Em evento realizado em Espírito Santo do Pinhal na manhã de sábado, 23, a historiadora Sônia Maria de Freitas, doutora em História Social pela USP e autora de sete livros, participou do lançamento do livro Vida e Obra do Comendador Montenegro – Um Lousanense Visionário no Brasil, biografia do português João Elisario de Carvalho Montenegro (1824-1915), o Comendador Montenegro.

Organizado pelo UniPinhal e a Florestal Jequitibá, o evento ocorreu no prédio da Associação Cultural Antônio Benedicto Machado Florence (o antigo Casarão) e contou com a presença de autoridades, educadores, escritores e o público em geral. Durante todo o evento, que teve início com a apresentação musical do Coral Zequinha de Abreu, foi falado sobre a importância de Comendador Montenegro para Portugal, Brasil e principalmente Pinhal.

Nascido em Lousã, distrito de Coimbra, Comendador Montenegro chegou ao Brasil em 1867 e fundou em Espírito Santo do Pinhal a colônia Nova Louzã, no entanto ele marcou seu nome na história por possuir ideais a frente do seu tempo. Além de usar mão de obra livre e assalariada, quando o Brasil ainda vivia sob o regime da escravidão, Montenegro foi um dos responsáveis pela chegada da ferrovia à região de Nova Louzã, o que “barateou o custo do café, do transporte do café, de pessoas e de mercadorias”, explicou a historiadora em entrevista exclusiva.

Em relação ao motivo de pesquisar sobre a vida dessa importante figura, Sônia Maria de Freitas disse que descobriu a história de Comendador quando iniciou a pesquisa sobre os portugueses em São Paulo. “Percebi que a imigração portuguesa tinha sido muito pouco estudada”. “Como neta de portugueses, isso me incomodava bastante. Foi aí que comecei a estudar a imigração”, revelou. A historiadora ainda disse que sua pesquisa a trouxe para Espírito Santo do Pinhal, onde contou com o apoio de inúmeras pessoas e em 2011 organizou uma exposição sobre a vida do Comendador Montenegro.

Com o lançamento da obra, Sônia garante ter o sentimento de dever cumprido por estar “devolvendo pra cidade a sua memória e sua história”. Além disso, a historiadora revelou que continuará estudando a imigração da Lousã para o Brasil e que talvez esse seja seu projeto em nível de pós-doutorado.

Por fim, ao ser questionada sobre a polêmica em meio as publicações de biografias, Sônia disse ser “totalmente contra qualquer proibição”, pois “todo mundo tem uma curiosidade, uma necessidade de saber um pouco da história de pessoas que deram certo”. Ela ainda disse acreditar que o Supremo Tribunal Federal dará “um parecer favorável para que seja liberada a publicação das biografias”.

Ainda durante o evento, que contou com um coquetel e a declamação de poesias, Sônia Maria de Freitas pediu que todos lutassem para preservar a memória do Comendador Montenegro, assim como de seu túmulo. Ela ainda se declarou pinhalense de coração.

O livro Vida e Obra do Comendador Montenegro será lançado em Lousã, terra do Comendador Montenegro, no próximo mês de abril.

3 Comentários

  1. Olá, Ricardo.
    Não curto muito biografias, isso é um hábito a ser mudado, é claro! Mas hábitos são hábitos e sempre que vejo uma obra desse tipo torço o nariz. Mas vou tentar mudar essa minha concepção, quem essa não é a primeira biografia que levo a sério?
    Beijos.
    http://memorias-de-leitura.blogspot.com

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  2. Ah, eu vi o pessoal comentando no twitter que era aniversário e tal, mas não tinha entendido muito bem :P USHUHAUSH Ainda não li o livro do Renato, nem conhecia, mas agora estou bem curiosa!
    A sinopse de Presas é no mínimo instigante, fala sério!

    Brunna Carolinne - My Favorite Book - @MFBook
    myfavoritebook-mfb.blogspot.com.br

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  3. Conhecia apenas o "Terras Metálicas", mas até que achei esse "Presas - A Dádiva da Escuridão" bem interessante. São bem o estilo que gosto de ler. Quem sabem em breve, né?!?!


    @_Dom_Dom

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