Esconda-se, Lisa Gardner, tradução de Cássia Zanon, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 400 páginas.
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Uma câmara com seis corpos de meninas é encontrada nas proximidades de um hospital psiquiátrico abandonado e um desses corpos pode ser de uma amiga de infância de Annabelle Granger. Essa suspeita existe porque, no passado, uma possível ameaça levou a família Granger a se mudar de cidade e trocar de identidade inúmeras vezes, por isso Annabelle acredita que o sequestrador levou a amiga em seu lugar.

A descoberta da câmara depois de vários anos, e a possível relação com outro antigo caso, pode ter colocado a vida de Annabelle novamente em risco. Por isso, tentando desvendar os mistérios que envolvem essa câmara e principalmente salvar a vida da misteriosa mulher, D. D. Warren entra em ação ao lado do também detetive Bobby Dodge. Ambos precisam agir para desvendar esse difícil caso e tentar entender os motivos que levaram o serial killer a cometer um crime de tamanha crueldade.

“Bobby virou o café frio e jogou o copo no lixo.
Estava esperando no assento do carona do carro de D. D. quando ela, finalmente, saiu do meio das árvores. E então, como os dois haviam se amado uma vez e até mesmo continuado amigos depois disso, ele aninhou a cabeça dela no ombro e a abraçou enquanto ela chorava” (pág. 32).


O único problema de Esconda-se, segundo livro da série da detetive D. D. Warren, é a quantidade de erros de revisão, que felizmente não chegam a atrapalhar o desenvolvimento da leitura. No mais, encontramos mais uma obra digna da perfeição, que eleva Lisa Gardner ao seleto grupo de escritores diferenciados.

Dividido em primeira e terceira pessoa, Esconda-se dá grande destaque ao já conhecido personagem Bobby, que como citado, em outrora se envolveu com um caso semelhante ao de Annabelle e por isso deixa seu lado humano falar mais alto. Com isso conhecemos mais a personalidade do detetive e também sua relação com D. D., que podemos considerar como um casamento perfeito.

Quem já teve a oportunidade de ler outros livros da série, e se surpreendeu com a forma de Gardner contar uma história, ficará empolgado com essa obra-prima da atual literatura policial. Se em Sangue na Neve e Viva para Contar (terceiro e quarto livros, respectivamente) a autora já abordou situações particulares, nesse caso tudo é mais envolvente. Estamos falando de meninas assassinadas brutalmente em um passado relativamente distante e isso por si só aumenta a curiosidade do leitor.

Outro detalhe imprescindível, que será percebido principalmente pelos leitores de Sangue na Neve, é a semelhança da estruturação e do processo investigativo das duas obras. Claro que isso não significa que tal semelhança contribuirá para que o leitor chegue a uma conclusão, até porque fica óbvio que a autora gosta de surpreender e encontrar soluções de onde menos esperamos.

Como sempre, toda surpresa que possui um sentido aceitável é bem-vinda. O leitor cria 1001 possibilidades, porém nada é como o suspeitado, e mesmo que seja, a autora surpreende ao revelar os motivos da história ter caminhado a esse desfecho. Por isso seria uma surpresa grande encontrar um leitor que afirmasse categoricamente ter suspeitado da forma como tudo terminaria, mesmo com todos os segredos.

Se não bastasse a história ser envolvente e sem nenhum ponto solto, inclusive com a importância de todo e qualquer detalhe, a escrita volta a ser destaque pela simplicidade. Uma das características de Gardner é não possuir firulas ao contar uma história, e isso, além de tornar a leitura agradável, mostra que é possível ser descritivo sem se estender, e ainda detalhar uma investigação policial de forma dinâmica e muitas vezes em ritmo frenético – só possível em obras incríveis!

“Nós havíamos conseguido. Brigando, construindo, corrigindo, lutando, sofrendo. Perdendo, odiando, vencendo, chorando. Havíamos sido caóticos e tumultuados e amargos e determinados. Mas havíamos conseguido. E nunca, até aquele momento, senti tanta falta dos meus pais. Até meus dedos fecharem ao redor do meu colar e eu jurar que podia senti-los parados do meu lado naquele lugar frio e úmido” (pág. 357).

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Resenhas da Série Detetive D. D. Warren

7 Comentários

  1. Que história envolvente! Adorei o enredo, meio puxado pro suspense/terror, gosto desse tipo de tema, faz com que a gente fique ainda mais presa no universo do livro. Com certeza irei compra-lo!

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  2. Gabriela Costa e Silva29 de novembro de 2013 09:07

    Esse livro parece ser ótimo. Os livros que mais gosto são os de suspense policial, e esse só tem recebido comentários positivos!
    Com certeza vou ler!

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  3. Uau, adorei o suspense.
    Livros bem estruturados são sempre os meus preferidos, espero gostar bastante quando eu ler! o/


    Adoro suas resenhas! :)


    Beijos,
    www.livrosqueinspiram.blogspot.com.br

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  4. Hum, nem sempre o pomposo é significado de excelência, é bom descobrir que até mesmo apresentações mais simples são capazes de transmitir sua magia na plateia.
    Confesso que tive de procurar o que "esquete" significava, não lembrava de já ter ouvido esse termo. rsrs Mas que prático tratar-se de várias histórias, mesmo que vários atores tenham interpretado diferentes papeis e, como você disse, nem sempre tenham se adequado a eles. Acredito que identificação entre ator e personagem é a essência de uma boa apresentação, mas se isso não afetou muito o acompanhamento, então talvez tenha sido uma tentativa bem sucedida.
    E humor é algo complicado de se despertar e conquistar, pelo menos não foram todas que não conseguiram atingir essa meta, talvez o engraçado devesse ser mais intercalado para não desgastar.
    Adorei a review, Rick ;)


    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  5. Eu ganhei em uma promoção Sangue na Neve e estou ansioso para conhecer o trabalho da autor, já que é bastante recomendado atualmente em muitos meios literários, e o bom é que não é necessário ler na ordem de publicação - o que já alivia bastante. Ótima resenha, creio que esse é um livro instigante que quero conhecer em breve.

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  6. Participando muito e com os dedos cruzados aqui!!!

    @_Dom_Dom

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  7. Eu, particularmente, adoro comédias.
    Mas, como você disse, é um gênero bem complicado de se fazer, principalmente se
    for com textos de época. Todo o trabalho tem que ser minucioso, pois corre o
    risco de descaracterizar completamente a época em que se quer retratar. Acho
    legal esse recurso dos narradores, mas, às vezes, pode-se quebrar o impacto que
    a cena em si poderia causar. Nesse caso, acho que esse recurso foi muito bem
    utilizado. É uma pena que não pude assistir, pois pelas fotos, achei bem
    interessante.



    @_Dom_Dom

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