Talvez seja estranho pensar que o autismo, por mais comum que seja, ainda é uma síndrome pouco comentada e até certo ponto desconhecida. Não é fácil acreditar que isso de fato acontece, afinal a síndrome é mais comum em crianças do que câncer, diabetes e AIDS, juntos.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa recente apontou que apenas no Brasil existem cerca de 2 milhões de pessoas com autismo, enquanto estima-se que são mais de 70 milhões de pessoas no mundo. As pesquisas apontam ainda que a síndrome, descrita pela primeira vez em 1947 pelos austríacos Leo Kanner e Hans Asperger, é mais comum em meninos – quatro meninos para cada menina -, por isso o azul foi escolhido como a cor que representa o autismo.

Diferente do que se pensa, o autismo não é uma doença e sim uma condição comportamental que causa, entre outras coisas, dificuldades de comunicação. Os autistas possuem apenas uma personalidade específica, por isso que em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que 02 de abril passaria a ser o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.

Sabendo da importância dessa data tão especial, a editora Valentina organizou, em parceria com blogs literários, a Semana Passarinha de Conscientização do Autismo, uma referência ao premiado e emocionante livro Passarinha, escrito por Kathryn Erskine. A intenção é levar a maior quantidade de informações sobre o assunto e alertar que a síndrome afeta cada vez mais pessoas.

“O bom dos livros é que as coisas do lado de dentro não mudam. As pessoas dizem que não se pode julgar um livro pela capa mas isso não é verdade porque a capa diz exatamente o que tem dentro. E não importa quantas vezes você leia aquele livro as palavras e imagens não mudam. Você pode abrir e fechar os livros um milhão de vezes que eles continuam os mesmos. Têm a mesma aparência. Dizem as mesmas palavras. Os gráficos e ilustrações são das mesmas cores.
Livros não são como pessoas. Livros são seguros” – Passarinha (Ed. Valentina – 2013).
Mas a importância de se falar sobre isso é muito maior do que se pensa, visto que apesar de tudo, o autismo continua sendo um verdadeiro mistério para a sociedade como um todo. Desconhecendo ao certo a causa, sabemos que os autistas possuem dificuldade de compreensão de expressões faciais ou tons de voz, por exemplo. Iniciar e prolongar uma conversa, além de não compreender suas próprias palavras quando complexas, também são dificuldades causadas por suas personalidades.

Por esses e outros motivos, a convivência pode necessitar de um cuidado diferente, sendo assim, é de extrema importância saber como agir nesse tipo de situação. Atrair a atenção pode ser fundamental antes de iniciar uma conversa, assim como o uso de imagens e de outras formas de comunicação, como a escrita e os gestos.

A interação social também é vista como grande dificuldade, já que não compreendem as emoções e sentimentos ou não sabem a melhor forma de interagir. Por isso, é preciso ajudar no desenvolvimento desse tipo de habilidade e auxiliar na compreensão dos sentimentos de todos que cercam os autistas, incluindo eles mesmos.

Fica claro em todas as oportunidades em que o assunto é tratado, que ainda é preciso se fazer muito para que o autismo deixe de ser um mistério – mais um motivo para que a Semana Passarinha seja de extrema importância. Curiosamente, justamente por esse motivo, o símbolo da síndrome é uma fita de peças de quebra-cabeça coloridas, que representa o mistério e a complexidade do tema.

Por todo esse mistério, surgem inúmeros mitos quando o autismo está em pauta. Segundo o Centro de Otimização para a Reabilitação do Autista (CORA), ao contrário do que se pensa, o autista não possui um mundo próprio, afinal, como foi citado, eles possuem apenas dificuldade de comunicação, o que impede também que eles demonstrem sentimentos. Os autistas não possuem obrigatoriamente uma inteligência elevada, sendo que isso também varia de pessoa para pessoa. A culpa jamais é dos pais, independente das condições familiares. Esses e outros mitos devem ser quebrados para que se compreenda e saiba lidar com essas pessoas, que podem ser tão carinhosas e atenciosas como qualquer um de nós.

Como outros tipos de síndromes, as crianças nascem com autismo e não se tornam autistas.

A cultura, em especial a literatura, deve sempre ser valorizada quando buscamos informações sobre o autismo em todos os seus diversos níveis. O livro de Kathryn Erskine, vencedor do National Book Award, é apenas um dos exemplos em que o tema é tratado com delicadeza para emocionar, entreter e ensinar o leitor.

A protagonista Caitlin, portadora da Síndrome de Asperger, que desde 2013 é considerada uma forma branda de autismo, tem uma maneira bem especifica de ver o mundo. Para ela, tudo é preto e branco. Sua síndrome impede que ela consiga Captar O Sentido, algo fundamental para que se ajude e ajude seu próprio pai que está passando por um momento difícil.

À sua maneira, Caitlin busca formas de encontrar o Desfecho e acaba ensinando ao leitor, que não consegue esconder suas lágrimas de emoção pelo carinho despertado por essa garotinha, como compreender uns aos outros.

Clique aqui e confira a resenha do livro “Passarinha”, de Kathryn Erskine.

No mundo de Caitlin tudo é preto ou branco. As coisas são boas ou más. Qualquer coisa no meio do caminho é confuso. Essa é a máxima que o irmão mais velho de Caitlin sempre repetiu. Mas agora Devon está morto e o pai não está ajudando em nada. Caitlin quer acabar com isso, mas como uma menina de onze anos de idade, com síndrome de Asperger ela não sabe como. Quando ela lê a definição de encerramento ela percebe que é o que ela precisa. Em sua busca por ele, Caitlin descobre que nem tudo é preto ou branco, o mundo está cheio de cores, confuso e bonito.

9 Comentários

  1. Achei esta ideia fantástica. Uma forma de falar de um problema pouco conhecido. Meu interesse pelo livro até aumentou.
    Bjs, Rose

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  2. Achei a iniciativa da Valentina muito louvável, afinal pouco sabemos sobre esse assunto, eu mesma confesso que não sei quase nada sobre o autismo.
    Passarinha é um livro bastante especial para mim, amo-o de diversas e incontáveis formas diferentes. Seria ótimo que todos pudessem ter a oportunidade de lê-lo um dia e aprender bastante com ele, assim como eu aprendi tantas coisas.
    A semana está acabando e creio que todos os blogs participantes da semana Passarinha fizeram um ótimo trabalho (:

    Brunna Carolinne - My Favorite Book - @MFBook
    myfavoritebook-mfb.blogspot.com.br

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    1. Concordo com tudo o que você disse, Brunna, em especial sobre o livro "Passarinha". Faz um bom tempo que li, mas até hoje é difícil falar exatamente tudo o que livro significa e o quanto Caitlin me mudou, apesar de uma história relativamente simples.
      Sempre que tenho a oportunidade indico o livro e fico feliz quando as pessoas se interessem. O legal é ver que essa iniciativa da Valentina está contribuindo para que o interesse de muitos apenas aumente.

      Beijos,

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  3. Nada melhor que obter mais informações e conhecimento, só nesse post descobri coisas que não sabia, parabéns a editora Valentina e as blogs que aderiram a essa semana que trata sobre o autismo, é um tema sem dúvidas pouco conhecido da maioria, que aos poucos vai se tornando mais divulgado. Livros, filmes e até nas novelas vemos algumas histórias com personagens que possuem essa síndrome, que demanda muito amor e compreensão de quem convive diariamente com a pessoa autista.
    Passarinha é um livro pequeno com uma grande história não tem como não se apaixonar pela Caitlin e torcer por ela.

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  4. Há algum tempo atras eu nao conhecia nada sobre o autismo, até que nasceu um primo meu que hoje está com 5 anos e que tem autismo, achei a ideia da editora Valentina muito legal, e eu estou doido pra ler esse livro Passarinha, a divulgação só aumentou minha vontade de ler o livro... :D

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  5. Eu li Passarinha e gostei muito, mas esperava mais do livro, algo mais aprofundado da doença, não estou tirando os méritos da autora e da editora, pelo contrário, achei a iniciativa muito boa, e realmente temos que lutar pela conscientização, só esperava algo mais detalhado, que explicasse mais, ficou parecendo que a doença é fácil assim, sei que existem muitos tipos de autismo, sei que devemos "começar do começo", mas um impacto maior seria melhor. Esta é minha opinião, não estou contra ou desmerecendo o trabalho de ninguém, apenas penso assim. =)

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    1. Laura, apesar de ter gostado muito do livro, a ponto de colocá-lo como um dos meus favoritos, concordo com o que você disse sobre o aprofundamento da síndrome. Particularmente só não consigo imaginar como o livro, pela maneira como foi narrado, poderia se aprofundar nisso. Na verdade é uma coisa pra refletir, algo que não fiz até então.
      Muito obrigado por seu comentário!

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  6. Essa ideia da Semana de Conscientização foi sensacional. Sei muito pouco em relação ao tema, e com essas informações, acabei tirando algumas dúvidas. Isso me deu vontade de pesquisar mais sobre o assunto. As curiosidade também foram bem interessantes, pois não sabia dessa estatística em relação aos meninos e meninas.

    @_Dom_Dom

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  7. Acho tão linda a capa desse livro ,bem simples mas muito bonita ,e quanto a Semana de Conscientização, acho bem legais os blogs fazerem essa campanha, pq são poucas as pessoas que sabem como realmente lidar com o autismo ...

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