Manuscritos do Mar Morto, Adam Blake, tradução de Camila Fernandes, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito, 2013, 480 páginas.
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As mais antigas religiões do mundo são peças fundamentais para o entendimento de nossa própria história, mas isso não significa que elas estão livres de polêmicas e de segredos. A existência dessa característica tão particular das religiões é motivo também para a curiosidade despertada por livros como o thriller Manuscritos do Mar Morto.

Enfrentando um momento difícil em seu trabalho, a sargento Heather Kennedy está envolvida na mais enigmática investigação de toda a sua carreira. Após a morte de um professor ser apontada como um acidente, a autópsia revela mistérios que levam Kennedy ao assassinato de outros historiadores que trabalhavam no estudo de um antigo manuscrito do início da Era Cristã.

Após investigar e não sair do lugar, Kennedy conhece o ex-mercenário Leo Tillman, que nos últimos treze anos busca por informações do desaparecimento de sua esposa e seus três filhos. A união de Kennedy e Tillman acaba os levando a uma antiga sociedade que está completamente ligada as mortes e também aos manuscritos encontrados no Mar Morto em 1947, que podem revelar as verdades sobre a morte de Jesus.

Unidos em uma investigação entre Londres, o Arizona e uma cidade fantasma no México, Kennedy e Tillman precisam enfrentar uma série de problemas e tensões antes de tentarem encontrar o desfecho desse misterioso caso.

“Pessoas eram importantes para Tillman. Ele podia se esconder no meio da multidão, assim como o homem que ele estava procurando. Isso tornava Magas tanto atraente como perigosa. Se sua presa estivesse aqui, o que ele admitia ser uma aposta arriscada, não havia muitos lugares onde poderia se esconder. Mas o mesmo valia para Leo se as coisas dessem errado” (pág. 29).
Logo que chegou ao mercado editorial, o livro escrito por Mike Carey sob o pseudônimo Adam Blake foi comparado com “O Código da Vinci” (Ed. Arqueiro – 2004), maior sucesso do escritor Dan Brown. As comparações não só são aceitáveis, como também inevitáveis já que ambos tratam de temas semelhantes e possuem a mesma forma de apresentar um enredo.

Apesar dos livros de Brown possuírem uma complexidade muito maior, a semelhança existe na união de dois personagens até então desconhecidos, pela ação de tirar o fôlego, e os segredos que, se revelados, podem mudar radicalmente a história da humanidade. Mas, a principal semelhança está no já citado tema, que trata de figuras enigmáticas, e na forma como os autores unem de forma convincente ficção e realidade.

Dan Brown é um dos grandes gênios da atual literatura mundial, por isso é impossível compará-lo com qualquer autor. Sendo assim, as semelhanças terminam por aí e Manuscritos do Mar Morto passa a ganhar a singularidade que o tornou um livro tão bom.

Uma das principais diferenças é que o livro não possui apenas capítulos curtos e, ainda no início, nem todos revelam surpresas e possuem uma relação com o que está sendo narrado. Apesar disso, a leitura continua sendo agradável e aos poucos tudo passa a ganhar um sentido conforme os personagens, tão bem caracterizados, passam a agir em busca da verdade.

Não dá para negar que os capítulos sobre os antagonistas dessa história são mais confusos e até lentos, no entanto os protagonistas fazem valer a pena essa leitura, principalmente a sargento Heather Kennedy, responsável por toda a investigação, que envolve os crimes e os segredos relacionados a eles. Além disso, Kennedy é bem diferente das demais investigadoras conhecidas na literatura e sua relação com o ex-mercenário Leo Tillman também não fica longe. Personagens marcantes de personalidades bem distintas, eles se destacam por em nenhum momento formarem um par romântico, o que constantemente é usado por diversos autores.

Mesmo com tantas situações fantasiadas, que acabam transformando os protagonistas em grandes heróis que se livram de todas as enrascadas como se tivessem poderes especiais, Manuscritos do Mar Morto é uma leitura eletrizante do início ao fim. O livro ainda leva ao leitor muitas mortes, ação e o que ele mais espera desde o início: polêmicas que tornam tudo mais interessante.

Sem a complexidade que merecia ou um destaque maior sobre os manuscritos que mostrariam a verdade sobre a morte de Jesus Cristo, o livro mostra como um segredo conseguiu ser mantido a sete chaves durante mais de dois milênios sem que ninguém, ao redor de todo o globo, desconfiasse do que estava acontecendo. Assim, questionando a frase usada para divulgação, o leitor se pergunta apenas se isso é de fato possível, mesmo sabendo que em uma instituição religiosa com tantos segredos tudo é possível!

“Isso não era jeito de viver. Não era jeito de pensar. Ela viu seu futuro pressagiado nos filamentos venenosos do medo e da incerteza que se reviravam em sua mente, na sombra sutil que agora pairava entre ela e o mundo: um futuro possível, de todo modo. Viu-se decaindo numa inutilidade ainda mais profunda que a de seu pai, uma paralisia como a própria morte” (pág. 241).

15 Comentários

  1. Oi, Ricardo.

    Antes não saberia de gostaria de ler o livro, mas depois de sua resenha fiquei bem curiosa. Como não li Código da Vinci não vou encontrar tais semelhanças. rs espero gostar da leitura.

    Beijos
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br/

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  2. Olá, Ricardo =).
    Não sou fã dos mesmos gêneros que você, isso fica bem claro cada vez que visito seu blog, rsrs. Mas é como dizem, é sempre bom tentar sair da zona de conforto, procurar novos gêneros, quem sabe eu não curto e fico com eles mesmo?! No caso deste livro eu diria, com toda a certeza, que não leria, mas acontece que preciso experimentar novas coisas, novos livros e aceito o desafio. Principalmente sabendo que o livro envolve religião e mistérios. Adoro esses dois assuntos juntos!
    Beijos.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Inês, apesar desse detalhe citado por você, recomendo essa leitura principalmente se você gosta desses assuntos, como você bem disse. Um desafio que eu acho (e espero) que você vai gostar.

      Beijos,

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  3. Gosto muito de histórias polêmicas sobre religiões e pela resenha esse livro parece ser ótimo, fiquei bastante interessada em ler!

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  4. Oi, Rick,
    Esse foi um dos que recebi na NC e deixei meio esquecido na estante, mas não deixa de possuir um mistério interessante. O pegarei para ler no futuro em algum outro momento.
    Com certeza essa comparação com o Brown é inevitável, mas é bom saber que o autor consegue ganhar sua identidade.
    Parece ser uma leitura legal para se distrair no suspense proposto pelo autor.
    Beijão!

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    1. Duda, acho que quando você tiver a oportunidade de ler irá gostar, pelo menos da maneira como o suspense foi proposto. Eu particularmente, se soubesse a figura bíblica tratada, ficaria muito mais interessado. Pena que acho um spoiler contar isso :(

      Beijos,

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  5. Olá Ricardo,
    Este livro é uma obra que eu já havia constatado ser muito interessante e eletrizante, o que se confirmou um pouco mais na leitura de sua resenha.
    Fico feliz por poder em breve, ler e conferir e reconfirmar tudo isso.
    Gosto muito de Dan Brown, mas como você disse é dificil fazer comparações muito extremas, ele é fantástico. Acredito que neste encontrei algo a mais para me instigar, com toda certeza.

    Muito boa,

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  6. Eu estava, desde que soube do livro, pensando que se tratava de uma obra histórica, e não uma ficção, e por isso até ignorei o lançamento. Mas agora a NC vai lançar outro do autor - um sobre o Apocalipse - e eu li a sinopse e vi a menção da sargento a esse livro, então logo fiquei empolgado em saber, porque eu amo histórias no estilo do Brown, ainda mais quando o autor se utiliza de mistérios religiosos, fatos históricos, e etc, para criar sua trama. Sua resenha me convenceu, e quando eu tiver oportunidade, lerei :D

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  7. Olá Ricardo, quando vi a divulgação desse livro não fiquei interessada em ler, achei que ele ofendesse muito o Cristianismo ( eu sou cristã rsrsr), mas pela sua resenha parece ser apenas uma ficção bem eletrizante que dá voltas ao passado e prende o leitor do começo ao fim, fiquei super curiosa pra ler. A capa é super bacana e sua resenha ficou ótima!!

    Beijos!

    Juh

    http://meudiariojk.blogspot.com.br/

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  8. Olá, Jullyane.
    Como também sou cristão e gosto muito desse estilo de livro, posso garantir que o livro não ofende o cristianismo, principalmente porque se foca muito mais em outro personagem muito importante para a história de Jesus (como já disse, prefiro não revelar para evitar spoilers rsrs). Espero que você goste se ler :D

    Beijos,

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  9. Eu realmente AMO livros desse estilo, AMO Dan Brown! E concordo que é impossível não lembrar de O Código da Vinci depois de ler essa sinopse. Ainda não conhecia esse autor (nem esse livro), mas depois da sua resenha ele acabou de entrar pra minha lista!
    Obs.: não gostei muito dessa capa, acho que a arte poderia ser um pouco melhor, acho que deveriam criar um ar de mistério ou suspense...

    Bjs ^^

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  10. Se foi comparado ao Dan Brown, com certeza deve ter uma escrita boa, tudo que envolve mistério e algo que pode mudar a história da humanidade me interessa, fiquei curioso com o título e ainda mais para conferir esse livro, um tema que pode se desenvolvido bem dar uma boa obra, religião sempre rende bons debates.

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  11. Infelizmente não me interessei muito, mesmo sendo comparado ao Dan.

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  12. Eu adoro esse tipo de livro. Também acho que o Dan Brown, no momento, é incomparável. Que bom que esse consegue ter sua singularidade, mesmo tendo muitas coisas parecidas em relação ao Dan. Como já o tenho, já o coloquei na minha meta de leitura desse ano.

    @_Dom_Dom

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    1. Nardonio, acho que o próximo livro do autor, lançamento de março, será o responsável por mostrar se essa singularidade pode ser vista com bons olhos. Particularmente espero que sim rsrs
      Espero que você goste da obra :D

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