O Dom, James Patterson e Ned Rust, tradução de Ana Paula Corradini, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 288 páginas.
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Se existe algo que faz de James Patterson um autor excepcional é a maneira como ele consegue estruturar uma história de forma impecável. Pelo menos na maioria de seus livros, Patterson não deixa escapar nenhum detalhe, até por isso é difícil encontrar algo a que criticar. Infelizmente, ao menos em O Dom, isso não acontece.

Na continuação do polêmico Bruxos e Bruxas, os irmãos Whit e Wist Allgood continuam lutando com todas as forças contra o temido O Único Que É O Único. Em meio a todo o caos, os irmãos Allgood conseguem encontrar um momento de tranquilidade e, devido aos últimos acontecimentos, conhecem novas pessoas que podem trazer certo alívio. No entanto, O Único está disposto a tudo para conquistar o dom de Wisty e para isso não irá poupar esforços.

“Olho para o horizonte, além dos limites dessa cidade acabada, e para os morros amarelados. Vejo bombardeiros passando ao longe, seus rastros ficando cor-de-rosa à luz do sol que se põe. Será que o mundo virou de cabeça para baixo? Que tudo que era normal ontem está extinto hoje? Ou esse papo da Célia está me deixando totalmente louco e me transformando num poeta obcecado pela morte?” (pág. 79).

Não dá para dizer que O Dom foi uma decepção, mas diferente de outros livros de James Patterson, esse sofre em alguns momentos que não estamos acostumados. A primeira parte, única com tais falhas, não possui as mesmas situações empolgantes que encontramos no livro anterior, e podemos dizer até mesmo que não possui importância para o enredo.

Além disso, o início possui uma leitura lenta, o que é incomum para obras de capítulos curtos e escritos de forma tão agradável. Em alguns momentos é possível se ver questionando se era de fato necessária uma continuação para Bruxos e Bruxas, evitando assim um livro que aparenta ser descartável. Mas felizmente mudamos de ideia quando o livro passa a pegar fogo, literalmente.

Quando isso acontece, o livro volta ao normal, com a mesma intensidade que encontramos anteriormente. Isso contribui também para que a série ganhe corpo e características singulares, que dão um toque diferente, sobretudo se comparada a outras distopias. A partir de então se torna impossível e dispensável as críticas de que há uma mistura de inúmeras outras séries.

Se isso acontece existe um único e claro motivo: a maneira como Patterson e o coautor Ned Rust (que não é o coautor do livro anterior) viajam nas situações que acompanham a obra, ou seja, os tipos de magia e até mesmo as demais situações vivenciadas pelos protagonistas. Nesse caso, os autores se superam e colocam nas páginas do livro tudo o que poderia ser humanamente impossível – ainda se tratando de uma obra de fantasia.

O interessante é que para ocorrer uma grande evolução ao longo das páginas, acompanhamos personagens bem construídos e de grande importância. Algumas personagens ganharam voz no segundo livro e deixaram de ser coadjuvantes e se tornaram essenciais, como Byron, por exemplo. Em compensação, determinadas personagens aparentam não ter tanta importância como o imaginado, mas isso muda aos poucos, para alegria de todos.

Sendo assim, O Dom pode não ser tão bom quanto o livro anterior, mas felizmente possui uma evolução e se torna um bom livro para o público infanto-juvenil. Talvez tenha como problema, além da monotonia inicial, a excessiva briga de gato e rato que impede uma exploração maior de alguns fatos, mas que ainda assim consegue mostrar que às vezes é preciso lutar fora de nossa zona de conforto. Só assim conseguiremos conquistar um bem maior – que esperamos continuar em The Fire.

“O silêncio cai sobre a multidão, mas ainda não acabamos. Vejo Wisty encarando a pilha de livros. Ela fecha os olhos e sussurra alguma coisa. Ouço só um pedacinho, “beija a alegria enquanto ela voa”, e as páginas dos livros começam a se mexer para cima e para baixo. Quase como se estivessem respirando... vivas.
As capas começam a bater... como asas.
Eles estão voando! Os livros estão voando!” (pág. 212).

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Resenhas da Série Bruxos e Bruxas

10 Comentários

  1. Apesar de ter o e-book de Bruxos e Bruxas e querer conhecer novas séries do James, por ter lido uma grande onda de críticas negativas quanto à essa saga, fico na dúvida se devo iniciar a leitura. Sinceramente, magia nunca me interessou/interessa - mesmo que falem bem de HP - e Bruxos e Bruxas parece ser bem fantasioso. Bem, estou ansioso mesmo é por Maximum Ride. Talvez BeB eu deixe passar.

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  2. Tenho muita vontade de ler algo do James, mas nunca tive a oportunidade haha. Ouço tantas coisas positivas dele! :)
    Beijos

    http://0kay0kay.blogspot.com.br

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  3. Não li o primeiro, e tenho medo de ler resenhas de continuações, aí só li o começo da sua. rs
    Quero muito lê-los, adoro histórias que envolvem bruxos.
    E só de saber que o autor não deixa nenhum detalhe passar, fico mais empolgada!


    Beijos,
    www.livrosqueinspiram.blogspot.com.br

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  4. Essa é uma das séries que mais divide opiniões da blogosfera literária. Vi inúmeras resenhas metendo o pau, como também vi resenhas declarando amores à ela. O que posso dizer é que, independente de ser boa ou ruim, irei ler, pois além de ser do James Patterson, tem a questão de gostar bastante de distopias com muita magia, ação e aventura. Sabendo que o início desse segundo volume é mais lento, já vou preparado sabendo que depois, a perada melhora.


    @_Dom_Dom

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  5. Joshua, a série de fato não é perfeita, mas é uma leitura bem agradável, como todos os livros do Patterson. De qualquer forma, preciso concordar com você: estou muito mais ansioso por Maximum. Só espero que a NC pare de enrolar (ah, claro, que você dê ao menos uma chance a esse livro. Pense nas características de distopia :p).
    Abraços!

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  6. Oi Ricardo! Li o primeiro e não achei bom, ai resolvi nem pedir a continuação, e acho que fiz bem. Pois se tu que gostou do primeiro, não curtiu muito O Dom, imagina eu que achei Bruxos e Bruxas beeeem regular?! hehe. Uma pena, pois eu estava com expectativas enormes com essa série.

    Um abraço
    Lara - Magia Literária

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  7. Apesar do meu interesse em ler as obras do Patterson, receio que a série Bruxos e Bruxas será minha primeira experiência com ele. A maioria das opiniões que tenho encontrado são bem negativas, então minha perspectiva sobre a leitura já está bem danificada. No entanto, são resenhas como a sua, Rick, que fazem o contrabalanço e me dão certa esperança de que o que vou encontrar lá pode não ser algo tão bom quanto os outros livros do autor, mas que, ainda assim, existem pontos positivos a serem observados e apreciados.
    Sei o quanto você gosta do "homem que nunca dorme" rs E talvez seja por isso que me sinto tão confiante em começar a leitura das obras dele por essa série, porque você já me alertou sobre os aspectos que tem sido um "empecilho" para cair no gosto das pessoas. rs
    Adorei a resenha e espero ter uma boa experiência com Patterson, apesar de tudo. Acho que já estou muito bem equipada para começar. rsrs


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  8. Apesar de ser um grande fã da obra do James Patterson, preciso dizer que essa série não deve servir para você decidir sua opinião sobre o autor. Apesar de Patterson ser versátil e se sair bem em muitos gêneros, é preciso estar acostumado com seu estilo literário e principalmente saber o público alvo de um obra para não se decepcionar.
    Justamente por gostar tanto da escrita do "homem que nunca dorme" (kkkkk) que recomendo que você leia essa série, mas já com a cabeça em outra obra, de preferência nas aventuras de Alex Cross ou ainda em "O Diário de Suzana para Nicolas", um dos favoritos desse ano :D


    Beijos, Vê!

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  9. Gabriela Costa e Silva17 de novembro de 2013 23:12

    Eu já li muitos livros do James Patterson, e sou muito fã das obras dele.
    Ainda não li Bruxos e Bruxas, mas quero muito acompanhar a série. "O Dom" é um livro que, pelo que vejo em vários blogs, tem recebido bastantes críticas, mas ainda assim me interesso muito!

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  10. Gabriela, acredito que o principal problema dessa série tenha sido o fato de todos conhecerem o Patterson por suas obras policiais. Quem sabe que ele é um autor versátil pode não ver tanto o lado negativo :x Aliás, espero que você goste :D

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