Uma série de fatores determina se um artista tem condições de ter seu nome imortalizado em sua arte. Alguns conseguem isso através de seus textos, outros devido a alguns personagens e alguns por simplesmente criarem seus próprios universos. O inglês Douglas Adams está em um nível totalmente diferente. Ele se tornou imortal pela união de todas as características citadas, ainda que nem todos conheçam amplamente sua história e obra.

A passagem de Douglas Noël Adams por esse mundo foi rápida, porém menos de meio século foi suficiente para torná-lo tão importante e fazer com que seja considerado um grande representante para toda uma geração. Nascido em Cambridge no dia 11 de março de 1952, Douglas Adams morou na infância com a mãe, a irmã e os avós maternos e sempre mostrou seu talento para a escrita.

Com textos publicados ainda durante sua vida escolar, o futuro criador de uma das mais conhecidas obras de ficção científica da literatura frequentou o curso de Literatura Inglesa pela Universidade de Cambridge. Antes de se formar, também escreveu e atuou em teatro de revista, o que seria de fundamental importância para seu trabalho como comediante.

Quando finalmente concluiu a universidade, Douglas Adams já estava decidido a escrever para a televisão e o rádio. Nessa época teve a oportunidade de colaborar com a escrita da série Monty Python’s Flying Circus, onde também teve pequena participação como ator, mas sua escrita era inadequada para o estilo da época, por isso trabalhou também em outras funções. Nunca deixando de escrever.

A persistência resultou no sucesso, que surgiu quando O Guia do Mochileiro das Galáxias apareceu pela primeira vez em um programa de rádio. Inovador para a época, o programa estreou em março de 1978 e rapidamente conquistou importantes prêmios. O reconhecimento veio também quando a série foi transmitida em rádios de outras partes do mundo, incluindo os Estados Unidos e o Canadá.

Adams já era produtor da rádio BBC há cerca de seis meses quando passou a trabalhar com a equipe de produção da série Doctor Who, um dos maiores sucessos de todos os tempos na televisão inglesa. O escritor foi responsável por alguns episódios da série, sendo que alguns dos elementos criados por ele exclusivamente para a televisão foram utilizados mais tarde em obras literárias.

Nessa mesma época, quando já era conhecido por seu trabalho como escritor, Douglas Adams publicou o primeiro volume de sua série, intitulado “O Guia do Mochileiro das Galáxias”. Publicado no Brasil pela editora Brasiliense e posteriormente pelo Grupo Sextante, o livro deu apenas o pontapé inicial do que se tornaria um dos maiores sucessos literários das últimas décadas, resultando também em adaptações para a televisão, cinema e jogos eletrônicos.

Em 1980, apenas um ano após a publicação do primeiro livro, Adams publicou “O Restaurante no Fim do Universo”, segundo livro que teria como sequências os títulos “A Vida, o Universo e Tudo Mais” (1982), “Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!” (1984) e “Praticamente Inofensiva” (1992). Além disso, o sexto livro foi escrito por Eoin Colfer e recebeu o título “E Tem Outra Coisa”, sendo publicado postumamente.

O intervalo de mais de dez anos entre a publicação do primeiro e o quinto livro da série foi marcado por outros trabalhos de Douglas Adams, incluindo uma série de TV, baseada em sua principal obra, transmitida pela BBC em seis episódios no ano de 1981. Jogos eletrônicos e outros romances também foram publicados, como Dirk Gently's Holistic Detective Agency, que será publicado em breve no Brasil pela editora Arqueiro.

Já em sua vida pessoal, o escritor teve um relacionamento com Jane Belson, mãe de sua única filha, Polly Adams, nascida em 1994. Ateu e ativista ambiental, Adams também escreveu sobre a tecnologia de um modo geral, isso em uma época em que a tecnologia começava a engatinhar para se tornar o que conhecemos hoje.

A vida de Douglas Adams chegou ao fim em seu auge e de maneira precoce. O escritor já morava há dois anos nos Estados Unidos, na cidade californiana de Santa Barbara, quando sofreu um infarto do miocárdio, vindo a falecer no dia 11 de maio de 2001. Adams foi cremado e mais tarde suas cinzas levadas de volta à Inglaterra, onde foram colocadas em um cemitério no norte de Londres.

Desde o ano do falecimento de Adams, fãs do mundo todo o homenageiam no dia 25 de maio, conhecido não apenas pelo Dia do Orgulho Nerd, como também o Dia da Toalha. Essa foi uma forma encontrada pelos fãs de se lembrar de um escritor responsável por alegrar milhões de leitores espalhados pelo mundo. Além das homenagens dos fãs, Adams foi homenageado também pelo Google através de um Doodle disponibilizado em 11 de março de 2013, data em que o escritor completaria 61 anos.

Mesmo após o seu falecimento, novos trabalhos foram lançados, incluindo um filme em que ele chegou a trabalhar na produção pouco antes de sua morte. No primeiro ano de seu falecimento, foi lançado também o livro “O Salmão da Dúvida”, que será lançado no Brasil pela editora Arqueiro no próximo Dia da Toalha, uma espécie de tributo após ele vender mais de 1 milhão de exemplares apenas no Brasil.



“Há uma teoria que indica que se alguém descobrir exatamente para que e porque o universo está aqui, o mesmo desaparecerá e será substituído imediatamente por algo ainda mais bizarro e inexplicável... Há uma outra teoria que indica que isto já aconteceu” – Douglas Adams em O Guia do Mochileiro das Galáxias.
Douglas Adams - ☆ 11/03/1952 - ✞ 11/05/2001

6 Comentários

  1. Ainda não li nada do Douglas Adams, e isso é algo que preciso "consertar". Ele inspira gerações!!! Ouço falar muito da obra dele, principalmente da série O guia do Mochileiro das Galáxias, que eu não tinha ideia de que tinha começado no rádio, e da série Doctor Who, que eu não assisto na ordem, algo que também preciso fazer.
    Eoin Colfer é um dos meus autores favoritos então tenho certeza que ele honrou o trabalho do Adams.
    Não participo do dia da Toalha, diferente de vários dos meus amigos, por não conhecer a obra do autor.

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  2. O Douglas é mesmo imortalizado.
    Eu me envergonho em dizer que nunca li nada dele, nem mesmo o filme baseado em seus livros em vi =/. Mas não é por falta de vontade, até porque um dia ainda quero participar do Dia da Toalha!

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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  3. Gosto desta coluna, pois ao mesmo tempo que tenho um forma de aprofundar meu conhecimento sobre a obra e a vida de alguns autores que são por mim muito admirados, também conheço outros, como é neste caso.
    Me chamou atenção, por não conhecer e não saber de quem se tratava. Não conheço nenhum livro de sua obra, mas fui pesquisa e alguns verdadeiramente me interessaram.
    Gostei muito. Obrigado pela apresentação.
    kkk

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  4. Tenho os três primeiros volumes dessa série "O Guia do Mochileiro das Galáxias", mas ainda não os li. É uma pena que ele tenha ido tão cedo, mas, mesmo sendo tão jovem, conseguiu criar essas obras fantásticas. Ele realmente fez a diferença. Não é à toa que rolou essa homenagem do Google e a criação do "Dia da Toalha". O cara merece!

    @_Dom_Dom

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  5. Sou um grande fã de toda a obra e vida do Douglas Adams, tanto que votei na enquete justamente para que ele fosse o autor citado na sua coluna sobre os imortais da literatura, só lendo os livros dele para entender a grandiosidade de suas ideias e ficar triste por ele ter partido tão cedo, mas agora posso ler O Salmão da Dúvida e que venham muitas mais homenagens a esse grande autor!

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    1. Muito obrigado pelo voto e comentário, David. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler nada do Douglas, porém a pesquisa para essa homenagem me motivou a conhecer seu trabalho, já que deu para perceber que é fascinante.

      Abraços,

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