O Rico Avarento
Texto: Ariano Suassuna
Direção: José Eduardo Martins
Duração: 73 minutos
Gênero: Comédia
Apresentação: 06 de novembro de 2013

Uma, duas três... Sete vezes. Daqui a pouco será impossível contar nos dedos a quantidade de vezes em que assisti a peça O Rico Avarento, de Espírito Santo do Pinhal. Apesar desse número relativamente alto, cada apresentação é uma nova surpresa e por isso pouco importa já saber inúmeras das falas ou as piadas do espetáculo. Independente de qualquer coisa a diversão é garantida.

Tendo como cenário o sertão nordestino, a peça conta a história do humilde Tirateima (José Eduardo Martins), que por falta de um emprego melhor aceita ser o mestre sala de um coronel avarento (Celso Xinini). Esse coronel não vai à casa da mãe para que ela não venha visitá-lo; dorme cedo para não jantar e acorda tarde para não tomar o café-da-manhã; e se recusa a dar esmola aos mendigos.

A avareza do personagem se intensifica com o passar dos dias, até que a chefe do inferno Canita (Rebeca Monteiro), com toda a sua inesperada beleza, aparece para fazê-lo pagar por seus pecados. Tirateima também é perseguido, mas como será que ele reagirá a essa perseguição infernal?
O que transforma O Rico Avarento em uma peça imperdível não é seu cenário, que por sinal é muito simples, e muito menos a história, que pode ser vista também como uma bela lição de moral. A Companhia Viva Arte se destaca pela construção de seus personagens, tão marcantes quanto o humor presente durante toda a peça, e principalmente pelo improviso que garante boas risadas.

O fato de se passar no nordeste não impede os atores de usarem pessoas e situações conhecidas apenas da cidade. Justamente por isso fica impossível não gargalhar das piadas usadas durante a apresentação do enredo, já que nos sentimos próximos e conhecemos com propriedade tudo o que é falado. Claro que isso só é possível com uma boa atuação dos atores – assim como em O Sítio do Pica Pau Amarelo, mais uma vez dá para destacar Rebeca Monteiro, transformando a chefe do inferno em uma mulher encantadora.

Pela quantidade de vezes que a peça já foi apresentada a química entre todos os atores merece ser lembrado, em especial Celso Xinini e José Eduardo Martins, que exerce também a função de diretor da peça. Há a liberdade entre os dois, o que resulta em brincadeiras que só seriam possíveis com eles atuando em conjunto. Acaba que um é fundamental para o brilho do outro, como qualquer outra dupla de sucesso em uma arte como o teatro.
Mas como citado, o que dá o destaque para O Rico Avarento é o improviso que fica previsível a cada nova cena. Seja com a entrada de um personagem secundário ou quando o próprio Tirateima passa pela plateia e não deixa de fazer a sua piada com um amigo que ali encontra. Até mesmo possíveis erros (propositais ou não) acabam sendo motivo de piada para essa dupla tão marcante.

Bem como em O Auto da Compadecida, também baseado na obra de Ariano Suassuna e apresentado pelo grupo, essa peça se preocupa muito com a trilha sonora e em não deixar que o espectador se canse do que está assistindo. Com muito humor, danças e canções que levantam toda a plateia, O Rico Avarento leva o público a morrer de rir transformando tudo em uma grande festa. Uma festa que não impede a apreciação do espetáculo em várias outras oportunidades, e que poderia ser uma ótima representante na próxima fase do Mapa Cultural Paulista.

11 Comentários

  1. Gabriela Costa e Silva3 de dezembro de 2013 23:07

    Gosto demais dessas postagens sobre peças...
    Só queria ter como vê-las pessoalmente, e essa parece ser uma das melhores que vi postada aqui...

    ResponderExcluir
  2. José Eduardo Martins4 de dezembro de 2013 19:43

    Obrigado pela crítica Ricardo! Gosto muito de frequentar seu blog e poder acompanhar suas postagens! Grande abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico muito feliz com esse retorno, Du. Muito obrigado!
      Aproveito para desejar parabéns pelos três anos da Cia. e desejar muito sucesso.
      Abraços!

      Excluir
  3. Por isso que sou apaixonado por essa arte. Mesmo que a mesma peça seja apresentada mil vezes, serão mil apresentações diferentes.
    Uma coisa legal que achei é essa química que rola entre o elenco. Não é nada fácil chegar a esse nível de cumplicidade. Não surge do dia pra noite. Surge de muita convivência e pensamentos conectados a um bem comum.
    Parabéns à Cia. Viva Arte por mais esse sucesso!

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  4. Dá até vergonha de admitir, mas eu só fui no teatro duas vezes, amei cada uma, mas nunca mais repeti a dose. É uma arte que aprecio tanto, tá na hora de repetir a dose! Uma dose cultural, certamente! Hahah, uma das que assisti foi O sítio do pica pau amarelo! Pelo menos isso! Mas adorei o post, primeira resenha de peça teatral que leio em blog literário e amei a inciativa! Super bacana!
    http://memorias-de-leitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
  5. Essa questão das biografias não-autorizadas é tão complicada, que confesso que não tenho uma opinião formada ainda. De um lado está a questão de liberdade de expressão, mas do outro, está a questão de direito à privacidade. Enfim, é um assunto extremamente polêmico.

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  6. Achei esse semana mais ou menos. Apesar de ainda não ter assistido o primeiro filme de "Thor", acho que esse segundo deve ser legal. Fora ele, fiquei curioso pra assistir o "Caleuche", "Pedalando com Molière" e "Uma Noite de Crime".

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  7. Sempre tive curiosidade a respeito dessa peça. Não é a primeira vez que ouço alguém falar bem dela. Você conseguiu me deixar ansiosa por ver e conhecer esta obra. beijos.

    ResponderExcluir
  8. É a primeira vez que leio algo sobre essa peça.
    Mas parece ser um bom trabalho, =D

    Abç!

    ResponderExcluir
  9. Adoro peças teatrais, pena que tenho poucas oportunidades de ir ao teatro. E as comédias são as melhores, principalmente essas com o tema no nordeste. Nunca ouvi falar desta peça, mas parece realmente ser muito boa, quem sabe eu ainda não tenho a chance de assistir.

    ResponderExcluir
  10. E depois você reclama que sou eu que assisto às coisas repetidas vezes. :P Não é ótimo poder rever algo de que gostamos e que traz diversão? Pois é, agora sabe como me sinto quando vejo algo de novo, e de novo, e de novo.
    Já tinha ouvido falar da história em si, mas nunca sobre uma peça a respeito dela. Fico feliz que essa companhia esteja em tão alta estima e cada vez mais se superando em suas apresentações, é algo realmente interessante! Principalmente quando as atenções para o mundo do teatro estão em sua maioria voltadas para as grandes produções com atores famosos e tudo o mais.
    Acho incrível que esteja aproveitando a oportunidade Rick, são poucas as pessoas que mergulham nas mais diversas possibilidades culturais disponíveis. E escrever sobre uma peça que se gosta muito, sem dúvida, é ainda mais fácil e divertido e instiga a curiosidade. Pelo menos instigou a minha. ;D

    Adorei a postagem, como sempre!

    Beijos,

    Only The Strong Survive

    ResponderExcluir