Quase Acaso, André Tressoldi, 1ª edição, Barueri-SP: Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira), 2012, 168 páginas.
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Não é difícil encontrar comentários sobre o acaso ter suas travessuras e são inúmeras as situações em que isso fica claro até para os mais céticos. Seja em um encontro casual, uma viagem no momento certo ou simplesmente a atitude de uma pessoa que busca solucionar os problemas do próximo, ele está sempre presente!

Em Quase Acaso, o escritor André Tressoldi usa situações em que o acaso é o responsável pela construção da história de seus personagens. Para isso, o escritor nos apresenta ao personagem Reinaldo, um homem de origem simples que vai para a cidade grande tentar a vida e depois, na faculdade, conhece Vânia, uma misteriosa mulher por quem se apaixona perdidamente. Ele só não esperava descobrir um segredo de Vânia: ela possui um namorado, que acaba com todos os planos de Reinaldo.

Mesmo sem a presença de Vânia, o jovem rapaz segue sua vida normalmente e se torna um importante Doutor em Educação, porém ele continua amando a mulher. Por mais que Reinaldo tivesse inúmeros compromissos, nada é capaz de ajudá-lo a esquecer desse grande amor, como se ele já soubesse que após conhecer um líder da máfia italiana o destino passaria a estar ao seu lado.

“Nesse momento, os olhares dos dois se tocaram e o moço foi deslumbrado pelo sorriso espontâneo daquela linda mulher. Seu coração deu pulo em êxtase e frenesi contido, tudo em uma fração de segundo, de forma quase imperceptível às pessoas que estavam ao redor” (pág. 20).

Apesar de ter capítulos exageradamente grandes que podem desagradar os leitores dinâmicos, Quase Acaso é um livro de um bom ritmo e isso devido a uma característica bem particular: tudo é apresentado para que o leitor saiba o que está acontecendo, mas poucas situações possuem uma riqueza de detalhes. Em alguns momentos isso pode confundir, mas ajuda entender todo o contexto usado.

Essa característica persiste durante toda a obra, e mesmo que o ritmo seja agradável, é quando o líder da máfia, Giuseppe Fiorentini, é apresentado ao leitor que o livro ganha um charme diferenciado. Isso se explica pelo fato de, ao menos na primeira parte, o livro se focar em determinadas situações até certo ponto desnecessárias, ainda que importantes para a história de Reinaldo.

Porém, ainda que Giuseppe seja um personagem de grande destaque, não dá para negar que a máfia italiana possibilitaria um leque de opções que infelizmente não foi explorado. Isso não significa que a maneira utilizada não seja agradável, até porque o foco também é a personalidade de Giuseppe antes e depois de se tornar um importante mafioso – e sua história é a melhor estruturada.

Justamente por mostrar muito da personalidade de seus personagens que André Tressoldi consegue também inserir o que podemos classificar como seus próprios ideais e suas preocupações em vida, determinando assim as ideologias dos próprios personagens - aparentemente, mesmo sem conhecer o autor, é possível ver muito de André em Reinaldo e isso é muito especial. Nesse caso a principal preocupação é com a família e o amor, que comandam grande parte do desenrolar da história.

Sabendo disso, dá para dizer que a forma como algumas coisas ocorrem deixam a desejar, sobretudo por tornar o desfecho previsível. Isso acontece devido aos ideais citados, no entanto não evita as passagens em que o leitor não compreende o motivo de ter acontecido de determinada forma.

Independente das falhas, Quase Acaso é um livro que causa reflexão com a agilidade de mostrar todos os fatos e a simplicidade de um homem do interior como André Tressoldi. Com seu livro, o autor paranaense mostra o que é preciso para viver e sentir os truques do amor e do acaso, mesmo se esses tiverem a ajuda de pessoas/personagens reais.

“O receio da Máfia se fazia pesado. O medo, esse mecanismo de sobrevivência e de manutenção de tiranias que convence de uma maneira rudimentar, mas extremamente eficiente, tem sido usado desde os primórdios da humanidade e talvez, quem sabe, se não houver nenhuma luz, será usado até o final dos tempos” (pág. 80).

Para adquirir seu exemplar de Quase Acaso, acesse o site da Livraria Saraiva clicando aqui.

11 Comentários

  1. Eu acho que é bem comum um autor acabar incluindo suas próprias premissas dentro da personalidade de algum personagem. Enfim, achei a ideia interessante e daria uma chance para o livro (até por que não tenho problema com capítulos grandes hehe).

    Um abraço,
    oepitafio.blogspot.com.br

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  2. Oi Ricardo.

    Li este livro a poucos dias e concordo com você, apesar de ser um livro pequeno às vezes ficamos meio perdidos, mas nada que tenha me atrapalhado no entendimento do enredo. Também acho que o autor deveria ter trabalhado um pouco mais com o
    Giuseppe porque o livro teria ficaria mais interessante.

    Parabéns pela resenha.

    Beijos Fê
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Fernanda! Muito obrigado por seu comentário.
      Não só concordo que o autor deveria ter trabalhado mais a figura do Giuseppe, como acho que esse personagem merecia um livro próprio, o que não seria nada desnecessário. Espero que isso acabe acontecendo no futuro :)

      Beijos,

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  3. Não conhecia esse livro.
    Achei interessante e diferente a premissa.

    Abç!

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  4. Me parece ser interessante a história, mesmo com esses pequenos relapsos do autor. Ainda não conhecia a obra deste autor, mais gostei muito do que li aqui. Esse tipo de tema e enredo sempre foram os meus preferidos e vou tentar ler. Obrigada pela dica. Beijos.

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  5. Boa noite Ricardo,

    Não conhecia esse livro e apesar de não gostar da capa achei interessante...sua resenha ficou muito boa...parabéns...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  6. Ótima resenha!
    Também não conhecia o livro, mas tive interesse em conhecer!
    De todos os pontos ressaltados, o que mais me deixa agoniada em alguns livros, sejam curtos ou longos, são os capítulos grandes demais. Não sei, mas creio que capítulos curtos até fazem com que a leitura seja mais rápida, você o capítulo seguinte curtinho e pensa "ah, vou ler só mais esse, é pequeno"... e quando percebe, já tá quase terminando o livro! Gosto quando é assim! hahaha

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    1. /Fico feliz que tenha gostado, Gabriela! Concordo plenamente com você e acho que até uma divisão de cenas curtas, ainda que em capítulos longos, contribui muito para esse ritmo de leitura. Afinal, como você disse, o famoso "só mais esse capítulo/cena" acontece mais frequentemente kkkk

      Beijos,

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  7. Oi!!
    Apesar dos contratempos, acho que o livro é bem o estilo que eu gosto. Claro que detesto finais previsíveis, mas tenho percebido que isso é muito relativo.
    Gostei, vai pra wishlist!

    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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  8. Não conhecia esse livro, mas até que achei interessante. Confesso que o me incomoda um pouco, são esse capítulos grandes, uma vez que geralmente leio dois ou três capítulos por dia. Uma pena que rolaram esses pequenos deslizes na trama, mas no todo, o livro continuou sendo bom.

    @_Dom_Dom

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  9. Um livro com máfia italiana, que demais! Nunca li algo parecido com isso, e gostei de cara da premissa. E o autor é nacional? Melhor ainda, quando digo que esses autores estão cada vez melhores.

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