A Corte do Ar, Stephen Hunt, tradução de Alberto Simões, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ: Saída de Emergência Brasil, 2013, 544 páginas.
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Apesar de já ser um subgênero antigo, o steampunk está chegando com força ao Brasil apenas agora. Mas já na década de 70, quando os grandes clássicos do estilo surgiram e passaram a conquistar legiões de fãs, o steampunk é marcado pelo uso de características da Era Vitoriana em um cenário por vezes futurístico. Isso se manteve até Stephen Hunt revolucionar com uma Inglaterra alternativa em seu livro A Corte do Ar.

Testemunhar um assassinato no bordel em que foi colocada como aprendiz marca apenas o início da nova vida de Molly Templar, que volta para o orfanato em que vivia até então e, coincidentemente, encontra todos seus amigos mortos. Isso mostra para ela que, na verdade, era o verdadeiro alvo do assassino e só se livrou da morte por não estar presente. Molly então passa a fugir para evitar ser a próxima vítima, ainda que não saiba o que tem de tão especial para ser caçada dessa forma.

Já Oliver Brooks é acusado de assassinar o próprio tio, seu único familiar vivo. A exemplo de Molly, Oliver foge na companhia de Harry, um misterioso agente da Corte do Ar, e ambos são perseguidos por várias pessoas dispostas a tudo para cercá-los. Não demora muito para Oliver entender o que de fato aconteceu com sua vida, mas aos poucos Molly e Oliver se aventuram ao lado de vários seres em uma história repleta de ação, magia e conflitos políticos e culturais.

“Oliver não conseguia desviar os olhos daqueles destroços humanos: corpos que um dia riram, choraram, caminharam e viveram não passavam agora de sacos de carne, sem qualquer vestígio daquilo que fizeram deles humanos. Como isso podia ser possível? Num momento, seres cheios de vida com esperanças e sonhos; no outro, nada, depósito para um fundo nascido de feitiçaria” (pág. 208).
O charme do steampunk é capaz de encantar sem muito esforço, por isso que a maneira como a história se inicia, apresentando Molly e a rotina da garota após sua vida mudar radicalmente, já parece ser o início de uma história encantadora. O surgimento de Oliver, e posteriormente das primeiras tecnologias, aparenta o mesmo, porém nem tudo é como imaginávamos antes de iniciar a leitura.

Todo o encanto com os primeiros personagens desaparece quando nos aprofundamos de todo o universo de A Corte do Ar. Como desconhecemos o que foi criado pelo autor, consequência de um cenário alternativo, os elementos fantásticos, as diferenças entre os povos e principalmente os conflitos políticos, fundamentais para a sequência da história, acabam deixando-a confusa.

Surge então uma nova reviravolta quando já estamos familiarizados com esse mundo alternativo. Saber a diferença entre todos os tipos de personagens e seus respectivos interesses torna tudo mais agradável, afinal, a obra deixa de ser confusa para se tornar um ótimo exemplo de uma ficção-científica capaz de agradar todos os fãs do gênero. Um livro de muita ação e elementos científicos diferenciados!

Ao mesmo tempo em que isso acontece, os motivos que fizeram o escritor ser considerado um revolucionário passam a ser destacados pela originalidade do enredo, que torna em casamento perfeito a união de seres mágicos e elementos tecnológicos. Além disso, existe a cultura dos diferentes povos e por último, mas não menos importante, a escrita de Hunt que é um diferencial, apesar de ser muito descritiva e isso tornar a leitura bem lenta e às vezes até cansativa.

Como primeiro livro de uma série, A Corte do Ar peca por não ser suficientemente bom para agradar gregos e troianos, já que apesar de cumprir tudo o que promete (aventura, ação e originalidade), o livro acaba sendo inferior ao esperado. É inegável a criatividade do autor, e como esse conseguiu estruturar uma história original e com protagonistas marcantes e tão bem caracterizados, mas muitas vezes uma agilidade maior, sobretudo quando se trata de ação, torna um livro mais cativante.

Já que a grande parte dos personagens não passa de seres essenciais para a cena, no entanto pouco marcantes para a obra em si, o livro acaba ganhando pontos apenas pelo cenário tão diferente e encantador, que até possui um tom lúdico em vários momentos. Apesar de ser uma obra repleta de aventuras e ação, o que costuma ser muito bem-vindo, no fim chega um momento em que o desespero de concluir a leitura é maior do que a ansiedade pela continuidade da mesma. Pela originalidade da obra dá para esperar pela continuação, mas dessa vez sem qualquer expectativa, o que pode resultar em uma experiência muito mais proveitosa – e em uma leitura mais rápida e menos cansativa.

“A cabeça do cantor do mundo subiu e o sangue começou a gotejar de suas narinas, ao mesmo tempo que a mente daquela criatura selvagem forçava a passagem para o seu cérebro, investindo contra ele. Ambos os braços do feiticeiro foram imobilizados por um guarda e uma mão cobriu a sua boca para impedi-lo de gritar” (pág. 269).

14 Comentários

  1. Oiii
    Estou com esse livro na estante e já ouvi muitas maravilhas sobre ele. Não sei ainda se me renderei ao gênero steampunk, mas quero pagar pra ver rs
    Fiquei um pouco receosa depois da sua resenha, mas ainda acho que posso tentar.
    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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  2. Acho bem legais as resenhas dos livros que você faz, são livros que pelo menos para mim são desconhecidos, aproveito para incluir na minha lista que só aumenta cada vez mais (Rsrsrs). Resenha mara como sempre, você escreve muito bem.

    http://voceeoquele.blogspot.com.br/2014/01/news-literarias-autores-parceiros_14.html

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  3. Estou com grandes expectativas para esse livro, mas sua resenha me deixou mais atento e que posso encontrar algo não como o esperado. Eu acho que se investido bem aqui no Brasil, o gênero steampunk pode lucrar e muito, mas poucas editoras estão publicando título do estilo. E bem, só não comprei ainda 'A Corte do Ar" por causa do preço salgado nas livrarias, então vou esperar o preço baixar para conferir. Ótima resenha, fiquei mais curioso ainda com esse papo do autor juntar seres fantásticos com tecnologia.

    Abraços,
    - pensamentosdojoshua.blogspot.com

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    1. As opiniões estão bem divididas, Joshua, por isso aconselho que você leia o livro sem muitas expectativas. Conhecendo seus gêneros favoritos, acho que é possível dizer que vai gostar dessa união entre elementos mágicos e tecnológicos. Pelo menos espero, já que não é nada legal a sensação de ler e não sair do lugar, por exemplo :(

      Abraços,

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  4. Eu não conhecia esse livro, acabo de incluí-lo na minha lista!
    Gosto muito do blog.
    http://cantinhos2livros.blogspot.com.br/

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  5. Essa não é a primeira resenha negativa que leio desse livro, infelizmente o livro não teve uma boa avaliação e a maioria das pessoas fala da narrativa pesada e maçante. A edição ficou linda, tive a oportunidade de ver em uma livraria, mas a história não é tão boa quanto. Não tenho vontade nenhuma de ler!

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Você tem razão, Inês: infelizmente o livro recebeu muitas críticas negativas. Estava muito ansioso por ele e não aproveitei a leitura, o que nunca é legal. Mas uma coisa também é certa: a edição é muito bonita e tenho certeza que muitos vão comprar o livro apenas por isso. Só espero que aproveitem mais.

      Beijos,

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  6. Oi Ricardo! Quero muito ler esse livro, mas agora fiquei um pouco receosa, por isso vou tentar não ter muitas expectativas para que ele não seja inferior ao esperado.
    Parabéns pela ótima resenha!
    Um abraço

    Lara - Magia Literária

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  7. Oi.

    Gosto desta capa, mas não sei se vou chegar a ler este livro. rs sei lá parece-me que não agradaria muito.

    Beijos
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br/

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  8. Conhecia pouco sobre esta obra.
    A divulgação dele foi interessante e tudo mais. A capa me lembrou muito, elementos de "A bussola de ouro", mas "nada ver tio" kk não conheço muita coisa do gênero, na verdade nunca tinha visto esse termo, obrigado por me apresentar.
    O livro parece ter uma premissa interessante, os conflitos e tudo mais. Gostaria de dar uma chance para sua leitura, quem sabe. Um livro que pode ser interessante!
    Uma ótima resenha Ricardo!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  9. Quando ouvi falar de "A Corte do Ar", fiquei imediatamente interessada. Esse universo steampunk que vem cobrindo o mercado brasileiro como outras febres anteriores (distopias e blablabla) tem ganhado minha atenção. Mas foi só depois de ler a revista Bang! que eu fiquei realmente ansiosa pela leitura.
    Infelizmente, não me parece ser um livro prático de se ler e algo que eu evitaria no momento; ainda assim, sua ressalva pelo cenário e proposta inusitadas (afinal, ele foi revolucionário no gênero) mantiveram meu interesse pela leitura, mas em algum momento futuro.
    Eu adorei a resenha e, sem dúvidas, me fez reavaliar A Corte do Ar na minha fila de preferências; mesmo assim, sei que será uma leitura sem igual e só espero encontrar o momento certo para ler e me divertir e encantar com esse mundo vitoriano e tecnológico.
    Parabéns!

    Beijos,

    Only The Strong Survive

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  10. Eu sou fã do gênero steampunk, e concordo com você quando fala que o charme do gênero não precisa muito para encantar. Me pareceu que esse livro é bastante denso e cheios de detalhes e, se o leitor não estiver 100% alerta, acaba perdendo o bonde. Uma pena que, às vezes, a leitura torna-se cansativa, e isso é um erro grave para tramas que prometem muita ação e aventura. Tentarei ler, mas já irei sem grandes expectativas.

    @_Dom_Dom

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  11. Oi guri.
    Nas minhas mãos está Alma? um livro do mesmo estilo steampunk o qual não conhecia realmente e fiquei entendendo após ler algumas resenhas explicativas , acredito que vou adorar.
    Antigamente era uma guria que amava esse modo de se vestir diferente de modo mais vitoriano , por isso minha grande fascinação por esse gênero e não preciso dizer que sua resenha já pôs esse livro na minha lista de desejados xD
    Espero me divertir demais com a leitura qualquer coisa venho puxar sua orelha xD

    http://romances-para-te-fazer-feliz.blogspot.com.br/

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    1. "Alma?" é fantástico, Carol! Tenho certeza que você vai gostar e se apaixonar pelos personagens e pela escrita da autora *-* Em relação "A Corte do Ar", ele pode não ser tão incrível como o livro da Carriger, mas continua sendo steampunk e esse gênero é muito bom.
      Espero que você goste e aproveite mais do que eu, claro.

      Beijos,

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