Rápidas e Brejeiras
Texto: Christina Trevisan
Direção: Cristina Pacheco
Duração: 40 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 06 de novembro de 2013

Além de irmão de Aluísio Azevedo, o escritor maranhense Artur Azevedo marcou seu nome na história da literatura por participar da fundação da Academia Brasileira de Letras e principalmente por suas dezenas de peças teatrais e crônicas para jornais. Essa é a história que o Grupo de Teatro Reserva Cultural, de Bragança Paulista, transmite na série de esquetes apresentada em Rápidas e Brejeiras.

Baseada em crônicas publicadas no jornal O Século entre 1906 e 1908, e posteriormente no livro Teatro a Vapor, Rápidas e Brejeiras possui o tom leve constantemente encontrado no humor do início do século passado e diálogos rápidos que causam uma dinâmica interessante de se acompanhar. Dessa forma que o grupo conta, além de acontecimentos marcantes da época, a relação das famílias com o teatro e com as mudanças naturais de uma sociedade.
De todas as apresentações na fase regional do Mapa Cultural Paulista, Rápidas e Brejeiras é sem dúvida alguma a peça mais simples na união de todos os pontos. No entanto mais uma vez a simplicidade foi o que mais encantou, afinal, a peça é muito simpática desde a primeira cena, quando os atores surgem inesperadamente no palco e percebem serem os responsáveis pelo espetáculo.

Além de apresentar treze esquetes distintas que têm o intuito de entreter o público, a maneira como a peça é conduzida acaba transformando o trabalho humorístico em algo informativo e didático. Isso acontece porque existe a participação de um ou mais narradores entre cada esquete, mostrando o conceito do que está por vir. Dessa forma, além de contar a história do próprio Artur Azevedo, a peça leva o público ao Rio de Janeiro do século XX, mostrando não apenas o comportamento de homens e mulheres da época, como também as mudanças que a sociedade precisou se adequar.

Quando narradores deixam o palco, novos atores encenam as esquetes, que como citado, possuem o humor brejeiro da obra de Artur Azevedo. Mas como fazer humor é uma responsabilidade muito grande, é natural que em alguns momentos ele se perca, por isso encontramos esquetes hilárias e que causam a gargalhada, como também algumas em que isso simplesmente não acontece.
Nesse caso, o fato de inúmeros atores se revezarem na atuação de personagens de personalidades distintas pode ser o motivo da falta de humor em determinadas situações, já que aquele ator ou atriz não possui a cara do personagem. Isso não significa, por exemplo, que não tenha sido uma boa atuação, mas simplesmente que outra pessoa se adequaria melhor a isso, o que fica claro conforme os atores representam novos personagens e notamos o talento de cada um deles – que poderia ser explorado em variadas situações.

Se não bastasse a simpatia da peça em si, ela ainda ganha o público com o uso da interação, principalmente quando, para mostrar uma importante característica do teatro da época, convida uma pessoa da plateia para participar da cena. Esse é apenas um exemplo do que encontramos em uma peça de cenas rápidas e brejeiras, com bom humor e simpatia, com simplicidade e objetividade. São peças assim que mostram porque a comédia teatral consegue fisgar o público de forma natural, mesmo sem a existência da perfeição em seu próprio humor.

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