Terras Metálicas, Renato C. Nonato, 1ª edição, Barueri-SP:
Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira), 2012, 616 páginas.
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Uma massa nuclear acabou mudando radicalmente a vida no planeta durante a Última Guerra. As pessoas foram obrigadas a se adaptar e com isso foi criada uma atmosfera artificial, chamada de Esfera, onde a Elite manteve a paz à sua maneira durante várias gerações. No entanto isso pode estar com os dias contados.

Ao se formar no primeiro nível da Academia, a jovem Raquel passa a se preocupar com a nova etapa da sua vida, onde passará por um implante para que receba uma das habilidades naturais naquela situação. O problema é que isso chegará junto com alguns conflitos que têm tudo para mudar a vida como Raquel e todos ao seu redor conhecem até então. Apesar de muito jovem, ela e seus amigos precisam agir para fazer o que for possível e então ajudar a manter a paz.

“O restante do dia passou enevoado, Raquel sendo acometida por uma estranha nostalgia. Quando se vive num espaço restrito como a Esfera, com um número limitado de pessoas, você sente um apego incrivelmente forte pelos outros. Adolescentes da idade de Raquel eram difíceis de encontrar, tanto que praticamente todos estavam contidos nas três turmas de estudantes da Academia” (pág. 313).
O grande problema de apreciar um determinado tipo de escrita é que todas as demais, de uma forma ou de outra, acabam desagradando em algum ponto. Apesar de um enredo original e chamativo, Terras Metálicas se enquadra nesses livros que são prejudicados pela escrita. Não por ser ruim. O que acontece é que, mesmo com a qualidade do texto de Renato C. Nonato, a estruturação de seu enredo impede o bom ritmo de leitura e em alguns momentos a torna cansativa.

Como citado, a preferência por romances com uma estruturação diferente, ou seja, com capítulos curtos, torna impossível apreciar a obra como o desejado. Parte disso se deve as detalhadas descrições, que não podemos negar ser de extrema importância neste caso. Mesmo com capítulos desnecessários e excessivamente longos, o autor se aproveita de tudo para a construção de seu novo mundo - que será melhor apreciado por determinados tipos de leitores.

Muita coisa é diferente em Terras Metálicas, no entanto isso não significa que o leitor se sente perdido por isso. A tecnologia, por exemplo, é muito mais avançada e tem uma influência ainda maior na vida da população. Talvez seja esse o motivo de o início ser relativamente enrolado, já que o autor precisa que seu leitor se adeque ao que está sendo contado, para só então partir para o mais importante: o conflito.

Tudo o que envolve Terras Metálicas passa a ser trabalhado já no início, porém apenas nas últimas duzentas páginas que o enredo começa a pegar fogo definitivamente, com a ação esperada. Nesse momento, o envolvimento que outrora não existia passa a acompanhar o leitor a cada nova página, ainda que a protagonista, Raquel, aparente ser muito mais madura do que uma garota de doze anos deveria/costuma ser. Infelizmente isso não muda o incomodo sentido antes que a obra fique envolvente.

A obra de Renato é tão complexa que, apesar de não ter sido a melhor das experiências, não é fácil encontrar palavras para descrevê-la sem fazer revelações que seriam indiferentes para quem não conhece esse mundo. Além disso, os inúmeros personagens se completam por serem tão diferentes e bem caracterizados, tornando suas relações divertidas e sendo fundamentais para o leitor se perguntar como seria o mundo se isso de fato acontecesse.

“O ar começou a estalar quando a temperatura baixou. Cristais de gelo se formaram ao longo do braço e do rosto inimigo. A Sibério expirou, soltando uma baforada branca após seus poderes converterem metade do homem em uma estátua de gelo. Quando ela o soltou, flexionando os dedos gelados, pequenos cristais se desprenderam, caindo brilhantes pela atmosfera” (pág. 497).

13 Comentários

  1. oi
    no geral eu gostei da ideia do livro, mas entendi os pontos negativos que você levantou. Eu não tenho preferência por capítulos longos ou curtos, o problema é quando esse se torna muito enfadonho. Também acho que não apreciaria o começo explicativo até partir para o conflito, mas as vezes sem isso o leitor pode ficar totalmente perdido o que prejudica a leitura. Eu não gosto muito disso que você falou, sobre o livro realmente entrar em um ritmo frenético no final, quando passou o resto da leitura relativamente morno, porque muitas vezes as pessoas podem abandonar a leitura e perder esse final instigante.
    Gostei muito da sua resenha e da sinceridade em falar desse livro.
    tem postagem nova no meu blog
    espero sua visita
    bjs

    -TÍTULOS DE LIVROS

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    1. Juliana, não considero como um abandono, mas no meu caso particularmente preferi iniciar uma nova leitura e continuar com essa só algum tempo depois. Senti que se persistisse acabaria me incomodando ainda mais e isso impediria que eu aproveitasse o que o livro tem de bom.
      Como a Patrícia disse no comentário abaixo, esse é um livro para ser apreciado lentamente, até porque possui um enredo interessantíssimo.

      Beijos,

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  2. Já li Terras Metálicas e gostei bastante dessa atmosfera totalmente nova criada pelo autor!
    Ele realmente faz descrições detalhadas, mas achei que elas é que conseguiram me prender na leitura e me envolver na história, enfim, torcer pelos personagens :) Acho que é um livro para ser apreciado lentamente, absorvendo todos os detalhes e novidades...
    Agora é esperar a continuação né? rs
    Boas leituras!

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  3. Eu acho que, apesar de necessárias para descrever um mundo bem diferente do nosso, as descrições muito longas tornam a leitura excessivamente cansativa, deixando a sensação de que a trama não vai para frente, isso pode ser muito desanimador.

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  4. Sem dúvidas a premissa do livro é original, toda a atmosfera envolvendo a esfera, os robôs que acompanham os personagens, as descobertas e os segredos que eles vão descobrindo que podem acabar com toda a estrutura do local onde vivem.
    Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, nesse tipo de história preferi que as cenas sejam mais descritivas mesmo, para conseguir imaginar o lugar com mais perfeição e acompanhar melhor o que está acontecendo, pelo que vi na sua resenha no geral o saldo com o livro foi positivo, ainda mais se levar em consideração o final, só tenho medo que o autor se perca e não faça uma continuação boa ou melhor que o primeiro, se tiver continuação claro.

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    1. De fato as cenas descritivas são fundamentais nesse tipo de livro, David, talvez o problema esteja apenas na maneira como o autor conduziu o mesmo. Particularmente esperava muito mais da obra, então diria que o final sim foi positivo.
      O autor já está trabalhando na continuação, que inclusive já tem um título. Em breve publicarei uma entrevista, onde ele poderá comentar um pouco sobre isso. Aguarde!

      Abraços,

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  5. O tema do livro em si parece ser muito bom, eu gosto, mas tem na história que não chamou minha atenção, eu sempre vou muito pelos meus "instintos literários" e algo me diz que não vou gostar deste livro, ainda mais sabendo agora que ele é cansativo. Acho que passo... =(

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  6. Ei Ricardo, já li esse livro do Renato. Gostei bastante da escrita do autor, ele criou um ambiente tão bem descrito e complexo que me surpreendeu. Confesso que no inicio não estava nem um pouco empolgada pra ler, e não imaginei que seria uma leitura divertida como foi. Mas também achei o inicio do livro um pouco lento e cansativo, e pensei em várias vezes em parar de ler, na minha opinião poderia ter um pouco menos de enrolação no inicio, o livro é mega grande e achei que teve descrições de mais e desnecessárias (mesmo que elas sejam boas), mas depois o livro fica muito legal. Não foi o melhor livro brasileiro que li, mas foi uma experiência diferente com um universo muito bem criado. Adorei sua resenha!

    Bjs bjs bjs Mih!
    Paradise Books || @ParadiseBooksBr

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    1. Obrigado por seu comentário, Mih! Como respondi em um comentário acima, eu cheguei a parar a leitura por um tempo para que pudesse aproveitá-lo melhor em outra oportunidade, mas no fim também encontrei vários momentos engraçado, em especial envolvendo o Tashi. Esse mundo tão bem criado faz diferença!

      Beijos,

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  7. Eu já fui do interesse ao desinteresse com este livro, fato é que até agora não o li. Mas confesso, não descartei a leitura.
    Bjs, Rose.

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  8. Tem muito tempo que quero ler esse livro, apesar de alguns pontos negativos no inicio da trama, da pra ver que vale a pena continuar lendo que o final é bem bacana, eu confesso que nao gosto de livros com capitulos longos não, não sei explicar o porque, só sei que nao curto... hahahaha

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  9. Confesso que tenho um probleminha com narrativas muito descritivas e capítulos longos, mas sei que, nesse caso, essas descrições são até necessárias, pois o autor deve passar informações sobre o universo que criou. O bom é que a coisa engrena na parte final do livro. É aquela velha frase... "Antes tarde do que nunca."

    @_Dom_Dom

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  10. Uma distopia brasileira , parece legal ,apesar de vc achar que 'a leitura em alguns momentos a torna cansativa' , eu não tenho problema com isso , pq simplesmente adorei o enredo.

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