Com mais de 600 milhões de livros vendidos no mundo todo, Sidney Schechtel está entre os escritores mais lidos de todos os tempos, ficando a frente de grandes fenômenos editorais e de vários dos mais importantes nomes da história da literatura. Mas não apenas os livros o levaram a ser conhecido e reverenciado por várias gerações.

Filho de descentes de judeus alemães e russos, Sidney Sheldon, como mais tarde ficou conhecido, nasceu em Chicago em 11 de fevereiro de 1917 e estudou em uma escola de Denver, no Colorado, antes de frequentar a Universidade Northwestern. Sheldon não chegou a concluir o curso universitário, mas antes disso, durante a Grande Depressão, exerceu diversas funções para ajudar a família a se recuperar da crise que assombrou os Estados Unidos na década de 30. Também nessa época, vítima de um transtorno bipolar, tentou se suicidar.

Antes de iniciar seus trabalhos ficcionais, o futuro escritor participou de composições musicais e vendeu uma de suas letras, no entanto desistiu da ideia e não demorou muito para chegar a Hollywood. Na capital mundial do cinema, Sidney Sheldon marcou seu nome na história antes mesmo de se dedicar aos livros que lhe garantiriam um espaço entre os gênios da literatura.

Em Hollywood, Sheldon dedicava seu tempo à leitura e resumo de roteiros, facilitando a vida dos produtores de cinema. Convivendo com os principais nomes da sétima arte, em uma época em que o cinema crescia sem precedentes, não demorou a escrever seus próprios roteiros. No início seus textos foram rejeitados, mas rapidamente teve o roteiro de South of Panama, escrito em parceria com Ben Roberts, filmado e lançado em 1941.

Apesar de ser contratado como roteirista de uma produtora, Sheldon permaneceu apenas um ano no cargo e não teve seu contrato renovado. Na mesma época, já durante a segunda Guerra Mundial, se alistou no exército e foi treinado como piloto, no entanto acabou sendo impedido de servir devido a uma hérnia de disco. Após isso Sheldon já iniciou uma série de trabalhos inesquecíveis para a época.

Para a Broadway, foi o responsável por vários roteiros, incluindo uma nova versão de A Viúva Alegre, enquanto no cinema escreveu o roteiro de The Bachelor and the Bobby-Soxer, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro em 1947. Na época Sheldon já era uma figura consagrada, o que não impediu que outros roteiros fossem rejeitados antes que finalmente voltasse a conquistar a crítica e o público com o filme You’re Never Too Young, conhecido no Brasil como O Meninão.

Chegou a atuar como diretor de cinema de dois filmes, mas em ambas as oportunidades foi alvo de muitas críticas. Posteriormente, de volta a Broadway, ganhou o Tony Awards de Melhor Musical com o roteiro do musical Redhead, em 1959.

Após muitas críticas, mas também elogios, tanto no teatro como também no cinema, Sidney Sheldon foi convidado a escrever roteiros de programas televisivos. Foi assim que surgiram as séries The Patty Duke Show, Casal 20 e a série de maior sucesso: Jeannie é um Gênio, transmitida pela NBC entre 1965 e 1970 e ganhadora de um Emmy.

Ainda em 1970, então com 53 anos, Sidney Sheldon estreou na literatura com o romance A Outra Face, considerado pelo The New York Times como o melhor livro de suspense do ano. O livro de estreia de Sheldon como escritor chegou ao Brasil já em 1972, publicado pela Editora Record, e desde então ele passou a ser admirado também pelos brasileiros, também fascinados pelo suspense de suas obras repletas de intrigas, assassinatos e vinganças.

Após seu primeiro trabalho literário, o escritor não deixou mais de escrever romances e assim surgiram dezoito obras, que se tornaram grandes sucessos editorais. Entre seus principais livros estão O Outro Lado da Meia-noite (1973), Se Houver Amanhã (1985) e O Reverso da Medalha (1982), considerado por muitos o melhor livro do escritor e que chegou a ser adaptado para a televisão na década de 80 com a série Master of the Game.

Mesmo com o todo o sucesso de vendas, Sheldon também recebeu inúmeras críticas ao longo de sua carreira literária. As críticas, que retratavam a falta de méritos em sua obra, não foram suficientes para ofuscar o estilo do escritor, que presenteou seus leitores com obras retratando personagens femininas que fariam história, como a protagonista de Se Houver Amanhã: Tracy Whitney.

Ao visitar o Brasil, em 1990, para o lançamento de Lembranças da Meia-Noite, o escritor disse em uma entrevista que escrevia sempre partindo de uma personagem e não de uma estrutura pré-definida. Além disso, Sheldon sempre visitava os locais que seriam cenários para seus livros, pois achava que não poderia passar uma mentira aos leitores.

Sidney Sheldon publicou uma autobiografia, intitulada O Outro Lado de Mim, em 2005, onde relatou lutar contra a depressão. O escritor faleceu dois anos mais tarde, em 30 de janeiro de 2007, aos 89 anos, após uma forte pneumonia que agravou sua saúde. Os anos se passaram e, para os fãs, a saudade por novas obras do escritor americano é quase inevitável, mas seus próprios familiares convidaram Tilly Bagshawe para escrever novos livros com a marca Sidney Sheldon, surgindo assim quatro obras, incluindo A Senhora do Jogo, continuação de O Reverso da Medalha. Dessa vez forma, o escritor traduzido em mais de 50 idiomas e com livros vendidos em 180 países, ficará marcado eternamente na cabeça e nos corações de leitores responsáveis por transformá-lo em um Imortal da Literatura.



“Acho ridícula essa hipótese dos meus livros favorecerem o capitalismo. Não escrevo contra ou a favor de nada, mas sobre pessoas. Neste mundo em que já temos tantos problemas, entendo que se for possível gerar momentos, horas ou dias de esquecimento, isso é maravilhoso. Não vejo razão para insistir no sofrimento se se pode dar um pouco de paz e descanso. Não sou um intelectual. Sinto-me relacionado com aqueles homens das cavernas que ficam contando hist6rias. É só” – Sidney Sheldon em entrevista a Juremir Machado da Silva.
Sidney Sheldon - ☆ 18/02/1917 - ✞ 30/01/2007

7 Comentários

  1. Oi Ricardo!
    Não sabia a data dele..Tenho vontade de ler mais livros dele, pois só li um até hoje. A narrativa dele é ótima, os mistérios são sempre bem articulados,pelo menos é o que vejo dizerem e o que eu percebi no livro que li.

    Abçs!
    Ensaios de uma Leitura

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  2. Sou louca pelo Sidney. Li muitos livros dele e já vi Geanie é uma gênio.

    Beijos,
    Carissa
    www.carissavieira.com

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  3. Oi, Ricardo.

    Não li nada do Sheldon, até hoje, mas minha irmã lê e me falou que são ótimos os livros dele.
    E como vemos por trás dos grandes sempre tem um "q" de desafios e problemas pessoas dos grandes, mas o que vi em seu texto é que ele soube lutar e superar tudo que lhe aconteceu em sua vida e alcançou o sucesso. Criticas todos nos recebemos.

    Beijos

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  4. Nossa, que demais essa coluna!
    Acho que não há ninguém que não adore Sidney Sheldon. Muito legal mesmo saber um pouco mais sobre ele.

    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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  5. Olá Ricardo,
    Ainda não li nada do Sheldon, apesar de já ter tido vários livros dele na estante, emprestei e nunca voltaram. Mas gostei muito de conhecer mais sobre o escritor, pelo menos da sua vida.
    Quero conhecer bem sua obra. Afinal ele é um mestre da literatura.
    Gosto muito da coluna.
    Parabéns!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  6. Ricardo!
    É um dos meus autores favoritos, mesmo os livros para adolescentes, que não são taõ bons quanto os adultos, são maravilhosos!
    Bom poder saber um pouco mais sobre ele.

    Agradeço a visita e comentário feito no blog. Volte sempre!
    Desejo um final de semana de muita paz!
    cheirinhos
    Rudy
    Blog Alegria de Viver e Amar o que é Bom!
    “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.”(Carlos Drummond de Andrade)

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  7. Eita que a vida de Sidney Sheldon não foi nada fácil, hein?!?! Ainda bem que, apesar das críticas que ele recebeu, ele nunca desistiu, e escreveu esses livros que tanto gostamos. E se mostrou um multi-talento também. Já li dois livros dele, e espero ler mais alguns.

    @_Dom_Dom

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