A Conspiração, Clive Cussler e Dirk Cussler, tradução de Henrique Amat Rego Monteiro, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2013, 544 páginas.
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Além de um escritor excepcional, autor de mais de 50 livros e com mais de 150 milhões de exemplares vendidos, Clive Cussler é um famoso arqueólogo marinho e fundador de uma empresa que descobriu mais de sessenta naufrágios. Apesar da National Underwater and Marine Agency (NUMA) ser uma empresa real, ela também ganhou destaque na série ficcional protagonizada por Dirk Pitt.

O 21º livro da série inicia narrando o naufrágio de uma embarcação romana do século IV e de um navio inglês destruído durante a Primeira Guerra Mundial. Já nos dias de hoje, ícones da fé islâmica e um pergaminho sobre a vida particular de Jesus surgem como peças que podem mudar radicalmente a religião mundial.

Aparentemente todos esses fatos não possuem nenhuma relação, mas o engenheiro naval Dirk Pitt, diretor da NUMA, entra em ação para explorar os mistérios que podem surgir com a disputa de interesses. Pitt faz isso mesmo sabendo desde o início que está se envolvendo com pessoas perigosas e capazes de tudo para atingir seus principais objetivos.

“A pistola disparou de novo, dois clarões gêmeos visíveis no canto dos olhos de Pitt enquanto os ruídos ressoaram pela câmara. Uma das balas atingiu a balaustrada e a outra passou assobiando pela sua orelha. Já em movimento, tudo o que ele podia fazer era continuar em frente” (pág. 68).

Escrito por Clive Cussler em coautoria com seu filho Dirk Cussler, A Conspiração segue o mesmo estilo dos demais livros do autor, em que ele explora muito o funcionamento de determinadas máquinas e usa inclusive alguns termos técnicos. No entanto, a maneira descritiva e a grande quantidade de ação impede o surgimento do desânimo que poderia prejudicar a leitura em alguns momentos.

O primeiro livro da série de Dirk Pitt publicado no Brasil tem ação da primeira à última página, e até mesmo as investigações são entusiasmantes. Isso porque além de tesouros perdidos, situações globais que estão longe de ser apenas ficção também são exploradas. Encontramos disputas de interesses políticos e conflitos culturais e históricos, com extrema relação com as religiões, tornando o livro mais especial do que seria caso se focasse apenas no que a NUMA é especializada.

O problema está no fato de existirem diversos interesses, assim como vários personagens secundários e cada grupo de personagem estar envolvido com determinada pesquisa ou aventura. Como o livro envolve muito mais do que apenas dois naufrágios independentes, tudo é jogado ao leitor de forma natural e apenas com o tempo as coisas são explicadas e solucionadas. Mesmo o mais atento dos leitores irá se confundir e só entender quando os caminhos se encontrarem.

Enquanto isso não acontece, é quase certo que os amantes das polêmicas envolvendo religiões irão se encantar com A Conspiração, principalmente pela forma como os autores se aproveitaram da história de países com conflitos culturais para criar todo o desenrolar da história. O tema é também o que contribui para a leitura ganhar um novo ritmo quando, por algum motivo, perde a graça – ou simplesmente ganha situações ainda desconhecidas.

Outro fator fundamental é a importância de cada um dos personagens, seja de Pitt, seus filhos e até outros agentes da NUMA. Ao contrário dos demais livros do autor, não são os protagonistas que se destacam, mas sim a união de todos os personagens secundários. Essa união resulta em uma equipe incomparável, o que é totalmente necessário se pensar que o livro é narrado a partir de aventuras de protagonistas, antagonistas e outros personagens.

Ao final, com uma aventura capaz de prender atenção de todos os aficionados pelo gênero, A Conspiração confirma ao leitor brasileiro o motivo da série, iniciada em 1983, ser a de maior sucesso do escritor norte-americano. Se todos os livros de Dirk Pitt unir ficção com realidade em uma história surpreendente é quase certo que os demais são tão especiais quanto esse – apesar de nesse caso ser possível inclusive encontrar Clive Cussler em uma das cenas mais importantes da primeira metade da obra.

“Com os conveses ensanguentados pelos mortos e feridos e a sua casa do leme vomitando fumaça, o barco da Guarda Costeira de repente deu uma guinada e inclinou-se fortemente para boreste. Apenas alguns gritos dispersos atravessaram o ar da noite quando a sua proa elevou-se no ar e em seguida todo o navio balançava de volta para a sua popa, desaparecendo sob as ondas como se nunca tivesse existido” (pág. 408).

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6 Comentários

  1. O Livro parece ser emocionante do começo ao fim. Gosto de livros assim que sabe nos prender até os últimos momentos. Ansiosa pra ler e saber mais dessa conspiração. Quero desvendar com o personagem esses mistérios. Show.

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  2. Ainda não conheço a escrita do Clive.
    Não sabia que esse era o 21 volume, uau!
    Gostei da premissa e pretendo lê-lo.

    Abç!

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  3. Olá Ricardo,

    Esse livro esta na minha lista de espera de leitura, gosto demais da escrita do autor e pela sua resenha vou adorar esse...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  4. Nunca li nenhum livro do autor, mas parece ser "semelhante" a série Alex Cross em alguns pontos...
    Achei bem interessante, uma série também bem grandinha e que consegue conquistar o leitor mesmo depois do 21º livro, não é pra qualquer um não hein?! haha

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  5. O que acho legal nos livros do Clive Cussler é que, inicialmente imaginamos que as cenas são completamente independentes, e no desenrolar da trama, as coisas vão se encaixando, e nós ficamos com a cara de bobos e aplaudindo o talento do autor. E como amante do gênero, o Clive Cussler é leitura obrigatória pra mim.

    @_Dom_Dom

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  6. Se fossem pelas capas, compraria todos, mas mesmo com essa resenha ainda não me sinto motivado a ler. Pelo que leio sobre ele não acho que será um tipo de leitura e parece ser bem arrastado.

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