Uma Carta de Amor, Nicholas Sparks, tradução de Eliana Sabino, 1ª edição, São Paulo-SP:
Arqueiro, 2014, 288 páginas.
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Desde que foi traída pelo marido, a colunista Theresa não mais acredita no amor e por isso não consegue se envolver com outra pessoa. Devido a todas as responsabilidades de uma mulher de sua idade, ela se foca apenas no trabalho e em seu filho. Mas quando é convencida por sua chefe a tirar uma semana de folga, encontra uma garrafa com uma folha de papel que mudará a sua vida.

Ao abrir a folha e se encantar com uma carta apaixonada de um homem, Theresa decide encontrar o autor de tais palavras, que assinou apenas Garrett. Ela inicia uma incansável busca por mais informações e acaba descobrindo, além da verdadeira identidade desse homem, novas cartas escritas por ele e que tocam o seu coração.

Ao partir para o litoral da Carolina do Norte, Theresa conhece o homem que passou a admirar apenas por suas palavras. Dessa forma descobre que ele ainda sofre por um antigo amor, mas que pode estar preparado para viver uma nova e inesquecível história ao seu lado.

“Havia algo de sensual no corpo dela à luz do sol poente. O céu estava ficando alaranjando, e a luz quente lhe conferia uma aparência especialmente bonita, deixando seus olhos castanhos ainda mais escuros. Os cabelos dançavam de forma tentadora à brisa vespertina” (pág. 135).
Desde os primeiros contatos com os trabalhos de Nicholas Sparks, muito do que foi falado se referia ao estilo, na maioria das vezes repetitivo, que ele conta suas histórias e ainda assim conquista os corações dos seus leitores. A cada nova leitura isso se mostrou verdadeiro, por isso é possível concluir que o tempo é o melhor remédio para não se incomodar com os clichês das histórias sparkianas.

Uma Carta de Amor foi a segunda ficção de Sparks, então o incômodo, seja na época ou por quem conhece suas histórias por esse livro, é menor do que para quem não lê suas obras na ordem de publicação. Muitos livros surgiram após esse título e com isso fica evidente a semelhança entre todos os protagonistas. Não seria exagero dizer que o autor usa as mesmas personalidades e histórias de vida para contar diferentes histórias de amor.

Nesse caso especificamente, a diferença talvez esteja apenas na personalidade de Garrett, que possui características de antagonistas de livros posteriores. Suas atitudes são questionáveis e isso acaba irritando em diversos momentos, sobretudo ao pensarmos que, como mocinho, ele deveria ser o homem dos sonhos de todas as mulheres. Mesmo extremamente amoroso e carinhoso, o que não deixa de ser tocante, Garrett é reclamão e tem medo de se arriscar em nome do amor. Todo defeito é essencial na construção de um personagem, mas não demasiadamente.

O que acaba sendo engraçado é passar o livro todo sentindo falta de emoção, ainda que estejamos cercados por uma boa e viciante história. Um livro de Nicholas Sparks sem emoção é algo improvável, portanto não demora muito para que isso finalmente apareça. Se analisado como tudo de fato aconteceu – antes, durante e após o desfecho -, dá inclusive para dizer que apenas um título causou tamanho impacto e emoção, a ponto de sermos obrigados a pausar por alguns instantes a leitura.

Então Uma Carta de Amor é um livro ruim? De forma alguma! Por ser a segunda obra do autor, e já possuir uma escrita incomparável, unindo uma narrativa detalhada e diálogos trabalhados com todo o cuidado necessário, pode ser considerado um adiantamento do que torna os demais livros sparkianos tão tocantes e inesquecíveis. Eles mostram, com suas semelhanças, o poder dos diferentes amores.

Acima de tudo, ao conhecer a história de Theresa e Garrett, estamos mesmo compreendendo as perdas, que podem nos ajudar a encarar os desafios de se entregar a um amor. Como em tantas outras oportunidades, a leitura desse best-seller ensina que não devemos deixar de se entregar ao que bate em nossas portas, já que é melhor uma decepção do que se perguntar, durante toda uma vida, o que poderia ter acontecido. Só é uma pena que o ideal seja ler muito tempo depois de qualquer outra experiência com Sparks.

“Num mundo que eu raramente compreendo, existem ventos do destino que sopram quando menos os esperamos. Às vezes sopram com a fúria de um tufão, às vezes mal tocam nossa face. Mas eles não podem ser negados, trazendo, como muitas vezes fazem, um futuro impossível de ignorar. Você, minha querida, é o vento que eu não previ, o vendaval que soprou com mais força do que jamais imaginei ser possível. Você é o meu destino” (pág. 270).

10 Comentários

  1. Parabéns pela resenha, ainda não li o livro, mas se tratando de Nickolas Sparks o livro deve ser ótimo, gosto de ler os romances água com açúcar dele de vez em quando!!

    Novidade vem me fazer uma visita:
    http://voceeoquele.blogspot.com.br/2014/04/chega-mais-que-temos-novidade.html?showComment=1396616644435#c6143239812226767820

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  2. Oi Ricardo, este foi o primeiro livro que li do autor. Foi enviado por uma amiga em e-book com o título de As Palavras Que Nunca Te Direi. Chorei muito no final, e o autor ganhou uma fã.
    Bjs, Rose

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  3. Oi Ricardo! Nunca li Sparks! Inacreditável, eu sei, mas os livros dele não me chamam a atenção sabe?! E como tu disse, as histórias são realmente clichês, tenho a sensação de que se eu ler um livro dele não precisarei ler os outros. Então, esse livro deixo passar... parabéns pela ótima resenha, como sempre!
    Beijos

    Lara
    http://www.magialiteraria.com/

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  4. Oi, Ricc,

    Sei que não tenho passado muito por aqui, mas tenho um carinho enorme por você e espero que me perdoe pela minha falta haha Acho que o seu lay mudou da última vez que vi, pelo menos alguns detalhes a mais que achei bem bacana, está super organizado!
    Eu li Uma Carta de Amor há muitos, muitos, muitos anos! Acho que foi justamente o 2º livro que li do Sparks; o primeiro foi Um amor para recordar.
    (comentário com SPOILER):
    Lembro de ter gostado na época, mas confesso que achei o final desnecessário. Nota-se que ele adora fazer aquilo desde o começo, né? Parece que é uma necessidade de ver os leitores chorarem para que saíam emocionados e gostem da história, mas isso me dá uma raiva hahaha
    De mais, não lembro muita coisa, faz séculos que li hehe

    Beijão!

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    1. Olá, Duda, isso me deixa muito feliz, principalmente por também ter um carinho muito grande por você e seus comentários sempre me deixarem feliz. Muito obrigado por tudo!
      Sobre o livro, concordo com tudo o que você disse. De todos os livros que já li, acho que esse é o único em que o final foi totalmente desnecessário (apesar de também não desejar o final dos demais). Às vezes é preciso concordar com todas as críticas que ele recebe, apesar de ser um excepcional escritor haha

      Beijos!

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  5. Concordo quando você diz que parece que ele utiliza as mesmas personalidades para contar diferentes histórias, meio que usando a mesma fórmula só trocando alguns elementos e isso é um dos fatores que me fazem não ler um livro dele.
    Sem falar que histórias de amor muito melosas e focadas só no romance não fazem muito sucesso comigo. Lógico ele é um autor que tem muitos fãs e que adoram cada novo livro publicado, sem falar nas várias adaptações de seus livros, esse livro em especial não me chamou a atenção, por ser muito impossível de acontecer ( eu sei que é ficção, mas encontrar uma garrafa com uma carta e se apaixonar, sair procurando o autor é...) enfim deixo para quem gosta do Nicholas.

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  6. Nicholas é um autor que tem vários fãs, sem dúvida, mas eu nao consigo gostar dos livros dele, minha irmã adora, ja leu todos que tem aqui em casa (tem muitos), ja releu alguns, mas eu nao consigo gostar, li 1 único livro dele, não é ruim, mas nao me cativa e aí fica dificil ler... =/
    mas eu ainda pretendo ler outros livros do autor... :D

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  7. Eu dei um tempo nos livros do Nicholas, eles destroem o meu coração meloso, hahah, preciso de estrutura emocional para lê-los, e com certeza não a tenho no momento. Acho os livros tão tão tão lindos, mas vou com calma. Este está na minha lista desde que foi lançado, super quero. =D

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  8. Realmente, Rick! Os livros do Sparks segue sempre aquela cartilha: Mesmas personalidades, mesmos dramas, etc. O que difere é esse poder narrativo e segurança que ele tem em contar suas histórias. Sabemos mais ou menos o que vai acontecer, mas mesmo assim, não desgrudamos das páginas até seu desfecho.

    @_Dom_Dom

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  9. Sua resenha está otima ,mas infelizmente não gosto dos livros do Nicholas Sparks , sei lá os romances dele são muito clichê ...

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