Quase Acaso e Suicídios em Bom Jesus são dois livros bem diferentes em todos os sentidos, mas ambos levam o leitor a uma inevitável reflexão sobre a vida, o sistema e o homem de um modo geral. O autor dos dois livros inclusive possui uma característica natural da vida literária, que é o uso de seus próprios ideais, ainda que superficialmente, ao contar uma história. Coincidentemente sua carreira também teve início de forma semelhante à de muitos outros escritores: após o incentivo de uma pessoa próxima. Ainda que esteja apenas começando, André Tressoldi tem muito que falar sobre seus livros, seu estilo literário e sobre o futuro de sua carreira, por isso é que estamos De Olho Nele:
Over Shock – Olá, André! Desde o nosso primeiro contato comentei sobre uma futura entrevista que gostaria de realizar, por isso posso dizer que ter essa oportunidade é algo realmente muito bacana e espero, com a entrevista a seguir, apresentar um novo lado de André Tressoldi para os leitores.
Antes de iniciar esse bate-papo, conte um pouco sobre quem é André Tressoldi.
André Tressoldi – Primeiro quero parabenizá-lo com a seriedade e a qualidade de seu blog. Quanto a mim, considero-me uma pessoa simples, sempre disposto a aprender e dar o devido crédito a críticas construtivas.

Você começou a escrever apenas em 2010 e dois anos mais tarde já havia publicado os primeiros livros. O que te levou a se dedicar a literatura? Você já havia planejado algo anteriormente?
Na verdade, sempre senti atração pela literatura e pensava em escrever, no entanto, parecia algo distante da minha realidade, por isso não planejei nada com antecedência. Mas, em 2010, pelos corredores da faculdade de letras, vi um cartaz de um concurso literário. Fiquei animado e decidi tentar escrever um conto. Depois de escrito passei o original para uma grande amiga lê-lo. Esta disse que gostou muito, de modo que eu deveria continuar escrevendo. Foi o que fiz a partir daí.

Além de seus dois romances, você foi convidado também a participar da coletânea de contos em comemoração aos 50 anos da Associação Nacional de Escritores de Brasília e da antologia “As muitas Faces da Morte”. Qual a importância dessas publicações para sua recente carreira literária?
Ter um texto próprio escolhido através de um concurso literário para compor uma antologia é realmente algo estimulante, principalmente porque faz com que o escritor acredite que de fato o seu trabalho possua, afinal, algum valor literário.

Quais foram as principais diferenças no processo de publicação de seus livros pela editora Novo Século e a editora Multifoco?
Foi uma coisa interessante, primeiro submeti o original do Quase Acaso à Multifoco, no entanto, foi recusado para publicação, então, submeti à Novo Século, que possui um selo específico para novos autores e o livro foi publicado. Quando enviei o original Suicídios em Bom Jesus para à Multifoco, a mesma resolveu publicá-lo. É importante frisar que em relação à atenção que se dá ao autor, a qualidade técnica da impressão, a divulgação e distribuição, a editora Novo Século merece nota dez, ao passo que a Multifoco deixa a desejar nesses quesitos. Confesso que fiquei um pouco frustrado com a publicação pela Multifoco e pretendo, assim que vencer o contrato com a mesma, republicar o Suicídios em Bom Jesus por outra editora, uma vez que acredito que este livro mereça uma atenção especial.

Foram necessárias pesquisas especificas para a escrita dos livros ou a experiência de sua vida foi suficiente para isso?
Um pouco das duas coisas. A visão de vida contou bastante, no entanto, a pesquisa também foi fundamental, pois é muito difícil, creio eu, escrever um livro sem qualquer espécie de pesquisa. Sempre surge um tema gerador de dúvida e, em respeito aos leitores, é necessário pesquisar para ver se realmente o que estamos escrevendo condiz com o que se pretende transmitir com o livro.

Você costuma inserir seus próprios ideais de vida em suas histórias?
Pelo menos nesses dois primeiros livros, confesso que inseri alguns pontos de minha visão pessoal do sistema, como um todo, porém, de forma relativa e não absoluta.

De uma forma ou de outra, “Quase Acaso” e “Suicídios em Bom Jesus” provocam certa reflexão no leitor. Até que ponto você considera essa como uma característica do seu trabalho?
Acredito que primordialmente são as características próprias das obras e não uma característica minha inseparável, já que o próximo livro a ser publicado destoa desta linha. Mas em relação a essas duas obras, fiquei muito feliz por os livros terem provocado reflexão no leitor, pois essa foi uma das intenções que tive durante o processo criativo.

O que você pode adiantar sobre a próxima publicação, intitulada “Lua, lobos e cerrado”?
Como disse acima, este livro segue outra linha, a da literatura fantástica. Sou fã também de literatura fantástica e tenho intenção de publicar algo nesse sentido. Desejo que possa ser feliz nesta futura publicação e que seja uma história boa, com potencial para entreter ou até mesmo fascinar os leitores. A criação de mundos novos e histórias surreais é algo que me fascina. Posso adiantar que é uma história que se passa no Cerrado Mato-grossense e mescla aventura, romance, mistério e terror. Tem a ver com a lenda dos lobisomens. Mas a abordagem que se faz com a lenda é bem diferente da usual. A publicação será pela Editora Novo Século, com previsão de lançamento para setembro de 2014.

Como você lida com as críticas, positivas e negativas, em relação ao seu trabalho? É possível dizer que muitos escritores ainda não sabem lidar com isso e aproveitar ao máximo o que elas podem proporcionar?
Graças a Deus, lido bem com isso, gosto das críticas negativas porque às vezes fazem você enxergar algo que precisa ser mudado, é necessário ser humilde e ter sempre a consciência de que sou um escritor novato e estou aqui é para aprender e me aperfeiçoar. As opiniões são bem vindas, mesmo que as desfavoráveis. Em relação às criticas positivas, o que mais me deixa contente é o leitor dizer, “Nossa, não consegui parar de ler o seu livro” ou “O livro me fez enxergar as coisas por outro ângulo”. Isso realmente faz pensar que o trabalho de escrever valeu a pena. Em relação aos escritores que não sabem aceitar críticas negativas, acredito que tal atitude seja fruto de duas coisas: 1° imaturidade sentimental e, 2º, ego muito grande. Esses são dois fatores impedem o avanço do ser humano não só na escrita, como também nas mais diversas áreas.

Jogo Rápido:
Quase Acaso: Uma reflexão sobre o sistema e o papel do acaso em nossas vidas
Suicídios em Bom Jesus: O perigo de se aceitar opiniões e tradições sem questioná-las
Reinaldo e Vânia: O amor tentando se sobressair ao sistema
Ricardo Godoy: corajoso, obstinado e com um leve toque de ingenuidade
Um escritor que admira: Fraz Kafka
Um personagem inesquecível: Lara, de Dr. Jivago.
Um sonho literário: Conquistar leitores

Muito obrigado, André! Espero que seja possível despertar o interesse dos leitores por sua obra literária através dessa entrevista e volto a te agradecer pela oportunidade.
Para encerrar, gostaria que você enviasse uma mensagem final aos leitores do blog Over Shock. Obrigado!
Fico muito feliz em participar da entrevista com o blog Over Shock e asseguro que é um dos melhores blogs que conheço. As resenhas elaboradas pelo Ricardo são bem detalhadas e dão uma visão imparcial sobre a obra resenhada, fato esse, muito importante, não só aos leitores, assim como aos escritores. Além disso, demonstra que o Blog faz uma leitura séria e atenta das obras que se propõe resenhar. Muito obrigado pela oportunidade. Sucesso e saúde!

7 Comentários

  1. Não é o primeiro autor que eu vejo ter problemas com a Multifoco... e isso não me espanta em um pouco, a qualidade dos livros da editora (tecnicamente falando, impressão e tal) é completamente péssima. Comprei um livro deles para nunca mais. Espero que ele publique mesmo o livro por outra editora.

    E o autor ganhou meu respeito por estar aberto às críticas. Tem gente que realmente se sente pessoalmente ofendido, não sabe usar uma crítica para crescer, chega até a ameaçar quem critica. Isso é muito triste... :/

    Adorei a entrevista!

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  2. Oi, Ricardo!

    Quando vi na página de seu blog a entrevista, eu até abrir o seu blog, mas deixe para ler depois rs e como você disse que me citou por aqui, eu vim mais rápido.
    Fiquei super feliz pelo André ter citado meu blog como um dos de sua lista, pois isso deixa-nos muito feliz.

    Gostei muito da entrevista e futuramente também farei uma com ele. Gostei de ver que ele recebeu nossas criticas de bom grado e vai usá-las para seu próprio crescimento e melhora para seus escritos, pois isso demostrar que ele é maduro e tem futuro no mundo literário. Desejo muito sucesso e fiquei bastante curiosa para ler o próximo livro dele e os contos.

    Parabéns para você também e muito sucesso com o blog e com sua vida de escritor também. ;)

    Beijos Fê :*
    http://fernandabizerra.blogspot.com.br

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    1. Como já disse, Fernanda, é muito bacana saber que você gostou da entrevista e claro que você merece ser citada, por todo o apoio que proporciona aos autores nacionais.
      Sobre a entrevista, é realmente bom encontrar um autor que sabe ver as críticas como uma forma de ajudá-lo a continuar crescendo. Alguns deveriam se inspirar no André. rsrs

      Beijos e muito obrigado por todo.

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  3. Olá Ricardo,

    Já vi alguma coisa sobre esse autor em algum blog, gostei da entrevista e de saber que as críticas são bem vindas por eles, alguns torcem o nariz para isso e a faculdade ajudou muito na rapidez da escrita do autor, lançando duas obras em pouco tempo.....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  4. Olá,
    ainda não conheço a obra do autor. Tipo, ainda não li nenhuma obra, mas conheço um pouco sobre ele vendo nos blogs...
    Acredito que ele tenha obras que verdadeiramente valem a pena ler e apreciar.
    Um escritor que tem grande futuro!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  5. Legal a entrevista, Rick!
    O que achei interessante é que ele se joga em diferentes tipos e gêneros literários. Espero que consiga sucesso em todos. O que acho uma pena é esse descaso que a editora tem para com seus autores. A Multifoco errou (mais uma vez) feio, e merece um belo de um puxão de orelha.

    @_Dom_Dom

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  6. Humildade é tudo ainda mais quando se busca ser um autor de renome, gostei muito da atitude do André de estar aberto e aceitar as críticas que muitas vezes são construtivas e buscam ajudar o mesmo nos próximos trabalhos.
    Gostei da entrevista e uma pena que a editora Multifoco tenha feito um trabalho ruim com a edição do livro, isso mostra um descaso por parte dela, mas a capa de Quase Acaso livro que foi publicado pela Novo Século ficou demais, ansioso para conferir o livro de fantasia no Cerrado Mato-grossense.

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