Suicídios em Bom Jesus, André Tressoldi, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Multifoco (Desfecho), 2012, 132 páginas.
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Por mais estranho que possa parecer, em muitos países o suicídio é visto como um crime e é natural também encontrar casos em que terceiros que não agiram para evitar o ato podem ser condenados. Além de questões religiosas, o suicídio envolve muito o lado social, principalmente por ser capaz de chocar toda uma cidade.

Mas se um suicídio como qualquer outro causa espanto, imagine então uma série de suicídios ocorrendo sempre no início dos meses. Quando isso começou a assombrar uma cidade do interior gaúcho, tudo aparentava ser apenas coincidência, mas não impediu o surgimento de vários repórteres, que rapidamente irritaram a população da cidade.

Apenas após o sexto suicídio que um importante homem resolve agir e contrata o detetive paulistano Ricardo Torres Godoy, que vai até o sul e aos poucos passa a interligar os fatos com a intenção de descobrir se alguém está envolvido na série de suicídios. Aos poucos muitas teorias surgem, mas apesar de todo o esforço, e da companhia de uma linda jovem, Ricardo precisará de um bom tempo para resolver o mistério dos suicídios em Bom Jesus.

“Já os suicidas sabem ou acreditam que vivem uma vida mórbida e sem sentido, por isso lhes dói muito. Talvez isso seja reflexo das frustações de diversas ordens, ou todas juntas, quer amorosas, espirituais e materiais. Isso sem contar o mundo, que prega uma competição feroz e, em última análise, sem sentido. Estas pessoas que estão enfastiadas de viver, também estão cansadas de competir, e o Mundo parece não ter lugar para não competidores” (pág. 14).
Desde o seu primeiro livro, Quase Acaso, o escritor André Tressoldi mostrou não ser preciso um livro sem falhas para também conquistar a atenção dos leitores. Mas se antes algumas características atrapalharam o bom ritmo de leitura, isso não acontece totalmente em Suicídios em Bom Jesus, que por sinal possui um enredo muito mais interessante do que o livro anterior.

A diferença entre os dois livros se inicia já na estrutura. Como já era esperado, um número muito menor de páginas em cada capítulo deixa tudo mais rápido e agradável, principalmente por se tratar de uma história, como já dito anteriormente, interessante e até por isso envolvente. O problema está na ausência de divisões de cenas, o que sempre quebra o ritmo e é capaz de confundir.

A verdade é que mesmo com todos os pontos positivos, que ainda serão citados, Suicídios em Bom Jesus possui suas falhas, em especial a excessiva quantidade de erros de revisão. Por vezes algumas informações sobre os personagens estão desencontradas – como, por exemplo, a relação de Ricardo com sua companheira – e algumas situações acontecem de forma precipitada, o que ocorre também devido ao tamanho da obra.

Mas o livro de André se trata de um suspense original, aí o fator mais positivo do trabalho. O mistério também está muito bem construído, fazendo o leitor devorar as páginas até chegar ao desfecho. Mesmo sem um personagem excepcional, é possível perceber ainda agradáveis características no detetive Ricardo Godoy, além de todo o clima encantador das cidades do interior. Personagem e clima contribuem para o bom andamento da história, além de ser essenciais para a solução do caso, que felizmente acontece no momento e da maneira ideal.

Deixando de lado pontos positivos e negativos, o desfecho é o que mais se destaca, mesmo sendo possível desvendá-lo antes de o mesmo ser revelado. Afinal, inclusive a escolha de André para seu cenário aparenta ser uma dica preciosa para que o leitor entenda o que causou os suicídios em série que chocou uma cidade real, embora em uma ficção, e foi capaz de unir duas pessoas para proporcionar um final surpreendente.

“Deitados no meio de uma alameda dos corredores do cemitério, viam as estrelas e a lua já em sua descida. Ouviam ainda a música, ao longe, do baile. Iniciava a música Mercedita, então Letícia levantou rapidamente e puxou Ricardo pelo braço, dançaram um chamané em pleno cemitério. Os risos nunca foram tão largos e os olhos brilhantes” (pág. 109).

5 Comentários

  1. Olá Ricardo,


    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui no seu blog, bem diferente e original, não gostei da capa e o livro parece muito interessante....boa dica....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  2. Oi, Ri.

    Adorei sua resenha. Também percebi estas diferenças neste segundo livro do André e por estas mudanças ele é mais fácil e mais rápido de ler e a história e muito mais interessante que o primeiro realmente.

    Bom, espero ler outros trabalhos dele.

    Beijos
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br/

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  3. Oi Ricardo!
    Não conhecia o livro, mas achei o enredo bem original, fiquei interessada em ler ele.
    Uma pena essas falhas e erros de revisão, mas pelo que li na tua resenha, parece uma trama muito interessante, acredito que deva valer a pena ler.

    Um beijo
    Lara - Magia Literária
    http://www.magialiteraria.com/

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  4. Realmente, Rick, um livro pra ser bom, não necessita ser perfeito. Muitos dos livros que aprecio, tem suas falhas, e aí está todo o encanto. A premissa também achei bem original. E espero ter a oportunidade de ler em breve, pois me amarro em mistérios e suspenses.

    @_Dom_Dom

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    1. Eu particularmente acho uma pena quando um leitor despreza um livro por poucas falhas, Nardonio. "Suicídios em Bom Jesus" possui mais de uma falha, é verdade, mas não dá para tirar a graça do enredo e por isso ele é bacana.

      Abraços,

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