Ao iniciar uma carreira literária um escritor precisa ter algo em mente: não será fácil ganhar espaço no competitivo mercado editorial e, mais do que isso, é preciso de muito trabalho de divulgação para não ser apenas mais um. Esse era o pensamento desse escritor, que subiu degrau por degrau rumo a uma publicação por uma editora de qualidade. Isso aconteceu por ele manter os pés no chão e ter o desejo de proporcionar um material de qualidade aos leitores. Talvez o fato de Manoel Flor dos Santos ser uma pessoa simples do interior tenha lhe dado esse tipo de pensamento, que o levou a publicação do livro As Freiras que Só Ouvem Rock, e é devido ao lançamento desse livro que agora estamos De Olho Nele:
Foto: Reprodução/Facebook
Over Shock - Manoel, mais uma vez muito obrigado por firmar essa parceria e proporcionar a leitura de sua obra e essa entrevista, que tem como principal objetivo apresentá-lo, juntamente com o livro, aos leitores do blog Over Shock.
Antes de falar sobre vários assuntos relacionados à sua carreira literária, gostaria que você comentasse um pouco sobre o escritor Manoel Flor dos Santos.
Manoel Flor dos Santos - Eu, Manoel, sou uma pessoa simples, do interior, que acredita na literatura nacional. Sou cheio de ideias e a todo momento tenho a necessidade de colocá-las no papel.  Sou muito apegado à família e apaixonado por plantas.

Over Shock - Você costuma dizer que “para sermos grandes escritores devemos ser grandes leitores”, e sabemos que você tem o hábito da leitura desde a infância. Mas em que momento da sua vida você decidiu que queria publicar um livro? Sabendo das dificuldades que seriam encontradas, em algum momento você pensou em desistir ou adiar essa publicação?
Manoel - Sempre tive a vontade de publicar um livro em alguma oportunidade, mas nunca corri atrás afoito e desesperado. Mesmo se não conseguisse, talvez não me sentiria tão frustrado. Em primeiro plano, eu considero de suma importância o autor conseguir pôr sua obra no papel e ver seu trabalho finalizado, por isso não pensei em desistir ou adiar a publicação. Sei que o mercado editorial do país não se promove à literatura nacional e para quem está iniciando é ainda mais difícil. No entanto, a minha principal meta, era ver o trabalho realizado, feito por uma boa editora, com um trabalho editorial de qualidade. Ver o seu livro com uma bela capa e com uma boa diagramação é indescritível. Eu penso mais no conteúdo final da obra, ao invés de números de vendas.

Over Shock - Antes de publicar “As Freiras que Só Ouvem Rock” pela editora Dracaena, você havia publicado a obra através do Clube dos Autores. Como foi essa experiência e que tipo de aprendizado você adquiriu com essa publicação?
Manoel - Publicar pelo Clube de Autores tem suas vantagens e desvantagens.  A primeira vantagem é que é totalmente gratuito; você é o dono supremo de sua obra e divulga da maneira que melhor lhe aprouver. Uma desvantagem é na busca de profissionais diferentes, como capistas, diagramadores, revisores... Isso requer um pouco de tempo, pois se não for dessa maneira a sua obra terá pouca integridade e qualidade ínfima. Já com uma editora profissional, você não necessita desse trabalho todo, considerando que ela possui todos os profissionais.

Over Shock - E como surgiu a oportunidade de publicar seu primeiro livro também pela editora Dracaena?
Manoel - A oportunidade chegou quando eu resolvi tirar o meu manuscrito da gaveta e enviar a uma editora para análise e no prazo de 35 dias obtive uma resposta. Conversei diretamente com o editor e aceitei a forma de publicação estabelecida pela editora.

Ed. Dracaena - 2013
Over Shock - Apesar de ser tão natural encontrarmos jovens de classe média cometendo crimes, poucas vezes encontramos essa realidade retratada em livros de ficção. De onde você tirou a ideia para a escrita dessa obra?
Manoel - A escrita do livro veio de uma forma tão inusitada e descompromissada, que nem pensei que ele pudesse causar o impacto desejado. Conforme fui escrevendo, percebi que além da trama criminal e de aventura, ele também pudesse ter um forte teor didático, com uma leitura leve e agradável, voltada ao público jovem.  Tive um pouco da influência dos fatos jornalísticos, que informavam crimes realizados apenas por jovens voltados ao mundo das drogas, do tráfico e que tinham a favela como o ambiente principal para cometer tais delitos. Por essa premissa, pensei comigo: Por que não falar sobre crimes de uma forma diferente e cometidos por aqueles que não abririam nenhum tipo de desconfiança?

Over Shock - Para você, quais são as principais diferenças, se é que elas existem, entre os jovens da época em que você era um estudante universitário e os jovens dos dias de hoje?
Manoel - Eu não tenho muito tempo de formação, então ainda não consigo ver alguma diferença significativa entre os jovens de minha época e os de hoje. Contudo, todos têm algo muito em comum; gostam de festas e diversão, iguais aos jovens do livro.

Over Shock - Em sua visão, a realidade do mercado editorial brasileiro está mudando ou ainda está longe de se assemelhar ao de grandes centros, como os Estados Unidos?
Manoel - Às vezes se tem a impressão de que o mercado realmente está tendo grandes mudanças. Porém, o que vejo, é um reconhecimento maior dos jovens leitores pelos autores brasileiros. Percebo também que os blogs literários estão com uma política mais forte de privilegiar os autores nacionais. Observo tantos autores brasileiros e suas parcerias, que isso me fornece um sentimento de alegria e de cumplicidade por ambas as partes. No entanto, quando entro numa livraria, poucos são os destaques dos nacionais.

Over Shock - Um dos assuntos mais comentados no meio literário nos últimos temos é sobre a Feira do Livro de Frankfurt, a maior feira literária do mundo e que nesse ano homenageou a literatura brasileira. O que você pensa sobre o assunto? Você acha que houve certo desprezo com os autores mais lidos e vendidos da nossa literatura, que acabaram não sendo convidados pelo governo do nosso país?
Manoel - É uma questão um pouco difícil essa, Ricardo, mas a minha opinião é que não teve certo desprezo com relação aos autores nacionais. Sabe-se que a literatura brasileira foi muito bem exposta, por meio de estandes e a presença de inúmeras editoras. O que deve ter havido foi uma forte questão política e que os autores que se destacam mundialmente (vou me referir aqui não só a autores brasileiros) se sentem com o ego ferido se não forem convidados ou com a presença de outros autores. Não parece uma questão puramente literária, mas de marketing.

Over Shock - Você já revelou em conversas anteriores, e também em outras entrevistas, que possui outras obras concluídas. O que você pode adiantar sobre seus futuros projetos?
Manoel - Pretendo publicá-los em breve. A única coisa que posso adiantar é que eles terão o mesmo teor dramático e surpreendente do primeiro livro.

Over Shock - Jogo Rápido:
As Freiras que Só Ouvem Rock: Um grande orgulho
Clube dos Autores: Inovação
Editora Dracaena: Consagração
Regina, Paula ou Clara: Irmãs inseparáveis
João Victor, Luís Fernando ou Jéferson: Muito mais que coadjuvantes
Juventude: o ápice da vida
Mercado Editorial: Tem seus altos e baixos
Manuel Flor dos Santos em 2023: Já na casa dos 40. rsrsrsrss
Objetivo na carreira literária: Ter as minhas obras expostas e ao conhecimento do público.
Blogs Literários: Aqueles que realmente tratem o autor nacional com o respeito merecido.

Over Shock - Mais uma vez muito obrigado, Manoel! Espero que você tenha gostado da entrevista e aproveito para desejar muito sucesso com a divulgação do seu trabalho. Para encerrar, deixo espaço para que você possa enviar uma mensagem aos leitores do blog Over Shock e a todos aqueles que acompanham o seu trabalho:
Manoel - Novas surpresas virão por aí, baby.

11 Comentários

  1. Não conhecia o escritor ainda, gostei da entrevista!!!!!!!!

    Sucesso Manoel!!!!!!!!!!!

    http://infinitoparticulardoslivros.blogspot.com.br/

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  2. Este livro me instigou muito ao seu final.
    Não sei explicar, mas algo me ficou extramente incógnito nisso tudo.
    Achei o filme fantástico, nada de muito inovador, mas fantástico. Confesso, que um cena especifica lágrimas rolaram.
    É um filme que merece ser assistido por tudo que é escritor e leitor, ele mostra um pouco do que é a arte de escrever e ler.


    Jônatas Amaral
    Blog alma Critica

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  3. Gabriela Costa e Silva19 de novembro de 2013 19:25

    As entrevistas daqui do blog são as melhores que já vi (e as únicas que paro pra ler, porque são bem feitas, hahaha)...
    Tô morrendo de vontade de ler esse livro, parece ser muito bom!

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  4. Fico feliz de saber que você gosta das entrevistas do blog, Gabriela. Fique de olho que em breve teremos novas entrevistas :D

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  5. ADOREI a entrevista, Ricardo!
    Tenho curiosidade de conhecer o livro do Manoel e quando vi que ele foi entrevistado, acessei o link para conferir suas respostas. Não me arrependi. O autor demonstrou ser centrado e objetivo, duas qualidades que admiro em qualquer pessoa. Senti ainda mais vontade de conhecer seu talento como escritor.
    Ainda, suas perguntas foram ótimas. Tinha curiosidade de saber quais eram as vantagens e desvantagens de publicar pelo Clube de Autores. Agora sei (rs). E a Dracaena é maravilhosa na qualidade gráfica. Tenho certeza de que o livro está tão lindo quanto o autor mencionou.
    Parabéns pela entrevista.


    Beijos! =*


    www.myqueenside.blogspot.com

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  6. Fico muito feliz que tenha gostado da entrevista, Francine. Acho interessante entrevistar escritores porque, como estou iniciando nesse meio, sempre tem algo interessante que acabo descobrindo. Por isso é bacana saber que uma escritora como você também se interessa pelo assunto e gosta do que foi falado.
    Em breve teremos novas entrevistas. Espero que você também goste :D


    Beijos,

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  7. Muito interessante a entrevista. É sempre bom conhecermos um pouco os autores dos livros que lemos. Uma das partes mais interessantes para mim é a parte que ele descreve a sua inspiração pra escrever sobre o livro As freiras que não ouvem rock, sempre fico curiosa pra saber como os autores tiram ideias para escrever suas obras. Fantástico, adorei!

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  8. Gostei bastante da entrevista. O Manoel me parece ser bem pé-no-chão, e isso é imprescindível para um autor conseguir entrar e se manter nesse mercado editorial brasileiro. Gostei bastante da abordagem que ele fez em "As Freiras que só Ouvem Rock", e espero que nos próximos livros, ele só venha a crescer.


    @_Dom_Dom

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  9. Gostei de conhecer o autor. A entrevista estava ótima. O autor parece ser bem centrado e criativo. espero que ele faça mais histórias incríveis. Beijos.

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  10. Meu Deus, logo na primeira resposta já senti como ele é humilde e simpático, deve ter sido muito bom falar com ele pessoalmente !! (inveja branca) E então ele fala que se importa com o resultado final do livro e não com o número de vendas e eu confirmo o que disse. Foi muito bom para mim ter a opinião de um escritor a respeito de seu mercado de trabalho. Não imaginei que tinha tanta diferença publicar pelo Clube dos Autores e por uma editora. 35 dias ? É muito tempo ! Eu ia pirar !
    Incrível o fato de que "As freiras que só ouvem rock" tenha sido escrito sem compromisso, sem uma ideia fixa e um fim na mente, e tenha dado tão certo !
    Provavelmente faz parte de ser jovem gostar de diversão, passe quantas gerações for, sempre vão ter isso em comum.
    Concordo que para o mercado editorial crescer não depende só da empresa, mas sim dos leitores também, que devem valorizar mais a literatura brasileira, que também tem livros bons.
    Não acompanhei as notícias da Feira do Livro de Frankfurt por isso não posso opinar, mas estou ansiosa pelos próximos livros dele ! (e nem li esse !)
    Adorei o jogo rápido e a mensagem haha

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  11. Gostei muito da entrevista e de conhecer mais esse autor! Tenho certeza que ele irá fazer sempre muito sucesso com seus livros, gostei muito dele!
    beijos ♥
    quemprecisadetvparaverbeyonce.blogspot.com.br

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