"Unidade repressora oficial. A censura, única entidade que ninguém censura. Hora pra dormir, hora pra pensar, porr* meu papai, deixe-me falar (...) Contra a nossa arte está a censura, abaixo à postura, viva a ditadura! Jardel com travesti, censor com bisturi, corta toda a música que você não vai ouvir (...) Nada para ouvir, nada para ler, nada para mim, nada pra você. Unidade repressora oficial, unidade repressora oficial" - Censura, Plebe Rude (em Nunca fomos tão brasileiros, 1987).

Sob o lema "Contra a censura, pela cultura", nota-se na foto
algumas mulheres marchando em luta na Ditadura Militar
Nada assusta mais às salas de aula dos professores que tiveram alguma experiência com o negro passado da nossa história. Nada assusta mais às redações de jornais de grande circulação ou do interior, quando uma informação é "barrada" por alguém que "não quer se manifestar" sobre algum assunto, inclusive em meio ao funcionalismo público.
A história do Brasil é muito recente, e a dos seus veículos de informações e educação também o são. Passando nas mãos de uma Coroa que apenas tinha interesse nas terras tupiniquins e depois abandonados à mercê da Igreja ou de outros aproveitadores tivemos uma história de obediência e submissão.
Com a chegada do golpe militar, obviamente todos os veículos de circulação, de cunho social e humano, foram barrados para se tornar servos do Governo. Capas de grandes jornais ofereciam receitas de bolo no lugar de um crime, assalto ou morte totalmente noticiáveis e de igual proporção, mas que teriam o carimbo da censura.
A censura é um crime humano, que barra a história e massacra o futuro.

Inúmeros jornais e revistas do Brasil publicaram editoriais, artigos e opiniões sobre a censura requerida pelos artistas, através de um projeto de lei que se encontra em análise, para ser aceitável ou não em biografias. Em caso favorável, as biografias seriam sujeitas ao que as famílias ou ao que os próprios artistas quisessem ou julgassem ser "útil" para a história.

Os ex-censurados proibindo informações,
fazem a mesma censura que sofriam
nos anos 60 pelas garras fardadas
O site da revista CartaCapital através da pergunta "O que você acha da campanha de artistas como Roberto Carlos e Chico Buarque para barrar a publicação de biografias não autorizadas no Brasil", aberta entre os dias 18 e 25 de outubro, com a resposta de 4.918 internautas, obteve a resposta da maioria (um total de 3.306 votos, 67% dos que participaram), de que os artistas estariam "equivocados". "Segundo eles, para preservar suas próprias histórias, Chico e companhia poderiam abrir precedentes para a censura de publicações relevantes para o interesse público, e não apenas para os fãs", salienta o artigo assinado pela Redação. Os outros 33% (1.612 leitores), disseram que os artistas estariam certos: "para eles, os biografados têm o direito de manter a sua privacidade e de questionar supostas inverdades sobre suas vidas, o que nem sempre é respeitado por autores e editoras".
Um fato inquestionável: artistas querem barrar o direito de se "publicar verdades" sobre suas vidas porque algum ponto pode os difamar ao longo da história. Artistas da companhia de Roberto Carlos e Chico Buarque, que tanto lutaram pelo direito de se ter voz em um tempo que ninguém tinha vez. Pessoas brilhantes que foram exiladas (para não serem torturadas, como tantos outros da frente da batalha), estão fazendo o mesmo que seus opressores do passado: censurando o futuro.
Pessoalmente creio que barrar ou chamar para uma conversa para se "analisar o que foi escrito" (como, em outras palavras, sugere o "rei" Roberto Carlos), não é a solução. Censurar é crime e vai contra os direitos de um Estado livre ou democrático. Claro que as biografias devem conter uma informação factual, e em caso contrário, de um argumento ou informação escrita que não consiga ser provada como verdadeira, o biógrafo deve responder à Justiça, ai sim, o errado será o escritor, que estará "mentindo" sobre o biografado, e não o contrário, onde deveria dizer "verdades" que nem sempre são relevantes.

Ironicamente, a música escolhida para que este artigo fosse desenvolvido será do tão brilhante Caetano Veloso (que até um tempo atrás, apoiou o movimento Black Bloch que conta com ideais anárquicos, logo, que não devemos responder ao Estado ou suas representações capitalistas).
É proibido proibir, é apresentada pela primeira vez no 3º Festival Internacional da Canção (FIC), promovido pela Rede Globo. Subindo ao palco acompanhado dos Mutantes, Caetano defendeu os versos ásperos e tropicálicos de "é proibido proibir", na noite de 15 de setembro de 68. Caetano ao fim da música foi recebido com calorosas vaias do público.
O artista, em roupas de plástico e colares coloridos, com uma dança que simulava o ato sexual, foi recebido de costas pelo público. Os Mutantes, provocativos, tocaram de costas para os mesmos, e neste festival de birras e ideologias estava montada a provocação contra o não da censura. (mais informações, em tropicália.com).


A censura
É o uso pelo Estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a circulação de informação. A censura criminaliza certas ações de comunicação, ou a própria tentativa de exercer essa comunicação. No sentido moderno, a censura consiste em qualquer tentativa de suprimir informação, opiniões e até formas de expressão, como certas manifestações de arte.
O propósito da censura está na manutenção do status quo (manter como está, apoiado geralmente pela Direita conservadora), evitando alterações de pensamento num determinado grupo e a consequente vontade de mudança. A censura procura também evitar que certos conflitos e discussões se estabeleçam.

A censura verde-amarela
Para não fechar, inúmeros jornais
foram obrigados à colocar receitas e informações
irrelevantes, para não atacar o Estado
A história do Brasil com a censura, está acompanhada desde a coroa portuguesa, no período colonial, no período monárquico e na velha república. Após todas as manifestações de se barrar a informação, o regime militar, através do Ato Inconstitucional 5 (AI-5). O maior exemplo de contra censura relembrado por diversas gerações é a música Cálice, cuja letra é de Chico Buarque ("Pai afasta de mim este cálice, de vinho tinto de sangue (...), como beber desta bebida amarga, tragar a dor engolir a labuta, mesmo calada a boca resta o peito, silêncio na cidade não se escuta", onde a palavra cálice, retoma o sentido de "cale-se", do verbo calar).
Além de Caetano Veloso e Chico Buarque, Elis Regina, Geraldo Vandré, Gilberto Gil (que estava presente na apresentação de É proibido proibir), Milton Nascimento, Plínio Marcos, Raul Seixas, Taiguara, Toquinho, Odair José, Torquato Neto, Zé Kéti e Gonzaguinha, foram barrados na Ditadura e censurados nos anos de farda.

A censura em outras manifestações
Como dito, além da música e da arte, a censura pode ser mostrada em informações relacionadas ao meio político (ações políticas, intervenções sociais e relações policiais e econômicas), ou religiosas e institucionais.
A censura também se apresenta em informações barradas na internet. Em 2006, a organização Repórteres sem Fronteiras, publicou uma lista com "os treze inimigos da internet" (nome muito pejorativo para tratar da terra de ninguém).
Arábia Saudita, Bielorrússia, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Irã, Burma, Síria, Tunísia, Turcomenistão, Uzbequistão e Vietnã incorporam os treze inimigos, não que o resto do mundo não seja barrado por informações que apenas interessam às grandes empresas (que muitas vezes se localizam em países de economia de forte capital).

Liberdade de imprensa
A liberdade de imprensa (utopia para muitos lugares do globo), está totalmente relacionada à censura por parte de instituições governamentais e ordens estatais.
Em 1º de novembro, a revista Superinteressante publicou em seu site uma imagem com o mapeamento de liberdade de imprensa nos quatro cantos do globo. Os lugares mais claros (brancos), e os lugares mais escuros (que passam de amarelo, laranja e vermelho, para o preto), demonstram os graus de censura.

Eduardo Rezende - Tenho 17 invernos de vida, sou jornalista, idealizador de um "Grupo de Debates", membro da "Casa do Escritor Pinhalense Edgard Cavalheiro", gosto muito da música popular brasileira, do nosso rock nacional, e de livros e café que aconcheguem e combinem. Fiz trabalho voluntário em Sala de Leitura e Estudo/Biblioteca, apaixonado por estudo de religiões, sociedade e simbolismos.

4 Comentários

  1. Gabriela Costa e Silva3 de novembro de 2013 22:30

    Liberdade de expressão já! A censura, em vários aspectos, priva boa parte da população de obter conhecimento que com certeza seja necessário.
    Fiquei impressionada com esse mapeamento, não pensava que a situação era tão ruim! =O

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  2. Maria Silvana ♪♫♪♫♫♪4 de novembro de 2013 02:03

    Oiee =)
    essa á segunda conversa acida que leio, rsrs, ri aqui alto ao ler a pergunta de como faz xixi, shauhsuahsuahas

    Beliscões carinhosos da Máh ♥

    Cantinho da Máh

    @Maaria_Silvana

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  3. Gabriela Costa e Silva5 de novembro de 2013 07:36

    Nossaaaaaa, ri demais aqui!
    Gostei, não conhecia essa "conversa ácida", legal.

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  4. Achei esse encontro surpreendente e muito divertido. Adoro esse humor mais ácido, mais sarcástico. Gostei bastante mesmo. Só espero que role esse novo encontro mesmo.

    @_Dom_Dom

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