Título Original: Message in a Bottle
Diretor: Luis Mandoki
Duração: 131 minutos
Baseado: Uma Carta de Amor, de Nicholas Sparks
Estreia: 1999
Ao caminhar pela praia, Theresa Osborne (Robin Wright) encontra uma garrafa com uma carta romântica e extremamente sincera, pois era também uma despedida, um adeus. Ela fica tão impressionada que usa os meios que dispõe trabalhando como jornalista em Chicago e tenta saber quem escreveu a carta. Ela então descobre que foi escrita por Garret Blake (Kevin Costner), um construtor de barcos da Carolina do Norte, para Catherine (Susan Brightbill), sua esposa, e, ao conhecê-lo, fica sabendo que Catherine faleceu precocemente. Em pouco tempo surge uma atração mútua entre Theresa e Garret, mas os fantasmas que ele carrega não permitem que ele viva este novo amor por completo.
Não tem como discutir. Você sendo fã ou não, já tem consciência de que os livros de Nicholas Sparks seguem o mesmo esquema e por isso são sempre previsíveis, apesar de todas as histórias serem inesquecíveis. Já por saber dessa característica, esperamos que as várias adaptações sigam o mesmo padrão. No entanto, quando isso não acontece, como na adaptação de Uma Carta de Amor, a decepção é imediata.

Todos os livros lidos até então foram adaptados ao cinema, então é possível usar a experiência para não dizer bobagem. O que acontece é que todos, de alguma maneira, possuem a mesma essência da obra literária. Com as mudanças necessárias ao produzir um filme, eles convencem e emocionam pelos mesmos motivos dos livros. Em Uma Carta de Amor acontece exatamente o contrário.
É inegável que transformar em filme uma obra sparkiana é relativamente fácil, principalmente por ser uma fórmula simples em ambos os casos. Porém, talvez por ser a primeira adaptação, produzida ainda em 1999, os roteiristas erraram a receita e o bolo não saiu como o desejado.

Uma Carta de Amor, do diretor Luis Mandoki, cumpre com o que um drama deve passar a quem o assiste. Ou seja, é emocionante, com uma história tocante e consistente, e com ótimas atuações. O problema está apenas no roteiro, já que foram incluídos dramas desnecessários e que não existiam no livro, tornando-o demasiadamente longo e impedindo que partes realmente importantes da obra de Sparks fossem aproveitadas.
A carga dramática também é mais evidente e, por mais incrível que possa parecer, o filme é ainda mais triste, não apenas em seu final. Isso se deve ao personagem Garret, que está visivelmente mais abalado pela morte de sua esposa e ainda precisa enfrentar os já citados e desnecessários dramas. Prova de que o drama é maior está no fato de que em nenhum momento o humor da relação entre Garret e Theresa, presente nas páginas do livro, é encontrado também nas cenas. Isso inclusive impede que Kevin Costner, tão depressivo em sua atuação, seja explorado como sua capacidade mereceria.

Como tantos outros casos, Uma Carta de Amor funciona como um drama cinematográfico, a ponto de considerá-lo um bom filme, porém deixa a desejar por se tratar de uma adaptação. A única explicação para tantas mudanças é talvez a vontade de evitar situações forçadas por Nicholas Sparks em seus livros, o que sabemos que ele faz como ninguém. Mas isso seria mesmo necessário quando o simples já faria grande diferença?

15 Comentários

  1. O filme 'Querido John' também foi uma adaptação um pouco diferente na minha opinião, inclusive o final. Vale um post também.

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    1. Simone, tenho o livro citado, mas até o momento não tive a oportunidade. De qualquer forma, assim que isso acontecer vou falar sobre ele também. Só espero que as mudanças não sejam tão radicais.

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  2. Ainda não li o livro nem vi o filme, então não posso opinar muito.
    Mas de qualquer forma, eu sou fã do Nicholas Sparks, mesmo os livros seguindo o mesmo padrão e de já saber mais ou menos o que me espera, eu gosto de ler todos os livros dele.
    Os filmes eu geralmente gosto, mas sempre com aquela ressalva de todas as adaptações, de situações que não tem necessidade de ser acrescentada.
    Enfim... espero ler o livro em breve e depois, claro, ver o filme.
    Bjo

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    1. Glaucea, acho que exatamente nisso que está o charme dos livros do Sparks, por isso não me canso de ler, apesar de tudo. Mas nesse caso especificamente, acho que a maneira como eles conduziram o filme que acabou prejudicando-o. Infelizmente.

      Beijos,

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  3. Olá Rick,

    Super concordo com sua posição.Ee assistir ao filme e não ler o livro pode ser que o filme se torne um favorito, mas para quem conhece a obra literária irá se decepcionar... ou seja, é triste mas como adaptação de um livro não foi bom, mas não foi de todo ruim... para mim.

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    De Livro em Livro

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  4. Oi, Ricardo.

    Bom, os flimes sempre ficam diferentes.
    Ainda não li o livro, mas espero que o flime seja bom.

    Beijos!
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br

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    1. Sem dúvida, Fernanda, os filmes ficam diferentes, mas quando é um caso como esse, acho totalmente desnecessário mudar tanta coisa :(

      Beijos,

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  5. Ainda não assistir e nem ao menos li esta obra.
    "Um carta de amor" está na minha lista de desejados faz tempo e de fato nunca tive curiosidade de ir ao filme.
    As obras de Nicholas Sparks adaptadas para o cinema de certa forma são marcantes, algumas se tornaram eternas na boca de muitas, vide "Um amor para recordar". Apesar de o meu filme favorito até o momento seja "Um Homem de Sorte".
    Ainda não assistir a este, mas quero. Ver essas coisas ele como um filme, e como uma adaptação. Acho interessante, e achei relevante cada comentário seu Ricardo!

    Adorei a coluna. Quero mais! kk

    Até mais!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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    1. Jônatas, você citou dois dos exemplos que poderia usar para mostrar que existem as mudanças, mas não radicais. "Um Amor para Recordar" e "Um Homem de Sorte" são dois filmes que seguem esse esquema que citei, porém nada são tão diferentes. Por isso, como adaptações, ambos são melhores.

      Fico feliz que tenha gostado da coluna :D Em breve vou postar sobre uma nova adaptação. Aguarde!

      Abraços,

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  6. Como já expressei minha opinião na resenha de livros dele, não gosto do autor seja em livros ou nas adaptações, as vezes e isso acontece quase sempre o problema é que a adaptação não é fiel ao livro, os roteiristas sempre mudam ou acrescentam algo que na maioria das vezes é desnecessário, como aconteceu com esse filme.

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  7. Eu não gosto muito de adaptações, geralmente elas estragam os livros, o que me deixa muito triste, principalmente quanto é de um livro que eu gosto. Que bom descobrir que este do Nicholas é assim, porque então eu não pretendo assistir o filme, só ler o livro.
    Eu fiquei curiosa com o primeiro comentário, porque eu não li o livro Querido John, só assisti o filme, que acabou comigo, e não quis mais nem ouvir falar dele, mas fiquei muito muito muito curiosa, vou comprar o livro, agora eu PRECISO dele, já que justamente o final é diferente O.O será que isso tem a ver comigo também? (eu sonhando com algo impossível) hahaha, enfim, vou parar de viajar aqui... x.x

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  8. Uma pena que isso tenha ocorrido no filme. Eu não o vi ainda, li apenas o livro e há alguns anos atrás. Lembro que chorei muito no final.
    Bjs, Rose.

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  9. É tao ruim quando mudam demais a adaptação, ta certo que precisa tirar ou acrescentar uma ou outra coisa pra se encaixar melhor no filme, mas tem umas adaptações que exageram e acrescentam coisas desnecessarias ou deixam de colocar algo do livro que seja importante, enfim, da pra entender que é impossivel fazer uma adaptação igualzinho ao livro... :(

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  10. Ainda não assisti/li essa obra de Sparks, então não poderei opinar sobre. Ainda bem que, mesmo com esses probleminhas, o filme continuou bom. Percebe-se que o filme não foi feito para agradar os dois públicos alvo dele, pois só agradou os que gostam de drama. Já os que gostam do livro, devem ter se sentido um pouco "enganados".

    @_Dom_Dom

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  11. Ainda não vi o filme nem li o livro ,nas sei lá por mais que eu não goste muito dos livros do Nicholas Sparks , eu acho que toda adaptação deve ser o mais fiel possível ao livro , pq eu sei como é frustrante para os fãs quando isso não acontece .

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