Metamorfose?, Gail Carriger, tradução de Flávia Carneiro Anderson, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Valentina, 2013, 320 páginas.
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Não dá para negar que Alma?, primeiro volume da série O Protetorado da Sombrinha, foi uma das grandes surpresas do ano, e, também por isso, a segunda aventura de Alexia Tarabotti era aguardada com certa ansiedade. Felizmente somos recompensados com uma nova obra surpreendente e por isso impecável.

Assim como aconteceu anteriormente, Alexia Tarabotti está em meio a um mistério que está abalando a comunidade sobrenatural de Londres. Por algum motivo que todos desconhecem, esses seres estão perdendo seus poderes, como se algo estivesse causando o mesmo efeito do toque de um preternatural como Alexia. Devido a toda influência da protagonista ela pode ser fundamental para solucionar esse intrigante problema, e para isso está disposta a tudo. Até mesmo ir para a Escócia em um dirigível e se encontrar com os estranhos homens vestindo kilts...

“A esposa estava deitada de lado e os pelos do peito do marido lhe faziam cócegas na parte posterior das pernas. O conde ia levantando a camisola da esposa à medida que prosseguia. Deu um beijo logo abaixo de um dos joelhos dela, o que a levou a mover a perna abruptamente. Os pelos do rosto lhe faziam cócegas de um jeito desconfortável” (pág. 130).
Seria fácil listar os motivos de uma série com vampiros e lobisomens ter se tornado tão especial para um leitor que acreditava ser impossível algum autor conseguir inovar e surpreender com o uso desses elementos. Mas basta dizer que a escrita de Gail Carriger, com seu humor afiado e as descrições de uma época distante, consegue colocar o leitor dentro da história e consequentemente levá-lo para a Era Vitoriana.

Ao escrever o steampunk Metamorfose?, Carriger usa sua criatividade para unir mistérios sobrenaturais com a ciência e os avanços tecnológicos comuns nesse subgênero. Além disso ela brilha ao descrever com maestria a sociedade da época, bem como seus costumes, suas vestimentas e até mesmo os conflitos naturais entre países – nesse caso, países de um mesmo reino. Mas ela também consegue transformar um capítulo perdido em um extremamente importante.

Isso acontece principalmente no início, quando estamos nos adequando ao que está acontecendo aos seres sobrenaturais. Para que tudo aconteça de forma aceitável, a autora nos apresenta novos e importantes personagens, como a excepcional Madame Lefoux, ou dá um destaque maior para outros já conhecidos, ao mesmo tempo em que apresenta situações que podem ser fundamentais para o desfecho.

Ainda que seja narrado em terceira pessoa, a maneira como as situações são colocadas contribui para que o leitor consiga desvendar os mistérios, apesar do livro não ter esse objetivo. O engraçado é notar que tudo aponta para um possível causador do caos e exatamente por isso passamos a desconfiar do clichê, o que seria natural. Mas quem disse que Gail Carriger fica satisfeita em enganar o leitor? Ela precisa enganar e ainda assim surpreender com algo fora do comum.

Dá para dizer que o desfecho foi uma surpresa por tudo fugir do óbvio, ou seja, as características do steampunk são deixadas de lado para que seja possível se aproveitar do universo criado para a série. Assim, quando pensamos já saber a verdade, somos surpreendidos da mesma forma que acontece quando as verdadeiras personalidades são reveladas.

Seja pelo mistério, pelos personagens tão bem estruturados ou pela narrativa encantadora, Metamorfose? possui exatamente o esperado em uma sequência. Com uma surpresa atrás da outra, e tudo combinado perfeitamente com a apaixonante Alexia Tarabotti, o livro deixa o leitor sem reação em inúmeros momentos. O único problema é quando chegamos ao final e sentimos a necessidade de mais, até porque não é possível que o livro tenha terminado dessa forma... Não é possível!

“Lady Maccon ficou pendurada, as costas contra a lateral do dirigível. Com muito cuidado, ela se virou, e, agarrando a roupa, foi escalando o próprio corpo, em busca do aguilhão de metal, até poder envolvê-lo com os braços. Pensou que era provavelmente a primeira e última vez na sua vida que tinha um bom motivo para valorizar a moda ridícula que a sociedade impunha ao sexo feminino” (pág. 150).

11 Comentários

  1. Confesso que o nome da série me fez rir, O Protetorado da Sombrinha, porém nunca ouvi falar antes da autora e nem do estilo, steampunk.

    Horrível essa sensação de não crer que o livro realmente acabou, não é? Daí ainda tem uns vinte casos para serem desenrolados e só tem quinze páginas pro autor desenrolar tudo. Daí a gente começa a sentir que vai ficar na mão e que pelo menos não nessa edição a gente vai ver tudo concluído.

    No mais, parabéns pela resenha.

    oepitafio.blogspot.com.br

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  2. Elder, acho que é possível dizer que tive a mesma reação que você. Depois percebi que o título é a cara da autora rsrs
    De fato essa sensação é horrível, principalmente quando acontece como nesse caso, em que uma situação "complicada" é revelada e o leitor precisa saber como a personagem vai lidar com isso. Espero que o próximo livro não demore a sair.
    Obrigado por seu comentário. Espero que tenha a oportunidade de ler a série.
    Abraços!

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  3. Oi Ricardo!
    Eu realmente pretendo ler essa série, mas essa capa é horrenda! :x
    Se eu realmente fosse como muitos leitores que comprar um livro pela capa, com toda certeza descartaria a hipótese de ler esta série.
    Bem, focando na sua opinião, pude perceber que você realmente curtiu a leitura e que a mesma supriu suas expectativas. Amo quando isso acontece, até porque dificilmente um livro me surpreende ou é exatamente o que eu esperava.
    A história em si parece ser muito boa. E só o fato que você comentou sobre a autora ter inovado em muitos aspectos que, até então, pareciam impossíveis, já ganhou pontos extras comigo.
    Espero não me decepcionar.
    Parabéns pela resenha!
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  4. Gabriela Costa e Silva19 de novembro de 2013 19:35

    Também não curto muito as capas dessa série, mas os livros em si me chamam muito a atenção...
    Gostei demais da resenha, só me deixou com mais vontade de ler!

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  5. Não sei muito bem o motivo, quando uma coisa aconteceu e levou a outra, mas não fui com a cara dos livros, não tenho interesse na leitura, isso tudo apesar de ter achado a trama genial e tal. É aquela velha história de faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Sou muito contraditória.
    http://memorias-de-leitura.blogspot.com

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  6. Olá, Leandro.
    Você já viu a capa original? Não lembro de ter visto capas mais poluídas do que aquelas. Felizmente a Valentina deixou um pouco mais limpa.
    Deixando isso de lado, realmente gostei muito da continuação da série, bem como, mais uma vez, da escrita da autora. Só não gostei do final e da espera pelo próximo livro :/ Isso é angustiante kkk
    Se você tiver a chance de ler, espero que você goste.


    Abraços e obrigado por seu comentário.

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  7. Quero muito ler a continuação de "Alma?", pois parece ser fantástica, ainda mais que fica difícil não simpatizar com a Alexia, seu humor afiado, e esse steampunk inovador e atraente. Eu estou com grandes expectativas quanto a esse livro, e espero ter em mãos o quanto antes!

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  8. Realmente, Joshua, a continuação é fantástica, principalmente porque temos mais da Alexia. Essa personagem é incrível e até mesmo apaixonante com esse humor citado por você. O problema é esperar pela continuação :(

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  9. Mais uma vez, é notável quando um livro mexe com você, Rick. Você fica diferente, de um jeito até engraçado e olha que sempre reclama das minhas reações com algumas leituras. A verdade é que vê-lo gostando de um livro sobre seres sobrenaturais como lobisomens e vampiros, principalmente, me deixa de queixo caído; e também me deixa extremamente inquieta para conferir o que é capaz de te fazer gostar de algo que tanto amo, mas que você meio que desdenha.
    Eu tenho Alma?, mas com algumas novas prioridades, acabei deixando a leitura de lado. Acho que preciso adiantá-la um pouco se quiser compreender mais sobre esse universo que não se detém apenas no steampunk. Na verdade, acho que esse gênero está ganhando minha atenção e curiosidade cada vez mais, parte disso devo à Bang! que me deu muitas opções de leitura, dentre elas "A Corte do Ar", que espero conferir em breve.
    Mas sua resenha excepcional me deixou, definitivamente, ansiosa para começar a ler Alma? e, quem sabe, sua continuação e as que vierem a seguir (que eu já sei que tem mais, como sempre rsrsrs). Parece ser um daqueles livros que arrasam na estrutura e isso contribui fundamentalmente tanto para o desenrolar da história como também para cativar o leitor.
    Excelente, Rick, me convenceu! :D


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  10. Ainda acho estranho você dizer sobre a leitura mexer comigo, mas ainda assim quero entender melhor que tipo de reação tenho que é tão notada por você kkkkk Sobre gostar do livro, realmente não esperava que essa série faria isso; tinha até certo receio antes de iniciar "Alma?", talvez por isso gostei tanto de tudo o que encontrei, já que tinha certeza que seria mais uma leitura cansativa; sem graça; quando na verdade... BUM! Uma leitura perfeita!
    Não sei se você irá gostar tanto quanto eu dos elementos steampunk, mas realmente espero que você tenha a oportunidade de ler o quanto antes, já que a história foge de tudo o que já vimos; não possui clichês; e possui o clima encantador de Londres (e agora da Escócia) da Era Vitoriana. Disso tenho certeza que você vai gostar.
    Me encantei muito com esse gênero, por isso também quero conferir "A Corte do Ar", já que parece ser muito, muito bom! Espero ter a oportunidade em breve e que a continuação de Mentamorfose? chegue logo T_T


    Beijos, Vê!

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  11. Ainda bem que esse "Metamorfose?" não sofreu da síndrome do segundo volume, e conseguiu atingir o ótimo nível que o "Alma?" conseguiu. Uma continuação de série tem que ser assim mesmo: Cheia de reviravoltas dentro do contexto, e com um amadurecimento da escrita da autora. Eu simplesmente adoro quando os autores nos enganam completamente, e nos deixam de boca aberta com suas revelações.


    @_Dom_Dom

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