A popularização da internet trouxe benefícios e malefícios. Junto com todo o avanço causado pela evolução tecnológica, frases passaram a circular na internet como sendo de determinados escritores. Muitas vezes tais escritores jamais teriam escrito as frases, no entanto isso não tira o mérito das homenagens. Sobretudo quando são para Haia Pinkhasovna Lispector.

Nascida na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, ainda nos primeiros meses de vida Haia Lispector chegou ao Brasil após a imigração de sua família. Mais tarde, por iniciativa do pai, a maioria dos membros da família adota um novo nome e a futura escritora passa a se chamar Clarice. Clarice Lispector.

Após uma temporada em Maceió, a família se muda novamente, dessa vez para o Recife, onde Clarice passaria grande parte de sua infância e que seria cenário de algumas de suas principais histórias. Foi ali também que ela aprendeu a ler e estudou piano e hebraico antes de perder a sua mãe, falecida em 1930.

Ainda muito jovem já demonstrava sua aptidão com as palavras, tendo escrito uma peça teatral (que infelizmente se perdeu ao longo do tempo) e várias histórias que acabaram sendo recusadas devido ao estilo de escrita marcante em toda a obra de Clarice Lispector.

Aos quinze anos, após a família enfrentar uma série de dificuldades financeiras, se muda para o Rio de Janeiro, onde conclui o ensino ginasial (atual Ensino Fundamental) e conhece várias obras da literatura mundial. No entanto, as dificuldades financeiras persistiram e por isso, ainda aos 18 anos, passa a ministrar aulas particulares de português e matemática.

Já trabalhando em um escritório de advocacia, Clarice inicia os estudos na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro e em 1940 tem seus primeiros contos publicados em jornais e revistas. Ainda nesse ano, após perder o pai, passa a trabalhar como jornalista, além de publicar textos literários.

O primeiro romance de Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem, foi escrito em 1942 e publicado no ano seguinte, mesmo ano em que a escritora se casou com o colega de faculdade Maury Gurgel Valente. Ao longo dos meses que sucederam a publicação de seu primeiro romance, inúmeras foram as críticas positivas, que já mostraram que estava surgindo um novo destaque da literatura. Considerado o melhor romance do ano, Perto do Coração Selvagem foi condecorado com o prêmio Graça Aranha e mais tarde publicado na França.

Durante a Segunda Guerra Mundial foi para a Itália ao lado do marido, que trabalharia no país europeu, e ali ajudou os brasileiros feridos durante a guerra. Apesar de passar vários anos na Europa, em várias oportunidades a escritora demonstrou não estar se adaptando as mudanças ocorridas em sua vida, mas é em seu continente de origem que tem o primeiro filho.

Entre idas e vindas, a escritora passa a conviver com importantes nomes da literatura brasileira, seja em encontros pessoais ou através de troca de cartas. Já com o nascimento do segundo filho e, revezando entre o Brasil e a Europa, Clarice Lispector divide seu tempo entre os cuidados dos filhos e a escrita de contos, crônicas e romances.

Após longos anos ao lado do marido, acaba se separando pouco antes do lançamento de Laços de Família, coletânea que faturou o Prêmio Jabuti no início da década de 60.

No ano de 1966, ao dormir com um cigarro aceso, seu quarto fica totalmente destruído após um incêndio. As consequências do incêndio, como diversas cicatrizes pelo corpo, muda radicalmente a vida da escritora, que passa a sofrer de depressão. Ainda assim, continuou trabalhando nos anos seguintes, produzindo inúmeros textos para colunas de jornais, além de traduções, contos e romances.

No ano de 1977, Clarice Lispector publica A Hora da Estrela, sua obra mais importante e que mais tarde, em 1985, foi adaptado ao cinema. Ainda em 1977, um dia antes de completar 57 anos, a escritora falece vítima de uma súbita obstrução intestinal e é enterrada no Cemitério Comunal Israelita, no Rio de Janeiro.

Durante sua longa carreira literária, Clarice Lispector demonstrou um estilo único. Seus textos não possuem uma estrutura tradicional e, segundo a própria escritora, isso se deve ao fato de sempre demonstrar seus sentimentos através das palavras. Representante do modernismo brasileiro, Lispector sempre buscou passar originalidade através de sua obra, por isso se tornou tão importante e é tão reconhecida até os dias de hoje. Apesar de tudo, é sempre bom conhecer e viver a verdadeira obra de Clarice Lispector, uma Imortal da Literatura.

“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...” – Clarice Lispector.

Clarice Lispector - 10/12/1920 - 09/12/1977

5 Comentários

  1. Uma das autoras mais incríveis que já vi. Seus livros são marcantes e divinos. Uma mulher de personalidade e muito inteligente pra época. Adorei conhecê-la mais um pouco.

    ResponderExcluir
  2. Homenagem mais do que merecida. Aliás, essa coluna fica melhor a cada homenageado.
    Nunca cheguei a ler os romances da Clarice, mas já li alguns contos. Li também algo sobre sua vida, mas bem superficialmente, pois era matéria obrigatória para o vestibular.
    Não sabia desse episódio do cigarro. :(

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  3. Quem nunca ouviu falar em "A Hora da Estrela"?
    A Clarice é super elogiada e não é por menos!

    Abç!

    ResponderExcluir
  4. Nossa, eu não sabia do nome de verdade dela. não sei nem pronunciar! hahaha
    Esse incidente com o cigarro também é novidade pra mim.
    Uma escritora que, sem dúvidas, foi importantíssima!

    ResponderExcluir
  5. Realmente as coisas que a Clarice escreve são incríveis e só poderiam ser escritas por pessoas como ela, que escrevem com o corações. Ela consegue colocar os sentimentos em palavras.

    ResponderExcluir