O instrutor de kendô Jorge Kishikawa já disse em seu livro Shin Hagakure que “o vestibular é uma das primeiras batalhas do jovem samurai moderno (...). Muitos morrem e somente os aprovados sobrevivem”.

Não é um erro ver o processo seletivo como uma guerra. Amenizar o risco e a responsabilidade que representa uma prova que caso você perca precisa esperar um ano inteiro para realizar é praticamente tapar o sol com uma peneira e tentar levar tudo no tradicional espírito “oba, oba” do povo brasileiro.

Infelizmente o sistema trabalha muito bem para que não possamos arcar com tal tarefa. Aprovação automática, benefícios para pessoas de classes baixas e o aprendizado de quando precisar, fazer aquela voz de choro e dizer “poxa, professor. Deixe-me entregar o trabalho para semana que vem?” são coisas que vão culminando nos milhões de adultos que somos hoje: sujeitos que não sabem discernir se o cão abana o rabo ou o rabo abana o cão.

Dado a situação, o pai sensato ou o jovem ciente procuram um curso pré-vestibular. Um lugar onde o ensino tem que ser superior ao que é apresentado na escola pública, além de exigir do participante o empenho que ele precisará trabalhar para ir bem na tão temida prova.

Não é fácil estudar todas as matérias, ler os livros de literatura e ainda desenvolver a proficiência da escrita para fazer uma boa redação. Se o estudante tem idade escolar, ele precisa conciliar o tempo do estudo com os da escola pública. E se ainda por cima o jovem trabalha ou é responsável pela família na qual é criado... a coisa complica!

Infelizmente como já falei antes, o sistema trabalha a mente da sociedade por anos para que o vestibulando seja uma pessoa acomodada, que leve tudo na brincadeira e que no final, queira reclamar da sua vida de pobre coitado. O estudante disposto a prestar o vestibular não tem a noção do fardo que carrega, não possui o sentimento do desespero dentro de si que faz as pessoas correrem no meio de tiroteios e nem conseguem diferenciar o “querer” do “precisar”. E no fim acaba se tornando aquele aluno hipócrita que acha que o curso é a escola pública, onde o professor tem que chamar a sua atenção para que ele cesse com as conversas paralelas ou que preste atenção nas atividades — e olhem que nem na escola pública isso deveria ocorrer!

A moral da história é que o sujeito que reclama de um curso pré-vestibular está fadado a não ser aprovado nos exames ou ainda que seja, não irá se empenhar tanto quanto poderia. O vestibular é só o começo do que está por vir. Obviamente, só os que passam sabem como será maior o grau de dificuldade.

Sem mais.

Sobre o Autor
Davi PaivaDavi Paiva da Silva nasceu em 22/03/1987, em São Paulo – SP. Está cursando Letras na UNICSUL, publicou o texto "18 anos sem Ayrton Senna" no site minilua.com, além de um microconto com a hastag #tweetcontos no twitter DaviTweetcontos e colabora com artigos no blog espadaarcoemachado.wordpress.com. No mundo impresso, participou das antologias de contos Corações Entrelaçados, Névoa, Quimera, Sopa de Letras, Amores (Im)Possíveis, Mentes Inquietas e Livre Para Voar todas da Andross Editora.

Contato: davi_paiv@hotmail.com.

9 Comentários

  1. Nunca fiz um curso pré-vestibular, mas isso porque tive a sorte de estudar a vida em toda em um ótimo colégio, que me ensinou a pensar e não decorar. Aproveitei a oportunidade que tive, nunca fui de ficar estudando muito mas sempre prestei atenção a cada palavra que os professores disseram, e várias coisas ficaram comigo por toda a vida. Acho que essa é a principal diferença: a postura. Esse tipo de aluno hipócrita que você descreveu, realmente, dificilmente terá sucesso.

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  2. Empenho essa é a palavra, sem ele nada é conquistado e principalmente a aprovação no vestibular que é algo esperado e que mexe com toda a nossa estrutura, é através do mais complicado que temos noção de como a vida será, não é para os fracos.

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  3. Nem todo curso pré vestibular é válido, também vai muito do aluno. Claro que quem tem uma boa base e vem de uma boa escola que ajuda o aluno a se preparar para esta fase, principalmente as escolas particulares, já tem uma grande vantagem, mesmo sem o cursinho.
    Bjs, Rose

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  4. Olá :)
    Primeiro de tudo: eu adorei o seu texto. Posso dizer isso por mim mesma, que estou no último ano do ensino médio e já ficando louca com a pressão para passar no vestibular de uma boa faculdade pública.
    Todos sabemos que fica cada dia mais difícil conseguir a aprovação, e que a previsão é só piorar. Acho que o vestibular é mesmo essa pequena prova, a primeira delas, para selecionar quem são os melhores.
    Ah, e eu ri com o trecho do livro Shin Hagakure. Exatamente isso! hahaha
    Beijos!

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  5. Adorei o seu texto, ainda não tenho tantos problemas, e pro pré vestibular ainda falta um tempo ú.ú

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  6. Olá Davi e Ricardo,

    Concordo plenamente, o vestibular é só o começo, tem muita agua pra rolar ainda...parabéns pelo texto...abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  7. Olá Davi

    Antes de prestar vestibular eu fiz cursinho, já que queria prestar Unicamp e não tinha muita ideia do que esperar pois não frequentei o ensino médio em meu último ano então não passei por toda a pressão que o vestibular representa para quem chega nessa fase. O cursinho me fez entrar no pique de estudos, já que passar na prova seria só o primeiro passo como você ressalta no fim de seu texto. Não conheci pessoas acomodadas com relação ao vestibular, mas talvez isso tenha acontecido pelo motivo citado acima.

    Não acho que o curso pré-vestibular seja a solução para quem quer passar em um vestibular. Algumas pessoas que fizeram cursinho comigo não passaram na prova apesar de terem se esforçado pra caramba. Quem não se esforça então dificilmente terá alguma chance. É necessário muito empenho, uma boa base adquirida ao longo dos anos anteriores ao momento da prova (que de certo modo foi o que me salvou) e muita calma, pois a pressão é tremenda.

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  8. Olá Davi,

    Concordo plenamente com você.
    Cheguei a fazer durante um ano o curso pré-vestibular, sair da escola focado. Fiz o vestibular durante o anos escolares, não passei por poucos pontos. Quando entrei no cursinho, vi justamente isso pessoas que deixavam de ver a dificuldade que era e reclamavam demais e se preocupavam pouco no que verdadeiramente era importante estudar.
    Reclamavam da exigência dos professores.
    Quando eu entrei na universidade percebi que eu nunca conheci uma exigência de fato.


    Muito bom seu texto!
    Parabéns!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  9. Os três primeiros vestibulares que fiz não passei (fiquei no remanejamento), depois que fiz cursinho, passei nos dois que me inscrevi. Realmente o vestibulando não tem noção do que o espera em um curso superior. As exigências que professores de cursinhos fazem, não chegam nem na metade do que é a pressão por provas e entregas de trabalhos e projetos em finais de períodos. Que essas criaturas mudem suas posturas e passem a agir, e não ficar reclamando de barriga cheia.

    @_Dom_Dom

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