Adultério, Paulo Coelho, 1ª edição, Rio de Janeiro-RJ:
Sextante, 2014, 240 páginas.
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As aparências podem enganar e fazer com que qualquer pessoa deseje uma vida como a de Linda, uma mulher de 31 anos que mora na Suíça, possui um ótimo emprego como jornalista, e construiu uma bonita família com o marido e seus filhos. Mas as coisas passam a mudar quando Linda questiona a sua rotina de vida e a necessidade de mostrar a todos a felicidade, mesmo quando não se sente feliz.

Ao reencontrar o político Jacob, um ex-namorado da adolescência, Linda é pega de surpresa ao sentir, depois de muito tempo, uma verdadeira paixão e desejo, que já não sente mais por seu marido. Enquanto lida com a dúvida sobre como isso pode afetar a sua vida e principalmente sua família, ela busca formas de conquistar esse amor impossível, ainda que passe a enfrentar um misto de fortes emoções.

“Se não desaparecer, serei obrigada a ir até sua casa, tomar um chá com você e sua esposa, entender que são felizes, que não tenho chance, que mentiu ao dizer que se via refletido em meus olhos, que permitiu conscientemente que eu me ferisse com aquele beijo que nem sequer foi solicitado” (págs. 70 e 71).
Adultério é o novo livro de Paulo Coelho, escritor brasileiro de maior reconhecimento no exterior, e por tudo o que apresenta é possível classificá-lo como um livro sobre todos nós. Apesar de o tema ter sido polêmico e no passado considerado um crime, não é exagero fazer essa classificação, já que mais do que causar polêmica, o livro mostra o lado humano de seus personagens.

Durante a fase de divulgação do livro, lançado na última semana, o escritor comentou sobre o processo de pesquisa realizado antes da escrita. De forma anônima, Paulo Coelho acessou fóruns e percebeu o sentimento das pessoas ao encarar uma infidelidade conjugal. Ainda que ele tenha criado personagens a partir de poucas pessoas, fica claro que a protagonista tem um pouco de várias delas, o que pode ou não ser intencional.

A personalidade e todas as dúvidas que Linda precisa lidar ao longo do livro são responsáveis pelo envolvimento do leitor, que passa a acompanhar a história especialmente pela curiosidade. A rotina da personagem é mostrada com maestria e nada é desperdiçado, ou seja, o autor incluiu situações que favoreceram a evolução de sua protagonista.

Mas o lado positivo desse cuidado está mesmo no fato de ser possível refletir em todas as situações. O lado histórico do adultério, crime que no passado levou várias pessoas à morte, é quase que deixado de lado, enquanto que o erotismo, por exemplo, consegue resultar em interessantes reflexões, principalmente sobre as consequências da infidelidade para o âmbito familiar.

Como Adultério se passa em Genebra, onde o escritor reside atualmente, percebemos as características do povo suíço. A história é conduzida de uma forma que poderia ter qualquer cidade como cenário, mas é perceptível como a visão de mundo, família e até mesmo política, superficialmente representada por Jacob, é diferente da nossa. Não há dúvida de que muita coisa aconteceria de outra maneira em uma sociedade como a brasileira, mesmo não sendo radical como a de outros países.

Narrado em primeira pessoa por Linda e sem distinção de suas próprias falas, que às vezes se confundem com seus pensamentos, a obra possui passagens forçadas e é repleta de diálogos sistemáticos e irreais, mas se torna uma ótima história para tratar de um assunto que está cada vez mais presente dentro das famílias, causando conflitos e principalmente dúvidas. Contudo, apenas a maneira como o leitor vê a obra determinará sua opinião final: se como um simples romance, ele pode se decepcionar com o desfecho; se como um romance para reflexão sobre a vida, não há do que reclamar.

Adultério é mais um trabalho de Paulo Coelho que leva o leitor a pensar sobre inúmeros temas importantes, como a família, o amor, o sexo e principalmente o desejo carnal. Com suas palavras, apesar de ressalvas em relação ao enredo, o escritor explora como o desejo pode influenciar a vida de uma pessoa, já que sabemos que nem mesmo as boas condições de vida evitam a tristeza e as dúvidas naturais em qualquer ser humano quando esse triste ato é cometido.

“Os homens traem porque está no seu sistema genético. A mulher o faz porque não tem dignidade suficiente, e além de entregar seu corpo acaba sempre entregando um pouco do seu coração. Um verdadeiro crime. Um roubo. Pior do que assaltar um banco, porque, se algum dia ela for descoberta (e sempre é), causará danos irreparáveis à família” (pág. 155).

8 Comentários

  1. Não acho que o autor escreva livros maravilhosos, já que ele não o faz, não gosta da escrita do Paulo Coelho e nem dele em si, a premissa pode até ser interessante, mas não me agrada essa mistura de romance com uma forte inclinação para o erótico, a minha curiosidade não me motivaria a comprar e acompanhar a história de Linda, suas dúvias e descobertas, por não gostar do autor talvez esteja julgando toda a obra antes, mas infelizmente acredito que esse livro siga o mesmo padrão de todos os outros livros dele, prometem muito e no final entregam quase nada.

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  2. Ele tem mesmo esta característica, de levar seus leitores a pensar em inúmeros fatos e questionar. Sou fa do autor, já li quase tudo dele, e com certeza vou ler este também.
    Bjs, Rose.

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  3. Oi Ricardo,
    Olha, não sou das maiores fãs de Paulo Coelho, gostei apenas de 'As Margens do Rio Piedra...', mas acho sua escrita interessante. Como sou fervorosamente contra o adultério, nem me interessei em solicitar o livro. Na verdade, esse tema meio que me incomoda porque hoje em dia é uma coisa normal, passível de perdão. E eu sou totalmente contra isso, acho que tanto homens quanto mulheres tem cérebro e conseguem discernir o certo do errado e em especial se controlar. E se não estão satisfeitos com alguma situação podem muito bem dar fim à ela para partir para outra. Sua resenha está ótima! Parabéns.


    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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    1. Olá, Mariana.
      Concordo com tudo o que você disse sobre o tema, ainda que ser "fervorosamente contra o adultério" não tenha me impedido de solicitar o livro. Não cheguei a citar isso, mas os dramas da protagonista certamente contribuíram para que minha opinião contrária tomasse ainda mais corpo, já que mais do que qualquer coisa o livro mostra como essa lamentável situação é capaz de destruir uma família - e não existe nada pior do que isso.

      Beijos,

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    2. A pessoa tem q ser muito mente fechada pra não querer ler um livro pelo simples fato de não fazer na vida o q uma historia sem compromisso com a realidade conta. Se fosse assim eu não leria nada , ja q não uso drogas, nunca trai e nem matei ninguém. Abra a mente moça, conhecer as várias faces do ser humano e poder viajar e imaginar sem compromisso com a verdade é muito bom. Afinal trair é um desejo humano, todos ja sentiram vontade um dia, embora a hipocrisia faça com que todos neguem ate a morte.

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  4. Até hoje li 1 único livro do Paulo Coelho, gostei muito e tenho muita vontade de ler outra obra dele, e essa me chamou muita a atenção, apesar do tema polemico que faz as pessoas ficarem com o pé atras pra ler o livro

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  5. Até hoje não li nenhuma das obras do Paulo Coelho, mas tenho bastante vontade, pois quero conhecer sua escrita. A tema abordado é bem polêmico mesmo. Sou contra a traição em qualquer relação, seja ela de amor, amizade, etc. Mas sabemos que existem casos e casos, e não é tendo uma visão superficial dos casos que podemos fazer um julgamento correto. Quero muito ter a oportunidade de conhecer a história de Linda, e ver como processarei esse caso dela.

    @_Dom_Dom

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  6. Adoro o autor ,mas não gostei muito da premissa desse livro, sei la ela não me conquistou como as outras obras dele .

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