O Sal da Vida, Françoise Héritier, tradução de Maria Alice A. de Sampaio Dória, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Valentina, 2013, 108 páginas.
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Para alguns, a correria do dia a dia não compromete o relacionamento com pessoas e coisas ao redor, no entanto a grande maioria ainda se sente afetada e se esquece de que a vida possui uma simplicidade que nos acompanha constantemente. Por isso que em O Sal da Vida a autora mostra que existem infinitas coisas que dão sentido a nossa vida.

Em sua obra, best-seller em países como França e Itália, a famosa antropóloga Françoise Héritier leva ao leitor um relato simples e cativante sobre coisas que se tornam inesquecíveis ao longo de uma vida. O interessante é que, diferente do que podemos imaginar, a autora não se foca apenas na infância ou em momentos de lazer, por exemplo, mas mostra que até o inimaginável pode reservar momentos prazerosos.

Ao longo da obra, diversos acontecimentos e situações são mostrados como o sal da vida de Héritier, ou seja, aquilo que dá sentido a sua vida. Construir uma maquete ou até mesmo se perguntar onde estava antes do nascimento – e não apenas o que acontecerá após a morte – são exemplos do que fazem a vida da autora valer a pena.

Mas o que é escrito por ela não necessariamente é o sal apenas de sua vida, porque ao longo da leitura, o próprio leitor se identifica e percebe, mesmo vivendo uma realidade diferente e consequentemente com sentidos diferentes, que no fim todas as pessoas são iguais e por isso a essência da vida é a mesma. Ao mesmo tempo em que essa identificação acontece, o leitor busca também encontrar o sal da própria vida, em uma experiência de muita reflexão.

A capa pode enganar e sugerir a existência de uma bela história, no entanto, apesar de não ser uma ficção, não deixa de ser um livro emocionante. Sendo assim, é bem verdade quando os críticos classificam o livro como uma prosa estruturada de forma poética, mas é possível dizer ainda mais: O Sal da Vida é mais do que um livro de autoajuda ou até mesmo uma autobiografia. É um livro singular.

Diferente dos tão questionados livros de autoajuda, o livro pode e deve ser lido sempre que nos sentirmos vazios. Não é um livro para quando estamos à procura de algo que nos ajude, mas para os momentos em que desejarmos encontrar um sentido quando tudo parece dar errado. Isso só poderia acontecer com uma leitura rápida e que contribui para nos encontrarmos através das páginas de um livro que deve lembrado para sempre.

“(...) indagar-se onde se estava antes de nascer em vez de o que se tornará depois de morrer, amassar jornal, cortar figuras e fazer colagens, a emoção das decolagens e aterrissagens, olhar com cobiça os pratos servidos na mesa ao lado, observar as atitudes dos transeuntes e interpretá-las mesmo não sendo psicólogo, esperar alguém no terraço de um café, dizer a si mesmo que é preciso fazer ginástica, lembrar-se, às vezes, de inspirar profundamente (...)” (pág. 29)

18 Comentários

  1. Olá querido adorei sua resenha muito bem escrita. Ouvi falar uma vez desse livro mas não me chamou atenção, quem sabe de pois de ter lido sua resenha eu encaixe ele na minha lista!
    Querido já estou lhe seguindo, você pode retribuir? Grata desde já!

    http://voceeoquele.blogspot.com

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    1. Olá, Giselly. Muito obrigado por sua visita e comentário :) Fico feliz que tenha gostado da resenha e, se tiver a oportunidade de ler, espero que você goste.
      Vou seguir e deixar um comentário no seu blog sim.

      Beijos,

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  2. Mesmo não sendo exatamente um auto-ajuda, O Sal da Vida não é um tipo de livro que eu leria... Rs.
    Abraço,
    Vinícius - Livros e Rabiscos

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  3. Verdadeiramente, a capa pode nos enganar, como me enganou um pouco.
    De inicio achei se tratar de um romance, ou algo assim.
    A capa é linda, e depois de ler um pouco mais sobre o livro achei mais linda ainda.
    O Sal da vida, sempre acredito que nós somos sal, logo, nós precisamos salgar... Não sei explicar isso de ma forma sucinta, porém, enfim... vejo que talvez esse livro nos ajude muito a ver, entender tais coisas.
    Achei o livro uma beleza só.
    Ainda mais, lendo uma resenha como essa, vejo o quanto esse livro pode ser especial.

    Jônatas Amaral
    http://alma-critica.blogspot.com.br/

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    1. Que bom que gostou da resenha, Jônatas! Posso dizer também que gostei muito da sua visão do "sal da vida", mesmo sem ler a obra. Amanhã vou publicar na fan-page do blog uma imagem com o "sal da minha vida". Espero que você gosta e claro, se quiser, escreva algo semelhante.

      Abraços,

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  4. Ola
    Gostei da resenha u não conhecia esse livro, mais pelo que você escreveu me deixou curiosa, para mim deve ser boma a leitura desse livro porque muitas vezes eu tenho um sentimento de vazia, como se eu não foce conseguir alcançar o que eu quero.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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  5. Oi, Ricardo.
    Nossa, que gracinha! Não conhecia o livro, mas só pelo título já vi que deve ser uma delícia de ler.
    Essa questão de ter uma leitura para nos basear quando nos sentimos de determinado jeito é muito gratificante,
    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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  6. Se eu visse esse livro na livraria compraria porque a capa é bonita, achando que é um romance docinho. huahauhauuahua
    Nunca ia imaginar que era auto ajuda :O
    Apesar de não ler o gênero, achei interessante.
    Acho que esse eu vou ler!
    Beijinhos,
    Paula
    http://www.interacaoliteraria.com/

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    1. Paula, como disse em outro comentário, acho que o melhor seria classificar "O Sal da Vida" como um livro de memórias, já que a autora lembra de vários momentos da sua vida. De qualquer forma, mesmo não lendo o gênero, espero que você goste e encontre o sal da sua vida.

      Beijos,

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  7. Sério. Eu achava que esse livro se tratava de um romance, talvez pela imagem da capa. Eu até tinha me interessado por causa disso, mas agora que você disse que ele não se trata de uma ficção, fiquei com um pé atrás, ou melhor, fiquei mais curioso. Já vi outros blogueiros falando bem desse livro, e isso me deixa com mais vontade de ler "O Sal da Vida", mesmo que se trate de uma espécie de não-ficção. Talvez em breve eu leia. ótima resenha, e feliz 2014 :D

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  8. Oi, Ricardo!
    Nossa.
    Essa capa também me enganou, pensei se tratar de um romance ou algo similar. Apesar de não ter o costume de ler livros de autoajuda, senti um diferencial neste livro e o leria sem dúvidas.
    Achei extremamente interessante o "sal da vida" abordado na obra e em sua resenha.

    Beijo

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    1. Olá, Sofia! Muito obrigado por seu comentário :)
      Acho natural se enganar com a capa (apesar de achá-la muito simpática e bela), e de fato é um livro bem diferente. Como digo, ele é mais do que um livro de autoajuda e talvez o melhor seria classificá-lo como um livro de memórias. Espero que você tenha a oportunidade de ler e goste.

      Beijos,

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  9. Oi Ricardo! Olha, eu sinceramente não tenho nenhum problema com autoajuda e já li alguns muito bons, por isso, leria O Sal da Vida com certeza! Interessante saber que é emocionante e singular, gostei muito da tua resenha e espero ler esse livro um dia.

    Um abraço =)
    Lara - Magia Literária

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  10. Olá Ricardo!!
    Parece ser um livro super bacana, gosto de livros que nos fazem refletir e ao mesmo tempo é emocionante!! Gostei bastante da capa dele, mas acho que ela engana um pouco o leitor em relação ao enredo!!!
    Espero poder lê-lo!

    Beijos!

    Juh

    http://meudiariojk.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Jullyane. Obrigado por seu comentário :) Livros que nos fazem refletir são realmente especiais, ainda mais nesse caso, em que o leitor se identifica com "as memórias da autora".
      Caso consiga ler, desde já desejo uma ótima leitura.

      Beijos,

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  11. Oi, Ri. Gostei muito da sua resenha e inicialmente pensei que a obra se tratasse de um romance. Juro! E, bom, não posso deixar de comentar que achei a obra, pelo que você disse, um pouco sem sal. Meio sem graça, sabe? Mas acho que isso é questão do momento em que estou.
    Enfim, boa resenha. E a capa é bonitinha.

    Um beijo!
    Doce Sabor dos Livros - Aguardo sua visita!

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  12. Oi, Ricardo.

    Não conhecia este livro, mas fiquei interessada a partir de sua resenha. Gosto de livro que me ensina algo e este parece ser o caso, podemos vê-lo com um simples livro de alto-ajuda, mas sei que tem muitos bons por ai.

    Beijos
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br/

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  13. Quando vi esse livro, imaginei que era um romance, e já não tinha me agradado tanto. Agora que vi que é um autoajuda/autobiográfico, percebi que não rola. Por mais diferente, emocionante e com cara de ficção que ele possa ter, não me agradou.

    @_Dom_Dom

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