Som, Fúria, Silêncio e Palavras
Texto: Alexandre Cruz
Direção: Alexandre Cruz
Duração: 75 minutos
Gênero: Drama
Apresentação: 05 de novembro de 2013

O título de uma peça teatral pode ser fundamental para despertar o interesse do público, e foi exatamente o que aconteceu com Som, Fúria, Silêncio e Palavras, representante de Amparo na fase regional do Mapa Cultural Paulista. Imagine então a surpresa ao descobrir que a peça na verdade era baseada em Hamlet, uma das obras shakespearianas de maior importância.

A peça da Cia. Arteatrando se passa no castelo de Elsinor, na Dinamarca, onde após a morte de seu pai, o jovem Príncipe Hamlet (Luiz Leopoldi) tenta se vingar do seu tio, Cláudius, que envenenou o verdadeiro Rei e se casou com sua esposa, a Rainha Gertrudes. Ao longo de toda trama, além da vingança e dos dilemas de Hamlet, nos deparamos com a raiva, a traição e a disputa pelo poder, apresentados com a mistura de som, fúria, silêncio e palavras.
O fato de conhecer apenas superficialmente a obra de um dos maiores escritores da história pode ter contribuído para que Som, Fúria, Silêncio e Palavras não tenha agradado totalmente. Mas se em alguns momentos a história se tornou confusa, diria devido às adaptações necessárias para essa produção, em outros somos surpreendidos por situações intensas que só encontraríamos em uma história de William Shakespeare.

Tudo o que o envolve a história de Hamlet possui sua singularidade, por isso que determinadas situações, como a loucura, por exemplo, contribuem para que outras coisas se destaquem. Nesse caso as atuações de Luiz Leopoldi e principalmente da bela Isabela Rossi, que interpreta a personagem Ofélia, dão um toque especial para a história. Podemos dizer até que ambos impedem que a peça se torne monótona mesmo quando certas cenas se estendem mais do que deveriam.

Mas além da carga dramática que cada personagem exige de seu ator, o que está muito bem feito por sinal, todos usam o corpo, sobretudo as mãos, para passar algum tipo de sensação, o que obviamente possui um charme diferente. Em compensação, nem mesmo a boa atuação de todos os atores, sem exceção, consegue mostrar ao público o que alguns dos personagens realmente querem passar – o que pode ser o causador da confusão citada no início.
Apesar desse detalhe, que de forma alguma tira o brilho das atuações, a peça consegue se destacar principalmente pela qualidade técnica. Deixando o enredo de lado, encontramos um ótimo figurino, que preza pelo luxo; o uso de músicas clássicas, que servem para causar um clima diferenciado e às vezes sombrio; o afiado e inesperado humor; e até mesmo as cenas marcantes – ainda que seja impossível destacar a famosa cena de Hamlet com a caveira, já que aparentemente essa foi modificada e não está com a grandeza que merecia.

Sendo assim, dá para dizer que quem está acostumado com a obra de Shakespeare irá aproveitar a peça mais do que os outros espectadores. Apesar disso, Som, Fúria, Silêncio e Palavras possui o seu tom sombrio e mistura símbolos e estilos para unir o contemporâneo com o clássico - e esse quesito a Cia. Arteatrando faz muito bem!

3 Comentários

  1. Gabriela Costa e Silva20 de novembro de 2013 11:25

    Achei bem interessante, não conheço muito sobre Hamlet, mas apesar de tudo, tive curiosidade em assistir...

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  2. Que pena que um conhecimento mais aprofundado de Hamlet fosse necessário para aproveitar melhor a peça. Quando li seu título, podia jurar que fosse algo mais filosófico do que, de fato, inspirado em uma das obras de Shakespeare. Só mostra como não devemos julgar uma peça pelo nome. rsrs
    Percebi que uma boa atuação e elementos físicos e técnicos não foram suficientes para que você, Rick, a aproveitasse em sua plenitude, o que é uma pena. Essas adaptações também, claramente, não funcionaram o que, na minha opinião, deveriam ser pensadas para todos os tipos de público: aqueles que tem uma noção de Shakespeare, os que não sabem de nada e os que sabem de tudo. Acho que em casos como esse, devem supor qualquer público e se fazer entender para todos.
    Não sei se seria uma boa opção para mim, já que sei apenas o básico sobre Hamlet, mas, se não tivesse lido sua review, provavelmente me arriscaria por pensar se tratar de um tema completamente diferente; como disse anteriormente, me baseando apenas no que o título tinha a oferecer.
    Pelo menos figurino e trilha sonora estavam caprichados e a própria atuação não deixou o espetáculo ainda mais difícil de se aproveitar. rs Adorei sua sinceridade! ;D


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  3. As peças de Shakespeare são sempre muito bem-vindas. De todas que li, até hoje, não consigo achar uma ruim. E, justamente por isso, acho que é extremamente complicado levar uma delas ao palco. Também pudera, a genialidade dos textos dele não são fáceis de por em cena. Uma pena que houve esses momentos confusos, mas o importante é que não interferiram na produção como um todo. Parabéns ao Cia. Arteatrando!

    @_Dom_Dom

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