O Poder Visor, Naiane Aline R. C., 1ª edição, Salvador-BA: Vento Leste, 2013, 320 páginas.
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Para um livro de fantasia conquistar o leitor é preciso mais do que uma boa história. Na maioria das vezes a forma como ela é contada pode fazer a diferença, por isso que a característica da escrita de Naiane Aline R. C. se destaca em seu primeiro livro, O Poder Visor.

O caos está apenas se iniciando no Mundo sem Fim. Tudo o que antes era normal, agora aos poucos vai se perdendo por uma guerra que se torna cada vez mais cruel. Mas ainda existe uma esperança e ela está na pequena Carina, uma jovem princesa que convive com um antigo medo, após ser ameaçada, porém sabe a sua importância para que tudo o que existe continue normalmente. Para conseguir a missão de sua vida, a princesa precisa crescer e, mais do que isso, contar com a ajuda de outros jovens com o mesmo interesse.

“Seus sonhos lhe revelam mais do que sua fértil imaginação pode criar. Seus sonhos lhe revelam seu possível futuro... Isso a assusta, e me assusta também. Como pode o futuro ser tão cruel ao mostrar-se para uma garota inocente em meio a seus sonhos? Não tente perguntar isso a ele. O futuro odeia questionamentos” (pág. 32).

Como citado no início, a característica que mais se destaca em O Poder Visor é a maneira como Naiane narrou sua história. As aventuras de Carina e de todos os seus amigos são narradas pela própria História, que como espectadora de tudo o que aconteceu, relata com extremo cuidado cada situação, por mais insignificante que essa pode aparentar ser.

No entanto, não apenas o fato de ser narrada pela própria História faz a diferença. A narradora relata e também interage com o leitor, proporcionando muitas explicações e principalmente opiniões. O interessante é que, mesmo não se passando no planeta Terra, a narradora não deixa nosso planeta de lado e em vários momentos faz referências e até mesmo cita determinados países e objetos.

Isso mostra que mesmo se passando em outro ambiente, O Poder Vitor está de uma forma ou de outra interligado com o nosso planeta. São aventuras com um toque de fantasia, mas que se diferem pouco de situações atuais ou de outros momentos da nossa própria história, mostrando que a princípio Naiane não desejava criar um mundo totalmente inovador, mas que fosse simplesmente a sua cara.

Mas não basta apenas uma narrativa que se sobressai ou ambientações que se destacam. Um livro precisa de outras importantes características (ou qualidades) para se destacar e conquistar o leitor. Dividido em duas partes, O Poder Visor consegue atingir o seu objetivo em um primeiro momento, porém não mantém um mesmo nível.

Se na primeira parte dessa história a leitura é rápida e consequentemente instigante, na segunda parte, quando tudo de fato acontece, a leitura se torna mais lenta – dá para dizer que isso ocorre pelas descrições menos objetivas. Com mais ação e inúmeras situações perigosas, a segunda parte dessa obra perde o seu brilho, talvez, por justamente ter uma participação menor da narradora.Assim como nós, meros leitores, essa se torna uma espectadora, com o simples e único objetivo de relatar o que está vendo. Sentimos falta da relação estreita que tivemos até então, afinal, a narradora é o grande diferencial.

Em contrapartida, ainda que a leitura se torne mais lenta, isso significa que a partir desse momento o livro deixa de ser o relato de uma amizade, no caso entre Carina e Bill (dois personagens muito bem estruturados por sinal), e passa a ser o relato de aventuras e batalhas, algumas até mesmo sangrentas. Afinal, é um livro juvenil e de fantasia, e isso que o leitor espera. Nessa parte é também onde conhecemos inúmeros personagens, mas que infelizmente ganham sua importância sem determinado tipo introdução.

A edição de O Poder Visor é relativamente simples, e não dá para negar que existem alguns pontos que prejudicam a qualidade técnica, como a revisão. Mas, em sua totalidade, o livro de estreia de Naiane possui aventuras interessantes, que revelam a busca para que o bem vença o mal, e situações pouco inovadoras, porém capazes de agradar. Principalmente quando os leitores chegarem à última página e terem a certeza de que devemos acreditar em nós mesmos, porque isso será fundamental. Se não é uma história de moral, como citado pela narradora, é no mínimo uma aventura rápida e com uma mensagem importantíssima.

“O que mais me deixa intrigada é que tudo vai mudar... de novo! Não tive tempo de aproveitar essas mudanças atuais, e já partirei para outras. E, ao contrário do que os humanos pensam, o futuro não depende do presente. O presente é que depende do futuro. O Futuro tem planos, e gosta de segui-los da maneira que quer. O presente não tem escolha, o futuro é forte demais para alguém querer vencê-lo” (pág. 108).

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