Anjo Caído, Daniel Silva, tradução de Claudio Carina, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2013, 272 páginas.
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Apesar de ser o menor país do mundo, o Vaticano também é palco para inúmeras polêmicas ao longo da história e disso ninguém pode discordar. Por esse e outros motivos, todo e qualquer tipo de livro ficcional que tem como base a cidade-estado ou a instituição religiosa ali sediada possui o seu charme. Com Anjo Caído não poderia ser diferente.

No 12º livro protagonizado pelo ex-agente israelense Gabriel Allon, a curadora de arte Claudia Andreatti é encontrada morta dentro da Basílica de São Pedro no mesmo dia em que iria revelar uma importante informação para o secretário pessoal do Santo Padre, monsenhor Luigi Donati.

Tentando evitar que detalhes sobre essa morte ultrapassem os limites do Vaticano, o monsenhor Donati chama Allon, que está restaurando uma das mais importantes obras de Caravaggio, para realizar uma investigação de forma discreta. Aos poucos o ex-agente descobre detalhes sobre a morte da curadora e, mais do que isso, percebe que essa morte é apenas o estopim de algo muito maior, que pode causar um conflito capaz de abalar a religião mundial.

“Ele perseguiria a verdade, não pelo general, nem mesmo por seu amigo Luigi Donati, mas por Claudia Andreatti. A imagem da mulher deitada no chão da basílica estava na atormentadora galeria de sua memória: A morte da virgem, óleo sobre tela, por Carlo Marchese.
Mulheres mortas são como cofres de banco... quase sempre contêm segredo desagradáveis...” (pág. 91).

Quem lê uma sinopse mais detalhada de Anjo Caído é capaz de saber exatamente o que acontecerá ao longo do livro de Daniel Silva. Um leitor mais atento consegue inclusive descobrir o motivo do título da obra, mas esses são apenas detalhes insignificantes que não se comparam com essa aventura de tirar o fôlego.

A primeira coisa que chama a atenção do leitor é o estilo de escrita do autor Daniel Silva. O fato do escritor americano filho de açorianos ter sido jornalista é fundamental para tornar sua escrita bem descritiva e ainda assim de leitura agradável. No entanto o estilo jornalístico do autor não é deixado de lado em nenhum momento, o que é percebido também na estruturação dos diálogos.

O autor consegue ainda intercalar uma narrativa ágil, nos momentos em que a ação e a investigação caminham lado a lado, com uma narrativa mais lenta, justificada pela necessidade de abordar temas históricos que podem ou não ser ficcionais. Por isso é notável a maneira como Daniel usa a história, explicando tudo o que rodeia o tema utilizado como plano de fundo da obra, e isso pode não agradar a todos.

O problema é que em alguns momentos isso se torna confuso, principalmente por Anjo Caído envolver instituições religiosas, que sozinhas já causam grandes conflitos. Mais uma vez lembrando que o Vaticano é uma cidade-estado, dá para imaginar que situações políticas também estão presentes, assim como artísticas, já que Gabriel Allon trabalhou com a arte antes de se tornar um agente.

O livro peca por, aparentemente, existir inúmeras situações que aos poucos vão sendo desvendadas paralelamente, para só então se unirem ao desfecho. O que poderia ser um ponto positivo, já que constrói vários casos em uma mesma história, acaba eliminando o suspense que é o que mais esperamos em uma obra investigativa. Infelizmente nesse ponto a obra foi inferior ao esperado.

Apesar disso, o fato de conviver por dezenas de páginas com um personagem como Gabriel Allon compensa qualquer detalhe desmotivador. Além de muito esperto e inteligente, Allon não deixa o seu lado humano de lado ao mesmo tempo em que consegue ser frio quando necessário. São essas características que ajudam o protagonista a resolver seus problemas sem dificuldades, sobrevivendo até mesmo em situações perigosas.

Mesmo com os pontos negativos, Anjo Caído possui sim uma aventura de tirar o fôlego, já que se passa em cidades europeias e também do Oriente Médio, o que explica a união de pontos históricos de católicos, judeus e muçulmanos, que podem ser abalados pelas consequências de atos de terceiros. Tudo isso garante uma nova leitura de Daniel Silva, até porque seu livro motiva a pesquisa de todos os assuntos tratados, assim como as obras de Dan Brown, um dos melhores da atualidade.

“Darwish fechou os olhos e recitou mentalmente o Verso da Espada do Alcorão: “Combatei e matai os idólatras onde quer que os encontreis, aprisionai-os, acossai-os, ponde-vos à espera e emboscai-os, usando todas as estratégias de guerra”. Ele entrou no museu dos judeus antigos e abriu fogo” (pág. 247).

Para adquirir seu exemplar de Anjo Caído, acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

5 Comentários

  1. Estou há algum tempo querendo ler algo desse autor, e fiquei realmente interessado em "Anjo Caído", mas só pela capa mesmo, porque até então, desconhecia sua sinopse. Quando li Vaticano, me lembrei logo de "Anjos e Demônios" do Brown, livro que gostei BASTANTE, e então quero esse pra ontem. Mesmo com os pontos negativos apontados, acho que a leitura vale a pena, até porque, gosto quando um autor junta fatos históricos com tramas de mistério. Se houver oportunidade, irei adquirir o livro com certeza :D

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  2. A algum tempo me recomendaram ler esse livro, agora lendo sua resenha vejo que vale apena ler, trás uma ótima temática. É o tipo de assunto que quanto mais se ler não da vontade de parar. Muito bom :)

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  3. Confesso que nunca gostei de Matemática, ou melhor, matérias ditas "exatas". Mas tive ótimos professores durante toda minha vida colegial. O que sempre me vinha à cabeça, era essa pergunta que você explicitou aí: "Em que a Matemática vai servir na minha vida?" Enfim, até hoje me pergunto ainda, mas ao mesmo tempo, sei que o ensino da Matemática é imprescindível.

    @_Dom_Dom

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  4. Legal quando essas memórias são
    resgatadas, né?!?! Nada como profissionais competentes e dispostos para reavivar
    uma passagem na História de uma cidade e/ou região. Parabéns à Sônia, e desejo
    todo o sucesso com seus projetos.



    @_Dom_Dom

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  5. Ao ler essa resenha, foi impossível não
    fazer um paralelo com o Dan Brown, e eis que, na última linha dessa resenha,
    aparece o nome dele. Sou muito suspeito pra falar, pois sou fã de livros com
    essa pegada investigativa, que mescla realidade com ficção, e acrescenta artes,
    arquitetura, e tudo o mais. Uma pena que o Daniel Silva não tenha aproveitado o
    máximo que essa trama poderia oferecer, mas mesmo assim, creio que seja um bom
    livro.



    @_Dom_Dom

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