Creio que é difícil eu escrever um bom artigo sobre o ensino de uma matéria oposta a qual eu estudo (estou me formando em Letras). Contudo espero que minhas vivências como estagiário, pesquisas e colaborações construam um texto do qual você que está lendo a este artigo possa gostar. Do contrário podemos ir conversando nos comentários, como sempre faço.

O que posso dizer pela vivência com alunos de primeiro ano é que o ensino de Matemática é colocado em segundo plano ou como um pacote adicional. As metas do governo são tão voltadas para alfabetização (subentenda-se alfabetização ler e escrever em caixa alta. Ainda que possua alguns erros ortográficos, o que é trabalhado no segundo ano) que não há uma meta exata para o que se atingir no mundo dos números. Os alunos aprendem até onde dá e seguem em frente para nos próximos anos a disciplina ser ensinada de forma mais uniforme. Uma pena, visto que ele tem muito a oferecer e respeito isso (Matemática não passa por alterações como a língua portuguesa sofreu em 2009. Eu sei que 1 mais 1 é 2 hoje e ainda será amanhã). Com a Matemática os alunos aprendem muito sobre precisão. Não é a toa que ela é “a ciência” da área das Exatas.

A que isto se deve: segundo opiniões, a uma própria limitação que os próprios professores sofrem em lidar com uma área que foge um pouco da vertente. Estudo um pouco do processo pedagógico e ele não é muito preciso quando o assunto é ensinar Matemática.

A coisa realmente melhora? Creio que não. A Proposta Curricular do Estado de São Paulo fala sobre a Matemática servir às outras áreas (e o documento só tem duas páginas para falar sobre a disciplina. Algo que soa como desrespeitoso a meu ver). Algo meio equivocado visto que todas as disciplinas somam-se para os estudos (como pedir a um aluno ler um texto sobre a escravidão, buscar entendê-lo e calcular por quanto tempo os negros estiveram sob tais condições. Assim o aluno aprende sobre História, exercita sua habilidade em um cálculo e interpreta a informação e entende que 125 anos não são suficientes para desfazer 388 anos de uma visão do negro como ele se fosse um animal) e ao mesmo tempo, precisam ter as suas individualidades.

Como os professores trabalham o ensino de Matemática: de todas as formas possíveis de serem entendidos. Desde o desenho do número à noção de quantidade, passando pela imagem (“desenhem nove maçãs e depois façam um X em cinco. Contem quantas não tem o X”. Quem nunca ouviu algo parecido?) e mostrar a concepção que os números nos rodeiam. Datas, idades, números de casa e telefones, altura, peso, quantidade de objetos, etc.

A ideia não é ruim nos primeiros anos. O duro é que depois de um tempo, a Matemática vira “decoreba” e o aluno não sabe por que está fazendo. Só sabe que precisa fazer. É o que ocorre com equações de primeiro grau, plano cartesiano e funções. O estudante não encontra praticidade naquilo que estuda dentro e fora desta disciplina e daí a básica divagação do estudante: no que isso será útil em minha vida? O estudante não tem recursos para concluir que desde um troco a um valor excedente da taxa de juros ou a uma dosagem de remédio, os números permeiam seu cotidiano e são essenciais para uma vida segura. Não preciso ser um contador para calcular orçamentos mensais e qual o meu ganho mensal deduzindo uma falta no trabalho. Só preciso ter uma noção de qual operação executar. Algo que nem todo estudante realizando o Enem consegue entender.

Para encerrar, gostaria de colocar as palavras de Paulo Alexandre Rico Estevão que colaborou com a construção deste artigo:

“Talvez, a grande solução para o ensino da Matemática e das outras ciências, sejam exatas, humanas, biológicas, é retomar uma Educação Básica de cárater amplo, buscando estabelecer a relação dos alunos com o conhecimento, o prazer do aprender, o sentido filosófico do conhecer. E uma relação prazerosa entre pessoas e conhecimento.
Construir a sociedade do “SER” e não a do “TER”, buscar o saber e construir conhecimento à partir das sensações dos educandos deve ser o objetivo da Educação Básica. Essa relação deve permear o ensino da Matemática.”

Obrigado a todos(as).

Davi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera, Sopa de Letras, Amores (Im)Possíveis, Mentes Inquietas e Livre Para Voar todas da Andross Editora.
Contato: davi_paiv@hotmail.com

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