"Se você quer ser um advogado você estuda.
Se você quer ser um engenheiro você estuda.
Se você quer ser um escritor por que você
quer escrever só com o coração?" - Edson Rossatto
Então um dia você acordou inspirado, crente de que as forças do universo deram-no a capacidade de sincronizar o seu âmago com as palavras e disse para si mesmo "eu vou escrever um livro!"

Ou quem sabe você leu vários trabalhos nacionais e internacionais, de Drácula ao Crepúsculo e acredita que tenha o que tudo que precisa é escrever com paixão, trazer emoção e tudo vai dar certo. Seu público vai sonhar tanto quanto você sonhou nas madrugadas em claro com o seu exemplar de Harry Potter e dado essa sua experiência, você disse "eu serei um escritor!".

Ou o caso que mais espero que aconteça: você confia na credibilidade desse blog ou na minha e resolveu aprender comigo as técnicas de escrita. Se não for isso, deve ter pesquisado no Google e veio parar aqui.

Portanto seja você o ator de teatro que acha que todo livro é um vômito das ideias de autores perturbados, um aspirante a escritor com a cabeça nas nuvens e sem os pés no chão ou ainda aquele sujeito humilde e ciente que escrever exige técnica certa para expressar aquilo que deseja e alcançar as metas do mercado referentes a leitores, vendas e divulgações... seja bem vindo!

Aqui no quadro Oficina eu procurarei dizer um pouco sobre o que é ser um escritor e o que fiz para chegar até onde cheguei. Para isso, vamos estudar conceitos, técnicas e ver como anda o mercado nacional.

Pronto? Então vamos lá.

O mundo atualmente passou por mais de 2 mil anos de civilização. Temos mais de 100 países e 7 bilhões de pessoas no mundo. A pergunta que você tem que se fazer é "por que quero ser escritor e por qual motivo as pessoas lerão o meu livro?"

Difícil? Então vamos por partes:

Por que ser um escritor: você tem um motivo para querer ser escritor, ainda que não tenha parado para pensar. E não é por você ler muito. Se for assim, você deveria ser cantor e ator, já que provavelmente ouviu muita música e assistiu a muitos filmes, seriados e novelas.

Você quer se expressar? Se abra mais com os seus amigos e faça um curso de teatro. Você quer que as pessoas leiam a história que você tem em mente? Abra um blog e poste. Você quer fama, dinheiro e ser reconhecido? Então seja jogador de futebol.

"Uma editora não vive de vento nem da boa vontade
de seus trabalhadores. Vive de grana. Considerando que o fato
de publicar um livro não custa barato, é normal que
se espere algum retorno financeiro. E só se consegue retorno
com produtos comercialmente viáveis" - J.M. Trevisan
Estou tentando jogar esse balde de água fria para ver quem aguenta. Se você não gosta do que estou dizendo, se prepare que há coisas piores. Editores e revisores são pessoas que possuem um cargo superior ao seu e mais tempo de experiência no ramo. Logo eles não ligam para o seu inflamado eguinho de artista na hora de dizer coisas como "mude o começo/meio/fim" ou até "não está bom para publicar. Não vai vender" e eles não estão errados em bater a porta na sua cara. Eles têm reputação a zelar e não podem se dar ao lixo de publicar as anotações de um jovem maconheiro anti social que não vai nem na festa de lançamento do próprio livro. Profissionais da área como o nome diz, têm como profissão viver disso. E quem vive de sonhos é padeiro.

Podemos retomar? Então vamos lá:
Você em algum momento decidiu ser escritor. Eu vou usar como exemplo um que conheço bem: eu mesmo.

Gostava de ler livros e HQs quando era adolescente assim como assistir a desenhos, seriados e filmes. E várias vezes pensava em costurar várias coisas para ser roteirista de uma HQ. Ou seja, eu já tinha em mente um motivo para escrever: fazer homenagem às obras que marcaram a minha vida.

O tempo foi passando e vi que não ia arrumar equipe. Mas não queria desistir e abri mão de uma mídia (HQ) para a outra por ter um objetivo um pouco mais formulado e sonhador: acreditar que as histórias que eu pudesse criar valeriam a pena de serem lidas e quiçá, apreciadas.

E creio nisso até hoje.

O que mudou desde a noite em 2007 quando comprei um caderno e passei a escrever para os dias atuais: primeiro aprendi que é preciso técnica para se expressar. Até um xamã tinha os seus trejeitos para contar histórias a beira da fogueira nos tempos antigos. Então por que não estudar? Segundo eu aceito que nem toda história minha vá ser publicada. Não vou perder alguns anos da minha vida revisando o mesmo conto quando posso escrever outros. E terceiro, ainda não deixo o meu lado sonhador. Só que ele é suplantado pelo lado técnico, que dá ferramentas para o outro aparecer.

Com os preços que as editoras precisam investir,
acham que elas publicam qualquer coisa?
E porque as pessoas devem ler o seu livro? Veja bem: não estamos falando de comida, água, eletricidade, teto e outras coisas essenciais para sobrevivência. Ainda mais no Brasil, país que diz abrigar várias culturas e sempre valoriza mais o que vem de fora. Em horas como essa, é preciso pés no chão e ouvidos atentos. Uma vez fiz a avaliação do texto de uma amiga e ela ficou furiosa por eu alegar que o texto dela não começava bem. A garota rebateu alegando que livros como Eragon começavam ruins e outros como o sétimo volume da série Artemis Fowl iam de mal a pior. Só que ela não aceitava o fato que as editoras nacionais visam lucro. E é mais fácil pegar uma obra estrangeira para traduzir e revisar do que dar uma chance a um compatriota só por ele ser da mesma terra que você.

No meu caso: procuro participar de antologias de contos não só pelo desafio que elas oferecem e também não só pela oportunidade. Quero que as pessoas vejam o meu estilo de escrita, a forma como trabalho um tema e como posso ser versátil de ter um tema dentro de outro (como S. Sheldon fez em Juízo Final, colocando romance em uma ficção). Aí quando lançar um livro solo espero ter um nome sólido no mercado e não dependerei que as pessoas conheçam a minha pessoa para comprar os meus livros.

Espero ter exposto um pouco do que é e como é ser um escritor no Brasil globalizado do séc. XXI. Na próxima postagem vou falar sobre o que o "segredo do sucesso" e já começar a tratar de métodos básicos de escrita.

Obrigado a todos (as).


Sobre o Autor
Davi PaivaDavi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera, Sopa de Letras, Amores (Im)Possíveis, Mentes Inquietas e Livre Para Voar todas da Andross Editora.

Contato: davi_paiv@hotmail.com.

11 Comentários

  1. Adorei o post.
    Adoraria escrever um livro, mas ainda não me sinto preparada. Comecei com contos até me sentir segura para ir em frente, embora tenha duas histórias começadas.
    É por essas e por outras que admiro os escritores.
    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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  2. Putz! Com 18 anos você já publicava, eu com essa idade morria de medo de mostrar meus escritos. Boa argumentação a sua, nosso pais é no minimo lento (em vários âmbitos rs). Abraços.

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  3. Oi.

    Gostei muito da matéria, até mesmo porque a Soraya se sentiu mais segura para publicas seus textos, contos e até mesmo publicar um livro, coisa que já disse a ela que só a deixarei em paz quando o fizer. rs

    Uma super matéria parabéns.
    Beijos

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  4. De fato participar de antologias e concursos é o melhor caminho. Porque a menos que a pessoa tenha as costas quentes, todo mundo vai querer saber quem é a pessoa e de onde ela veio antes de comprar qualquer livro que seja. E só pra lembrar: Se você é BRASILEIRO, prepare-se pra ser desvalorizado durante muitos e muitos anos antes de conquistar seu lugar ao sol. Ou então fique famoso em outros países, ai sim o público do seu próprio país vai se interessar por seu trabalho. eheheheh

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  5. Primeiro: Adorei a resenha!
    Gostei de ler o li, pelo fato de poder entender e abrir meus horizontes de certa forma. Quero ser um escritor, tenho motivos para isso, como você disse de alguma certa forma temos.
    Vejo, para se realizar isso, como tudo na vida, exigi trabalho, aprendizado, e me orgulho de dizer que já percebi isso estudo e pratico, pra cada vez tentar melhorar.
    Quando se falou das Antologias eu fiquei refletindo, pois estava pensando qual seriam as vantagens de participar delas, o que me animou.
    Gostei muito, vou acompanhar todos os posts.

    Obrigado!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  6. Haha Eu estava ansiosa pela estreia da coluna.
    É bastante difícil aceitar essa realidade no Brasil, quer dizer, não só no Brasil. Até porque em qualquer lugar do mundo há problemas para um escritor publicar seu livro. A maioria das editoras ao selecionarem um livro para ser publicado, o escolhem porque, obviamente, sustentam a ideia de que ele vai ser bastante vendido. Na minha opinião, muitas vezes esses livros tem histórias clichês e são muito comerciais. É claro que eles vão escolher um livro que sabem que irá lucrar, do que uma ideia não-comercial duvidosa.
    (me desculpe se falei alguma besteira :P)

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  7. Ótimo post! Acho que a intenção de "jogar um balde de água fria" em quem quer ser escritor deu certo hahaha Se já é difícil lançar um livro de sucesso lá fora, aqui é muito mais; já que até as editoras às vezes valorizam mais o que vem de fora... Acho que muita gente daqui do Brasil desiste de lançar seu livro por causa dessas dificuldades. Mas eu ainda acho que o melhor "treinamento" (se é que existe algum) pra ser um bom escritor é ler bastante e participar de antologia, como você mesmo faz.
    =)

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  8. Bom tenho alguns textos escritos e realmente tudo o que você é verdade, não é um caminho fácil ainda mais no Brasil, são muitas editoras e muitos mais autores tentando seu lugar ao sol, é preciso ser foco e disciplina, estudar sempre, é um processo longo a escrita de um livro, é algo para quem estiver disposto a ouvir muitos "nãos" e saber que é como um jogo na loteria pode dar certo ou não, ninguém tem uma fórmula mágica, vida de escritor tudo pode acontecer.

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  9. Eu tenho algumas coisas escritas também. Mas acho que ainda não estou pronta para compartilhar. Tem tantos autores brasileiros que escrevem de maneira brilhante que não são reconhecidos hoje em dia. Infelizmente essa é nossa sociedade.

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  10. Palavras fortes, mas verdadeiras, Davi!
    O problema é que, muitas vezes, as pessoas acham que é muito fácil lançar algo, e que após lançar, será fácil vender. Nada como uma coluna como essa pra dar esse "choque de realidade" nos desavisados e sonhadores de plantão. E outra coisa, uma pessoa nem lançou o livro, e já quer se comparar com a galera que já faz sucesso... sei não, viu?!?!?! #Simancol

    @_Dom_Dom

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