Dois Rios, T. Greenwood, tradução de Rafael Gustavo Spigel, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 448 páginas.
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A lista de autores lidos até hoje não é curta, mas certamente poucos conseguiram conquistar pela delicadeza com que conta uma história simples e ainda assim envolvente. Entre os autores, que muito provavelmente dá para contar com os dedos, T. Greenwood está entre os destaques. Isso se confirmou com o seu mais recente livro lançado no Brasil!

Dois Rios é narrado em grande parte por Harper Montgomery, um morador da cidade de Dois Rios que sempre acreditou que essa pequena cidade seria a melhor opção para cuidar melhor de sua filha e fazer o papel de pai e mãe. Mas Harper passou os últimos doze anos cuidando da filha e convivendo com a tristeza deixada pela morte de sua esposa. Além disso, ele ainda se sente culpado por um crime que presenciou anos antes.

Devido ao remorso que sente, Harper encontra em um acidente de trem que abala a cidade a chance de corrigir todos os seus erros e ajudar uma pessoa. Por isso não pensa duas vezes antes de acolher uma das sobreviventes em sua casa. O problema é que cada vez mais o protagonista percebe que Maggie, uma jovem negra que está grávida, esconde algum segredo. E ele sente que o segredo dessa jovem de quinze anos pode ter relação com o crime presenciado por ele...

“- Dez, nove, oito – Besty sussurrou no meu ouvido. – Sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um.
Quando ela me beijou, seu gosto parecia o do oceano. Salgado de suor. Salgado de lágrimas. Ela tremia em seus braços; não de frio, mas de algo que parecia estar atormentando todo o seu corpo. E naquele momento único, quando 1967 se transformava em 1968, tive uma sensação de terror pela primeira vez, que passou dela para mim, me contaminando” (pág. 312).



Autora de Um Mundo Brilhante, T. Greenwood escreveu mais uma obra marcante e que por isso mereceu o prêmio de Melhor Livro de Ficção do San Diego Book Awards. Um romance com a simplicidade de uma cidade do interior, o cheiro do campo, a calmaria do trajeto de um rio e a sensibilidade que só encontramos em uma obra escrita pela premiada autora.

O principal ponto positivo de Dois Rios começa mesmo no cenário escolhido para se passar a história, já que a pequena e simpática cidade resulta em um casamento apropriado com tudo o que é vivido pela personagem. Além disso, a narrativa se desenvolve através de duas fases da vida de Harper, intercalando, portanto, os capítulos entre as décadas de 50 e 60 e a década de 80.

Essa divisão escolhida por Greenwood não poderia ser mais agradável, já que possibilita a leitura de duas histórias com situações distintas e que, de uma forma ou de outra, acabam se completando. Enquanto a primeira fase da vida do narrador pode ser vista como dramática, até porque narra a bonita e sincera história de amor entre Harper e sua falecida esposa Besty, a segunda se foca no mistério envolvendo a aparição da jovem mulher grávida. Com isso, a autora dá a chance ao leitor de desvendar os mistérios, principalmente quando, deixando a narrativa em primeira pessoa de lado, narra as cenas do crime que atormentou os últimos anos de Harper.

No entanto, mais do que uma história de amor e de um leve mistério, Dois Rios é uma obra sobre os males causados pelo preconceito racial e, para dar uma complexidade maior, Greenwood se aproveita de fatos marcantes da história mundial, como, por exemplo, a morte de Martin Luther King.

Assim como King, personagens de Dois Rios também são odiados por lutarem contra a segregação racial, enquanto outros usam palavras durante uma conversa entre amigos que nos faz lembrar que, infelizmente, essa realidade continua presente, ainda que em menor número. Isso apenas revela o poder de transformação e superação causado quando ignoramos o preconceito e agimos como humanos.

Seria impossível usar simples palavras para descrever a sensível história de Harper. Com o mesmo estilo de Um Mundo Brilhante, sobretudo na delicadeza das descrições, T. Greenwood volta a deixar a emoção de seus personagens falar mais alta, causando assim a emoção do próprio leitor. Talvez até não seja um livro para se emocionar, mas dificilmente isso não acontecerá. Com uma linda história e uma mensagem importantíssima, a emoção é questão de páginas e tem um único significado: mais uma obra recomendada, porque Greenwood sabe conquistar o leitor – e surpreendê-lo no momento ideal.

“Uma criança estava crescendo dentro do ventre de Besty, mas algo terrível estava crescendo dentro de mim. Eu nunca tinha sentido um ódio tão grande como aquele; era um ódio tão frio e profundo quanto um lago sem fundo” (pág. 328).’

Para adquirir seu exemplar de Dois Rios, acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

17 Comentários

  1. gente que resenha apaixonada. tenho certeza depois disso q vou adorar a resenha :)

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  2. Pela sua resenha fiquei bastante curiosa pra ler esse livro.

    http://infinitoparticulardoslivros.blogspot.com.br/

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  3. Nah. Encontrei um 'que' de solidão nesse livro pela resenha, parece triste, sei lá... Nesse momento estou a procura de livros felizes... rs


    Beijos,
    www.livrosqueinspiram.blogspot.com.br

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  4. Michelli Santos Prado23 de outubro de 2013 16:19

    Olá Ricardo...Tudo bem??
    Adorei a sinopse do livro desde seu lançamento e ao terminar de ler sua resenha já pus ele na minha lista de desejados.
    Tenho Um mundo brilhante, mas ainda não pude ler,mas li muitas resenhas positivas sobre seu livro, que estou super animada para ler Dois Rios.
    Parabéns pela resenha,me incentivou a adquirir este livro do autor também.

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  5. Oi Ricardo!
    Nossa, este livro parece ser incrível mesmo.
    Assim como você, gostei do livro "Um Mundo Brilhante", que foi escrito pela mesma autora e não agradou muitos leitores aqui no Brasil.
    Amo a forma como a autora consegue me emocionar e também amo a forma como desenvolve suas personagens. É realmente uma delícia acompanhar isso durante a leitura.
    Espero não me decepcionar. Acredito que será uma das minhas próximas leituras. Parece realmente ser um bom livro.
    Parabéns pela resenha!
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

    P.S.: estou demorando para retribuir os comentários porque estou sem internet. Mas estou fazendo o possível para visitar cada blog. (:

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  6. Sempre existirá essas polêmicas quando se fala em premiar a arte. Afinal, por mais que os votantes sejam imparciais, sempre rola aquela subjetividade que cada individuo tem.
    Parabéns aos escolhidos!!! E para a Companhia das Letras também, pois mostra que está fazendo um belo trabalho.


    @_Dom_Dom

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  7. Gabriela Costa e Silva25 de outubro de 2013 19:05

    Livros premiados são sempre bons!
    Já ouvi falar muito sobre o "Marighella", tô muito curiosa sobre ele...

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  8. Gabriela Costa e Silva25 de outubro de 2013 19:12

    Já tem alguns dias que me interessei por esse livro, e ver a resenha dele aqui também foi ótimo pra formar minha opinião: quero MUITO ler o quanto antes.
    Parece ser um livro incrível, e eu sempre vi resenhas ótimas sobre ele.
    Me interesso muito, e pretendo ler o quanto antes.

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  9. Desde o lançamento que eu estou com vontade de ler esse livro. Cada vez que leio resenha dele eu fico. Essa história mesmo não tendo o ponto principal um grande mistério, o que me faz querer ler é a sensibilidade do livro mesmo.

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  10. Eu até que gostei de um monte desses lançamentos. São eles: "Paranoia", "É o Fim", "Gravidade", "Kick-Ass 2", "Os Suspeitos", "Rota de Fuga", "Serra Pelada" e "Silent Hill: Revelação". Mas nenhum desse supera o "Dragon Ball Z". Haja dinheiro pra poder assistir esses filmes, hein?!?! Rsrsrs


    @_Dom_Dom

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  11. Olá, Leandro!
    Infelizmente "Um Mundo Brilhante" não agradou os leitores brasileiros, por isso tenho medo que alguns evitem "Dois Rios". Na verdade é difícil dizer qual das duas obras é a melhor, até porque, assim como você falou, a escrita da autora consegue emocionar. "É realmente uma delícia acompanhar isso durante a leitura". Mas achei ambas interessante, então, o que posso dizer é que espero que você goste tanto quanto eu.


    Abraços,

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  12. Confesso que, de início, não me interessei muito por ele, mas ao ver que a autora aborda temas polêmicos (mesmo que não seja o grande foco do enredo), fiquei com uma pontinha de curiosidade pra ler. Gosto também quando rola essas passagens de tempo nas tramas e, acho que nesse caso, ela usou isso muito bem.

    @_Dom_Dom

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  13. De cara, já vou elogiar essa capa. Muito bonita mesmo. E agora, falando da trama, achei bem interessante (apesar de achar algumas coisas previsíveis). A Mallerey se mostrou bastante corajosa, ao ponto de escrever obras de gêneros diferentes, e melhor ainda, mostrou que tem talento pra se dar bem em ambos.

    @_Dom_Dom

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  14. muito bom, já ouvi falar maravilhas e deve ser mito interessante .


    aah parabéns

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  15. não me interessei muito de cara, num sei , achei a capa meio fraquinha e já me desistimulou, mas a sinopse é muito boa

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  16. goste i muito desses lançamentos meio divertidos e marcantes, amei amei

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  17. a capa está muito bonita, mas não faz muito meu genero de leitura, então devo não ler, sua resenha ficou muito boa, parabéns

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