desfecho, em todos os sentidos.

Após a conclusão, e os inúmeros sorrisos e lágrimas que nos acompanham, temos a certeza de que Erskine, e consequentemente a editora Valentina, nos presentou com um livro que permanecerá eternamente em nossas memórias. Isso significa que Passarinha deve ser recomendado para todas as pessoas próximas e que estão abertas a novas emoções. Nada se compara a Passarinha e nada justificaria a desculpa de dispensar a leitura de um clássico da literatura contemporânea que aborda não apenas uma síndrome, mas também problemas familiares e a dificuldade encontrada para se relacionar com pessoas diferentes a nós.

“Não tem nenhuma cara de Perturbar no Quadro de Expressões Faciais por isso não sei exatamente como é. Mas sei que não é boa. É o tipo da cara que deixa a gente com uma sensação ruim porque eu achei que tudo ia ficar bem agora que estamos trabalhando no armário. Mas ainda não ficou” (pág. 165).

Para adquirir sem exemplar de Passarinha acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

14 Comentários

  1. ah eu sou doida pra dar esse livro de presente para a minha tia e tbm ter o meu, mas nao tenho grana ainda pra comprar asuhsuhuh
    isso q da ter mt divida xp
    mas deve ser lindo, eu digo isso pq tenho um primo de 6 anos com asperger e devo imaginar como é o livro ;w; awn deu até vontade de chorar.

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  2. Maria Silvana ♪♫♪♫♫♪18 de outubro de 2013 01:43

    owwwwwww!!
    estou aqui emocionada só de ler as tuas palavras.
    Preciso desse livro, quero muito e tenho certeza que irei me emocionar assim como você. e chorar muito pois, sou uma manteiga derretida! rs

    Beliscões carinhosos da Máh-

    Cantinho da Máh

    @Maaria_Silvana

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  3. Não conhecia o livro, mas essa capa é simplesmente incrível, vamos ser sinceros. Amei a premissa da história e a sua resenha, as palavras que usou e a forma com que descreveu sua emoção durante a leitura me conquistou. Lerei assim que tiver a oportunidade. - Felipe (A Hora do
    Livro
    ).

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  4. Já estava com muita vontade de ler esse livro, e agora ainda mais.

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  5. Só de imaginar que a história e contada por uma garotinha de dez anos que possui uma síndrome com certeza vem história boa por ai. Saber que foi uma leitura extraordinária para você só me faz querer conhecer mais essa história e conflito da Caitlin.

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  6. Fiquei com vontade de ler agora por sua resenha. Achei a história bem interessante, ainda mais pela personagem principal ser uma criança com uma síndrome, o que já é o suficiente para tornar a história emocionante e tocar o leitor. E adorei a capa da Valentina, e quando você disse que a personagem vê tudo em preto em branco, entendi o porque da garota na capa estar sem cor. Realmente, quero ler :D

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  7. Gabriela Costa e Silva19 de outubro de 2013 21:05

    Esse livro parece ser dos que te emocionam desde o começo.
    Quero muito ler, me interessei bastante depois de ler a resenha.

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  8. Michelli Santos Prado22 de outubro de 2013 16:49

    Olá Ricardo!! Parabéns pela resenha...
    O livro parecer ter uma história muito bonita e comovente, estou bastante curiosa em relação a ele, espero gostar da leitura *-*

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  9. Engraçado você falar sobre a garota na capa estar sem cor. Antes da leitura também não via um sentido para isso e, na verdade, imaginava ser apenas um detalhe. Agora sei que não é um simples detalhe - até nisso a Valentina se destaca, mais uma vez.
    Realmente espero que você leia o livro e goste tanto quanto gostei. O livro é lindo, emocionante e merece ser lido por todos.
    Abraços,

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  10. Alice, espero que consiga o dinheiro para comprar esse livro para sua tia e também para você mesma. O livro é fantástico e acho que vocês podem gostar. Espero que, ao ler, sinta o mesmo que senti e que você encontre o seu próprio "desfecho" :D

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  11. resenha otima,

    um livro muito bom, embora assim que vi achei meio paradão chatinho, mas depois que comecei a compreender virei fã
    muito bom

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  12. Confesso que esse livro está longe de pertencer ao gênero que gosto de ler, mas me parece ser tão forte e emocionante ao mesmo tempo, que me deixou com curiosidade pra lê-lo. Outra coisa que acho legal é quando temos personagens crianças sendo o centro das atenções, pois passa essa inocência que você comentou. Percebemos o quanto a vida é simples e descomplicada, e somos nós que complicamos. Quero muito ler.

    @_Dom_Dom

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  13. Lembro-me de quando fiquei sabendo desse lançamento da editora Valentina, parecia especial de alguma forma e, muito, mas muito triste. Tenho certo problema com histórias assim; sei que nem tudo são flores, mas dá sempre uma inquietação ter que ler um livro tão emocionante e, ainda assim, especial.
    Acho que você conseguiu transmitir super bem o quanto gostou do livro, Rick, me encantou perceber como Passarinha te tocou e te fez repensar; acho que estava por perto quando você terminou a leitura, não? É sempre muito bacana perceber o impacto que alguns livros tem em você. rs
    Sua resenha ficou maravilhosa, me convenceu definitivamente de que preciso ler Passarinha e que, assim que o fizer, terei um livro mais que especial para me lembrar muito tempo depois de tê-lo acabado. Acho que a editora Valentina nos trará muitos lançamentos encantadores e eu espero ter a oportunidade de ler todos eles. ;D


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  14. Como te disse durante nossa conversa, fiquei realmente surpreso ao saber que você percebe o impacto que alguns livros têm em mim. Jamais imaginei isso acontecendo rs
    Deixando isso de lado, o livro é maravilhoso, incrível, fantástico, único... e eu poderia passar o dia encontrando palavras para descrevê-lo... Por isso recomendo que você leia o quanto antes. Além de ter uma edição belíssima, Passarinha consegue ser belo em todos os sentidos. Merece ser lido por todos :D


    Beijos,

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