Independente de sua formação ou o quanto a literatura é importante para você, é quase certo de que em algum momento de sua vida você ouviu o nome de Cecília Meireles, mesmo sem saber de quem se tratava. Se isso é quase certo existe uma razão: a poetisa carioca é uma das mais importantes figuras da poesia de língua portuguesa.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 07 de novembro de 1901 no bairro da Tijuca, porém jamais conheceu o pai e conviveu poucos anos com a mãe, ambos açorianos. Seu pai, que exercia a função de bancário, faleceu poucos meses antes do nascimento da filha, enquanto a mãe, uma professora, morreu quando a futura poetisa tinha apenas três anos, sendo a avó materna a responsável pelos cuidados da pequena Cecília.

As primeiras aventuras da garota na poesia aconteceram ainda na infância, quando começou a escrever poesia aos nove anos. Menos de uma década depois, após se formar na escola, Cecília já publicava seu primeiro livro, intitulada Espectros (1919). A pequena obra, de apenas 17 sonetos, possuía algumas das características que se tornariam marcantes na poesia ceciliana, e mesmo vivendo em um momento que o modernismo ganhava sua força na literatura, era possível perceber a influência da poesia simbolista. O simbolismo que, por sinal, também era marcante na obra da poetisa.

Antes de publicar seu segundo livro, Criança, Meu Amor (1923), Cecília Meireles casou-se com o artista plástico Fernando Correia Dias, pai dos três filhos da poetisa (incluindo a atriz Maria Fernanda Meireles) e responsável pelas ilustrações de alguns dos livros da esposa. O casamento de Cecília e Fernando durou até 1935, quando ele se suicidou.

Além de sua importância para o cenário literário do Brasil, ela também ganhou reconhecimento em Portugal, terra natal do marido, onde participou de conferências e teve livros publicados, como é o caso do ensaio O Espírito Vitorioso (1935). Ainda no Brasil, escreveu para o Diário de Notícias, Jornal A Manhã e para a revista Observador Econômico, além de ministrar aulas em universidades.

Entre seus inúmeros livros, sempre bem aceitos pela crítica, alguns foram reconhecidos com importantes prêmios, como o livro Viagem (1939), que recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Já em 1940, Cecília Meireles casou-se com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Grillo.

Nos anos seguintes, além de suas inúmeras publicações, continuou a carreira de educadora e aposentou-se, em 1951, como diretora de escola. A partir de então, devido a sua influência que se espalhou pelo mundo, viajou por vários países onde participou de conferência representando a literatura brasileira.

Outro prêmio importante recebido por Cecília Meireles foi o Prêmio Jabuti de 1963, concedido a ela devido ao seu trabalho na tradução de Poemas de Israel, publicado no mesmo ano.

A escritora faleceu no Rio de Janeiro em 09 de novembro de 1964 e após sua morte continuou recebendo prêmios, sendo homenageada e tendo livros publicados. Um ano após a morte de Cecília, ela foi condecorada com o Prêmio Machado de Assis, também concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Obra essa de extremo reconhecimento.

A importância da poetisa para a literatura brasileira vai além das inúmeras publicações e dos versos que se tornaram eternos em seus livros. Cecília marcou seu nome na história também pelas características encontradas em suas poesias, que possuem influência de diversas escolas literárias e são marcadas pelo lirismo encontrado no sentimentalismo existente em cada um de nós. Lirismo esse considerado o mais importante da poesia moderna.

Sendo assim, é inegável o fato de Cecília Meireles ser eterna, o que faz dela uma Imortal da Literatura, merecedora de todas as homenagens e de todas as declamações de seus marcantes versos. Versos simples e também por isso inesquecíveis.

“Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos
para não saberes que havia caído...
No dia seguinte, estavas imóvel, na tua forma definitiva,
Modelada pela noite, pelas estrelas, pelas minhas mãos” – Cecília Meireles.

Cecília Meireles - 07/11/1901 - 09/11/1964

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