Primeiro Amor, James Patterson e Emily Raymond, tradução de Elaine Cristina Albino de Oliveira, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP: Novo Conceito, 2014, 240 páginas.
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Axi Moore sofreu muito com todas as dificuldades que acabaram destruindo a sua família, por isso tudo o que mais quer é fugir e deixar tudo para trás, inclusive suas tristes lembranças. A única pessoa, no entanto, que pode ajudá-la é seu melhor amigo, Robinson, que não sabe, mas é também o grande amor da vida de Axi.

Ao convidar Robinson para viajar pelo país, Axi tinha um roteiro pronto que determinava as suas futuras paradas. Ela só não esperava que ele sugerisse a quebra de todas as regras aceitáveis e com isso não são mais dois adolescentes em busca de aventura. Eles se tornaram fugitivos, que rapidamente se entregam ao amor, porém sem tocar no assunto que eles sabem ser capaz de mudar suas vidas para sempre.

“Robinson me fazia sentir o tipo de felicidade que não sentia desde que era criança, quando minha família ainda estava inteira. E ele me fazia sentir... um tipo de agitação que nunca senti antes na vida.
Como eu poderia voltar a ficar sozinha, ficar sem ele, agora que eu sabia que todos esses sentimentos eram possíveis?” (pág. 90).
Dificilmente existe no mundo um autor tão versátil como James Patterson. Ironicamente o sucesso que ele faz com seus livros policiais é proporcional ao sucesso dos poucos dramas que já publicou, sendo que muitos consideram seus dramas ainda melhores. Conhecendo tais livros, fica impossível não esperar por uma história memorável em Primeiro Amor, mesmo quando descobrimos que não passa de um romance adolescente.

Como aconteceu em todos seus livros, Patterson dividiu sua nova história, lançada oficialmente nos Estados Unidos em janeiro, em duas partes, sendo que dessa vez são bem distintas e com características particulares. Enquanto a primeira é divertida e mostra as loucuras que dois adolescentes podem fazer pelo primeiro amor, a seguinte é mais sentimental, reflexiva e emocionante. Nem mesmo o fato de o final ser esperado desde as primeiras páginas evita a emoção.

A partir do momento que percebemos que se trata de um romance adolescente, o receio de encontrar os dramas irritantes, que parecem se repetir em todas as histórias do tipo, é inevitável. Felizmente isso não acontece com exagero. Patterson, em parceria com Emily Raymond, soube tratar de apenas coisas naturais, levando em conta a idade dos protagonistas e as próprias circunstâncias que são reveladas a cada novo capítulo.

Se o verdadeiro amor surge apenas quando duas pessoas se completam, então não há dúvidas de que o amor entre Axi e Robinson, além de primeiro, é também eterno. Eles não formam o tipo de casal que se pega completando as frases um dos outro, porém ambos são tão diferentes que a química e a magia dessa relação conquista desde o primeiro momento. Ele, por exemplo, é fã de músicas, brincalhão e considerado uma má companhia; ela é uma leitora compulsiva, careta, inteligente, apaixonada e em alguns momentos frágil. A união dessas personalidades, ao menos na ficção, é perfeita.

É difícil comparar Primeiro Amor com qualquer outra obra de Patterson, mas basta dizer que acompanhar essa aventura pelo território norte-americano renderá boas surpresas, risos e grandes emoções, naturais em algumas comédias dramáticas. Talvez esteja longe de ter a delicadeza que o autor conseguiu transmitir com suas palavras em outras histórias de amor, no entanto possui a alegria e a ingenuidade de um amor adolescente. Como todos sabem, isso se torna inesquecível nos corações de todos que tiveram o prazer de amar na melhor fase da vida.

Apesar disso, nada é mais especial do que imaginar que Patterson viveu um primeiro amor inesquecível e quis, com essa ficção, encantar seus milhões de leitores espalhados pelo mundo todo e homenagear a mulher que amou ao mesmo tempo em que se recordava de seu próprio passado. Ser homenageada dessa forma é algo raro, ainda mais quando a homenagem é publicada em uma edição tão bela como a brasileira.

“Deitados ali, naquela noite de verão, era quase como se eu pudesse sentir a Terra se movendo sob nós, girando em seu eixo. Enquanto eu ouvia os grilos cantando um para o outro, me perguntei se o resto de minha vida e o resto da vida de Robinson eram dois períodos completamente diferentes” (pág. 202).

14 Comentários

  1. Olá Ricardo,

    Estou muito curioso em relação a esse livro, gosto demais do autor e ainda não li um romance dele e pela a sua resenha tenho certeza que vou gostar.....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  2. Pelo nome, "Primeiro amor" e pela capa do livro, um casal adolescente num lugar que parece uma praia deserta, ta na cara que está relacionado a um romance adolescente... hahahaha
    não faz meu estilo este tipo de livro não, gosto mais de livros de suspense, romance policial, magia, livros pós apocalipticos, enfim nada a ver com esses dramas e primeiro romance, adolescentes apaixonados... hahahah

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  3. Ricardo, apesar do marketing desse livro, do povo comentar e tal, confesso que ele provavelmente seria um dos últimos desses lançamentos da NC que eu leria. Não sei te explicar exatamente o motivo, mas o fato é que ele não me atraiu muito. Nunca li nenhum outro livro desse autor (D:), mas agora estou morrendo de vontade de ler esse *---* Sua resenha foi me mostrando alguns elementos que esse livro contém e que eu costumo gostar (: Assim que possível darei uma tremenda chance para esse obra!
    Beijinhos

    Brunna Carolinne - My Favorite Book - @MFBook
    myfavoritebook-mfb.blogspot.com.br

    P.S.: Meus livros de fevereiro da NC que nunca tinham chegado (lembra?) chegou ontem :D MUITO obrigada, novamente, pela dica! Os de abril ainda não chegaram e estou torcendo para que não tenha acontecido nenhum problema com eles, sinceramente espero não passar por todo esse transtorno novamente, fiquei aflita demais.

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    1. Brunna, sou suspeito para falar sobre o livro e principalmente sobre o trabalho do Patterson, já que sou muito fã do trabalho dele, mas posso dizer que esse e "O Diário de Suzana para Nicolas" são livros indispensáveis. Já que você encontrou elementos que costuma gostar, não perca tempo *-* Claro, se isso acontecer, espero que você goste e fique com mais vontade de conhecer outros trabalhos do JP.

      Beijos,

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  4. Oi Ricardo, não quis ler em detalhes sua resenha, pois estou começando a leitura do livro, e não queria nada que me tirasse a surpresa da leitura.
    Bjs, Rose

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  5. James Patterson é o tipo de autor que eu não me surpreendo mais se lançar um livro de um gênero totalmente diferente, mesmo que seja erótico, haha! Apesar de muita gente não gostar da escrita dele, eu acho que ele um autor genial e que consegue falar a diferentes públicos. Ainda quero ler "Primeiro Amor", pois parece ser uma leitura rápida e boa, descompromissada. Espero ler em breve :D

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    1. Joshua, o Patterson concluiu o original desse livro em 2010, pelo menos um ano antes da literatura erótica se transformar em uma febre mundial, e o lançou apenas agora. Então eu tenho quase certeza que em breve vai surgir um livro erótico por aí KKKK Sobre a leitura, é muito bacana sim e você pode gostar, mas como costumo dizer, o melhor é ler Patterson sem expectativas.

      Abraços,

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  6. Eu li só um livro do autor e simplesmente adorei, era um drama, mas ouvi muitos comentários negativos quanto ao lado policial, preciso conhecer este lado dele antes de julgá-lo. Fiquei interessada neste lançamento, mas acho que já comentei que dei um tempo nos romances, então preciso de um tempo para ler este. Mas pretendo! =)

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  7. Quem nunca quis fugir de tudo e todos com alguém que ama?
    Os personagens tiveram coragem e ousadia, de se entregarem a aventuras, deixando um dia passar após o outro sem grandes preocupações, além de se meterem em problemas devido a mudança de planos e aos pequenos furtos.
    Gosto da escrita do Patterson e só por isso abriria uma exceção para ler um romance, o que me motiva a acompanhar essa história é também a diferença de personalidade da Axi e o Robinson e claro que a história tem uma viagem como elemento extra, um livro leve e para ler sem grandes expectativas.

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    1. David, como citei em minha resenha, o livro é dividido de tal forma que você não pode esperar apenas as aventuras e problemas por essa fuga, que todos nós já desejamos um dia. Ele envolve muito mais!
      Não posso dizer que você vai gostar, pois por seus comentários já consigo identificar seus gostos, mas é sim um livro para ler sem grandes expectativas.
      Espero que goste se tiver a oportunidade de ler.

      Abraços,

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  8. Nossaaaa fala sério.
    Deste eu preciso rs! Sua resenha está ótima e eu não sabia desta versatilidade do autor.
    Lindo amei!!

    Beijos! Fê :*
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br

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  9. Não é a toa que, vira e mexe, tem um lançamento do James Patterson. O cara parece que só escreve em parceria. kkkkkkk
    Mas o que você disse é verdade, ele é um dos autores mais ecléticos que já vi. Até agora só li os dois primeiros volumes da série "Bruxos e Bruxas", e não foram tão legais assim. Sei que ele é muito melhor do que isso, e como tenho alguns outros títulos dele aqui, tanto romance, como policiais, vou dar uma conferida. Só posso dizer que, em relação a esse "Primeiro Amor", gostei, pois, mesmo sendo um romance adolescente, ele fugiu completamente das "mimizices" dessa fase da vida.

    @_Dom_Dom

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    1. Se não me engano, a única série que ele escreveu sem parcerias foi Alex Cross. No mais, o único livro que li sem parceria foi "O Diário de Suzana para Nicolas", que particularmente é o meu favorito.
      De qualquer forma, recomendo sim que você leia os demais livros do autor, Dom Dom. Tenho certeza que você vai encontrar livros que vai apreciar mais do que "Bruxos e Bruxas", que gosto, mas sei que não é a melhor.

      Abraços e muito obrigado por seus comentários!

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  10. Nunca li nada de James Patterson ,mas um livro que queria muito ler é " Os assassinos do Cartão postal " . Eu nem sabia que o autor escrevia romances ,mas parece bem interessante ,apessar de meio clichê , mas ainda assim eu leria.

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