Todo leitor possui suas particularidades e, se fosse preciso escolher algo comum entre todos, seria possível dizer a imaginação. Mesmo que nem todos se aventurem a escrever suas próprias histórias, todos concluem uma leitura imaginando quais caminhos os personagens poderiam percorrer após o último ponto final. Para Vera Lúcia Cervi Mattei, o costume de pensar “em novos caminhos” para os personagens contribuiu para se tornar mais crítica e consequentemente surgir a ideia da escrita de Arthannya. Exatamente para saber mais sobre esse romance, que relata a existência de vida em outros planetas com a mesma intensidade que transmite a emoção de uma verdadeira história de amor, que estamos De Olho Nela.
Over Shock – Olá, Vera! Como em outras entrevistas, primeiramente gostaria de agradecê-la pela oportunidade dada de realizar a leitura de seu livro e também por conceder essa entrevista. Para iniciar, conte aos leitores um pouco sobre a escritora e fonoaudióloga Vera Lúcia Cervi Mattei.
Vera Lúcia Cervi Mattei – Olá Ricardo! Sou eu que agradeço por esta oportunidade. É muito bom para nós, autores nacionais, poder contar com as parcerias dos blogs literários e com o apoio de todos vocês.
Resumirei um pouquinho de mim. Eu nasci e passei a minha infância e adolescência no interior do estado de São Paulo, em São Joaquim da Barra. Também já morei em outras cidades como Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo e há 14 anos resido em Santo André com meu marido e meus dois filhos. Profissionalmente, sempre atuei na área da saúde como fonoaudióloga.
Apesar de me considerar um pouco inquieta e um tanto ansiosa, procuro estar sempre atenta as oportunidades que aparecem e penso que estas não podem ser desperdiçadas. É sempre muito bom inovar e descobrir que podemos realizar coisas novas e diferentes. Foi pensando assim que Arthannya surgiu em minha vida.

Em sua biografia oficial você diz que a “sua paixão por livros foi o que desencadeou a vontade de escrever seu próprio romance”. Apesar de já existir essa vontade, qual foi o processo escolhido por você para a escrita, publicação e divulgação da obra?
Ao término de cada livro eu costumava pensar em novos caminhos que o autor poderia ter traçado, diferentes finais e acredito que isso contribuiu para me inspirar e me tornar um pouco mais crítica.
Assim que terminei de escrever Arthannya, não tinha muita ideia do que fazer. Então segui os conselhos de alguns familiares e enviei a obra para umas cinco editoras (vale ressaltar que muitas não aceitam originais de autores nacionais e/ou desconhecidos). Cada vez que vinha uma resposta evasiva eu desanimava e por pouco não desisti desse sonho.
Então, soube da Dracaena e resolvi arriscar. E quando Léo Kades entrou em contato comigo e explicou como funcionava todo o processo que ocorre na publicação de um livro, e do seu interesse em Arthannya, eu tive certeza que as coisas dariam certo dali por diante. Não acredito em acaso, mas sim que somos responsáveis pelas nossas conquistas. Estou muito feliz com a maneira como tudo se deu. O resultado está sendo maravilhoso.

A particularidade de Arthannya, apesar de aparentar ser um livro de ficção científica, é o bonito romance envolvendo as personagens Lúcia e Toran. Em algum momento você teve receio do que o leitor acharia da obra caso imaginasse outra temática?
O receio que tive ao fazer essa história nunca foi em relação ao amor envolvendo os personagens, mas sim em relação a resistência (ou medo, talvez) que muitos ainda tem ao se deparar com a mera possibilidade de haver vidas em outros planetas. Infelizmente a palavra alienígena está sempre associada a destruições, ataques aéreos, milhares de mortes e por aí adiante. Pelo menos é dessa forma que grande parte dos filmes e livros de ficção retratam os E.Ts.

O que te levou a se focar basicamente apenas no romance e deixar de explorar as inúmeras características próprias de Arthannya?
Particularmente, eu sempre me interessei por histórias onde o amor supera as diferenças, por maiores que sejam. Desde o clássico “A Bela e a Fera” até os romances mais recentes, onde os seres humanos envolvem-se com vampiros, anjos ou bruxos, sempre me fascinaram muito. E foi em busca desse sentimento forte e verdadeiro, capaz de romper todas as barreiras, que esse inovador romance alienígena nasceu. Portanto, essa sempre foi a principal mensagem da história.
Porém, existem muitas outras mensagens que merecem destaques, assim como esse envolvente planeta chamado Arthannya. Mas, vale salientar que a história acontece onde a personagem principal (Lúcia) se encontra, e ela precisou permanecer um tempo maior na Terra para que houvessem alguns rompimentos importantes (ciclos) e todo esse processo de despedidas necessitou de um tempo para acontecer. Penso que mudar para um outro planeta não seja uma decisão fácil de se tomar, não é mesmo?

Além dos nomes, existe alguma semelhança entre Lúcia, a personagem do livro, e Vera Lúcia Cervi Mattei, responsável por essa bonita história?
Acredito que um dos grandes desafios de um autor ao criar um personagem é não passar nenhuma característica dele. Pode parecer fácil, mas quando se trata de criador e criação, não é. A gente fica tão envolvido na trama que não tem como ser diferente. Pelo menos foi assim que me senti escrevendo meu primeiro livro. Mas, respondendo a sua pergunta, confesso que a timidez e o jeito meio atrapalhado da personagem principal são fortes características da autora. Rsrsrs.

Você já revelou em conversas anteriores que existe a possibilidade da escrita de uma continuação, dessa vez abordando, além do amor entre as personagens, muita ação e aventura. O que você pode dizer em relação a essa ideia?
Sim, claro. Tudo tem seu tempo e a exploração de Arthannya nunca foi esquecida, mas apenas adiada, uma vez que sempre considerei a possibilidade de uma trilogia. Ao finalizar esse primeiro livro eu deixei algumas portas abertas e acho que precisaria mais quatrocentos páginas para descrever todos os encantos e surpresas que esse lugar e seu povo nos reservam. Afinal de contas eu tenho um universo a explorar. Rsrsrs.

Além da continuação da história de Lúcia e Toran, quais são os planos para o futuro da sua carreira literária?
Essa é uma questão que eu quase não penso. Em se tratando de Arthannya, tudo foi acontecendo tão rapidamente que procurei vivenciar cada conquista sem grandes expectativas. Escrever para mim, tem sido um enorme prazer e uma imensa surpresa, já que eu nunca havia me interessado por essa área.
Arthannya é minha primeira obra e eu amei conseguir fazê-la. No momento estou adorando ver a repercussão deste trabalho e dependendo da aceitação dos leitores, me concentrarei na sua continuação. Acredito que quando não estamos muito familiarizados num novo segmento, o mais sensato é diminuir a ansiedade, dando um passo de cada vez.
Mas confesso que ler e escrever diante de uma bela paisagem com uma xicara de café do lado é o meu paraíso idealizado. Rsrsrs.

Em sua opinião, quais devem ser as mudanças no mercado editorial para que os escritores tenham maior facilidade em levar suas obras aos leitores de todo o país?
Inicialmente, precisam dar crédito aos autores brasileiros, que costumam ser bem criativos em tudo que fazem. Acho que essa mudança já vem ocorrendo gradualmente, mas ainda é muito pouco para se tornar ideal. Poderiam acabar com esse pré conceito de que tudo que vem de fora é sempre muito melhor e por fim, ampliar o acesso no que diz respeito as publicações e divulgações para que possamos ser presenteados e envolvidos por ótimas obras literárias.

Jogo Rápido:
Arthannya (Livro): Sonho realizado
Arthannya (Lugar): Futuro
Lúcia: Companheira em todos os sentidos.
Toran: Homem ideal
Amor: O mais poderoso sentimento
Livros: Imaginar... sonhar... e deixar-se envolver.
Escrita: A minha maior descoberta: um tesouro guardado
Futuro da carreira literária: Um grande desejo
Blogs Literários: Refletem nosso trabalho e aproximam o leitor do autor e sua obra

Muito obrigado por conceder essa entrevista, Vera! Fico muito feliz em participar da divulgação da sua obra e espero que você tenha gostado de participar da primeira edição da coluna De Olho Neles de 2014. Para encerrar, deixo espaço aberto para que você mande uma mensagem aos leitores dessa entrevista e possíveis futuros leitores de sua obra. Obrigado!
Agradeço mais uma vez por seu apoio e deixo aqui registrado o meu contentamento por ter participado dessa primeira entrevista.de 2014. Muito obrigada por tudo.
Arthannya é o meu primeiro trabalho como escritora e sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer se eu quiser continuar nessa profissão. E o que começou como um simples hobby, uma relaxante atividade que me fazia esquecer de tudo e de todos (minha família que o diga) rsrsrs, se tornou hoje um livro que está sendo comercializado em vários lugares. E tudo isso porque eu acreditei. E ousei. Então, é isso: acredite em seus sonhos e siga sempre seu coração e nunca esqueça de observar os sinais e os sincronismos ao seu redor. Quando acreditamos em algo bom, o universo conspira a nosso favor.
Eu espero que os leitores apreciem essa história, pela qual tive o maior prazer em escrever. Em Arthannya irão viajar para lugares distantes, irão conhecer pessoas diferentes e irão descobrir que somente os sentimentos fortes e verdadeiros conseguem transpor barreiras. Boa leitura!

5 Comentários

  1. Olá,
    Ainda não conhecia a obra, e verdadeiramente me chamou bastante atenção. Justamente por ser um romance, e uma ficção cientifica, toques dela pelo que entendi.
    Gostaria muito de conhecer esse mundo.
    A Autora eu desejo muito sucesso, muita persistência e sabedoria.
    Também sou um escritor, que um sim, eu creio que as portas vão se abrir, quando menos se esperar.

    Parabéns!
    E até mais,

    Jônatas M. Amaral
    http://alma-critica.blogspot.com/

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  2. Oi, Ricardo!
    Adorei essa coluna, sempre me animo com os novos escritores.
    Gostei da Vera, acho que me identifiquei com ela rs
    E claro, fiquei com vontade de ler essa obra.
    Beijos

    Meu Meio Devaneio
    B

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  3. Oi, Ricardo.

    Não conhecia a autora, mas ele me lembrou uma super professora que tive e me parece que gostei dela por este simples fato. kkkkkkkk

    E gostei de conhecer a obra dela.


    Beijos Fê.
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br/

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  4. Parabéns pela entrevista e parabéns à Editora Dracaena, que acreditou no talento da Vera. Realmente Arthannya é um belo livro. Espero que a criatividade da Vera Lucia cresça ainda mais, para que ela possa construir mais lindas obras.

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  5. Muito massa essa entrevista!!! A Vera Lúcia me pareceu super simpática e bem pé-no-chão. Tive conhecimento esse livro dela aqui no Over Shock, e desde então, achei interessante. Espero que ela consiga ter uma bela carreira na literatura.

    @_Dom_Dom

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