Foto: Reprodução
Em eleição realizada na última quinta-feira, 07, a Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu o romancista Antônio Torres para ocupar a cadeira 23, fundada por Machado de Assis e que tem como patrono o romancista José de Alencar. Torres é o terceiro acadêmico eleito em 2013, sendo que os anteriores foram Fernando Henrique Cardoso e Rosiska Darcy de Oliveira.

Antônio Torres, que se candidatou a uma vaga na instituição pela terceira vez, ocupará a cadeira deixada por Luiz Paulo Horta, falecido no último dia 03 de agosto. Para se eleger, o escritor recebeu 34 dos 39 votos possíveis, sendo que dois votos foram em branco e houve ainda três abstenções. Curiosamente Torres recebeu a mesma quantidade de votos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, eleito no mês de junho.

O novo imortal da Academia Brasileira de Letras se tornou o primeiro romancista a ser eleito nos últimos dez anos – os últimos foram Moacyr Scliar, falecido em 2011, e Ana Maria Machado, atual presidente da instituição, ambos eleitos em 2003.

Logo após a eleição, Antônio Torres se pronunciou e disse que os acadêmicos “fizeram sorrir uma velha criança”. “Me sinto feliz por sentar na cadeira que foi de Jorge Amado, um dos escritores que mais me apoiaram no começo da carreira, e também de Machado de Assis, de quem sempre fui leitor. Estou em estado de graça, isso é resultado de uma longa estrada”, completou.

Antônio Torres, que iniciou sua carreira literária em 1972, nasceu na atual cidade de Sátiro Dias, no interior da Bahia, em 13 de setembro de 1940. Ainda muito jovem se mudou para a capital baiana, onde trabalhou como repórter antes de se mudar para São Paulo e trabalhar no jornal Última Hora. Quando publicou seu primeiro livro, Um Cão Uivando Para a Lua, foi considerado como a grande revelação da literatura. Sua principal obra, Essa Terra, foi publicada em 1976.

Ao longo de sua carreira, Torres já publicou mais de dez livros e foi condecorado com inúmeros prêmios literários, incluindo o Prêmio Jabuti de 2007, pelo livro Pelo Fundo da Agulha, e o Prêmio Machado de Assis em 2000, pelo conjunto de sua obra. Além disso, o escritor baiano foi condecorado pelo governo francês com o Chevalier des Arts et des Lettres, pelos livros publicados no país europeu. Além da França, o escritor ainda possui livros publicados em inúmeros países, como Cuba, Argentina, Alemanha, Itália, Inglaterra, Portugal, entre outros. Em Portugal foi publicado pela editora Saída de Emergência, que acaba de chegar ao Brasil em parceria com o grupo Sextante.

O novo imortal da Academia Brasileira de Letras tomará posse em até 60 dias. Ele será o oitavo acadêmico a ocupar a cadeira 23, que já teve como ocupante, além de Machado de Assis e Luiz Paulo Horta, os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai.

Deixe um comentário