Os Assassinos do Cartão-Postal, James Patterson e Liza Marklund, tradução de André Fiker, 1ª edição, São Paulo-SP: Arqueiro, 2014, 304 páginas.
Skoob: Clique Aqui.

Jacob Kanon, do Departamento de Polícia de Nova York, está viajando por toda a Europa, mas não faz isso apenas para conhecer as belezas do Velho Continente. O objetivo dessa viagem é buscar por provas que o ajudem a chegar aos assassinos de sua filha, assassinada brutalmente durante uma viagem. Porém a filha de Jacob não foi a única pessoa morta.

Em várias importantes cidades da Europa, casais estão sendo mortos e, antes dos corpos serem encontrados com a garganta cortada, os assassinos enviam cartões-postais aos grandes jornais da cidade em que o crime foi cometido. O novo cartão-postal foi enviado para a jornalista Dessie Larsson, em Estocolmo, por isso o detetive vai até a Suécia para tentar descobrir o real motivo dessas misteriosas mortes.

“Ela apoiou a testa dele na dobra do seu braço esquerdo, mantendo a cabeça erguida. Em seguida, procurou pela pulsação com as pontas dos dedos, estimou a força do fluxo e enfiou o estilete na veia jugular esquerda. O corte, rápido e preciso, atravessou músculos e ligamentos.
No fim, só restou o leve chiado que indicava que a traqueia havia sido cortada” (pág. 14).
Nos mais de cem livros de James Patterson você vai encontrar de tudo, mas isso não impede também que sejam encontrados livros muitos semelhantes. Nas séries policiais, em especial, isso fica mais evidente, já que as características do primeiro se repetem nas continuações. Felizmente características de outros livros não são encontradas em Os Assassinos do Cartão-Postal.

Antes de tudo é bom ressaltar que Liza Marklund não é uma coautora qualquer. Poucos sabem, mas Liza é uma grande best-seller da literatura sueca, que conquistou mundialmente o que apenas Stieg Larsson conseguiu, e foi exatamente isso que resultou nessa parceria entre dois importantes nomes literários da atualidade. E se escritores menos reconhecidos, ou até mesmo desconhecidos, já influenciam o trabalho de Patterson, imagine então alguém tão importante quanto ele.

Partindo deste princípio, é claro que Os Assassinos do Cartão-Postal possui inúmeras diferenças. As diferenças vão além dos capítulos não sequenciais da edição brasileira, que aumentou consideravelmente o número de páginas. A própria escrita, totalmente em primeira pessoa, o que também não costuma acontecer, explica o motivo de o livro não ser mais do mesmo.

Com uma história bem pensada e que se aproveita de grandes obras de arte encontradas em toda a Europa, o livro tem a mesma estrutura e pontos de viradas de todos os livros de Patterson, porém também tem uma interessante e bem elaborada busca por provas que podem ajudar a polícia. O único problema é que a polícia sueca comete erros infantis e isso certamente é motivo para irritar qualquer leitor.

Ainda que não seja perfeito, mas sim um bom livro para entretenimento, não dá para dizer de forma alguma que faltou algo. Isso porque os autores souberam aproveitar a história única que tinham em mãos, sem situações repetitivas, e construíram perfeitamente a personalidade e o passado de dois bons personagens. É uma pena que Jacob Kanon e Dessie Larsson não serão mais aproveitados.

O engraçado após a leitura, apesar das muitas diferenças, é pensar que os antagonistas, mais uma vez, não tiveram suas passagens tão aprofundadas quanto mereciam. É bem verdade que existe uma explicação aceitável para o que os levou a cometer tantos assassinatos e também como isso influenciou outras pessoas, mas já que o leitor os acompanha de perto, por que não explorá-los ainda mais? Começo a pensar que nesse ponto James Patterson é 8 ou 80: ou explora muito ou deixa a desejar.

“Talvez as pessoas tivessem preferências diferentes dentro do mundo da arte conceitual, mas, na realidade de Jacob, não se transa com um irmão gêmeo em público – a menos que você tenha uma caixa de ferramentas inteira de parafusos a menos” (pág. 231).

12 Comentários

  1. Oie!

    Eu estou bem curiosa para ler este livro, já solicitei para editora.
    Adoro os livros deste autor.

    Beijos*

    ResponderExcluir
  2. Oi Ricardo, foi bom conhecer este detalhe da autora, mesmo porque eu não a conhecia. Fiquei mais curiosa com o livro agora.
    Bjs, Rose

    ResponderExcluir
  3. Estava meio receoso em relação a esse livro por ser mais do mesmo, pelo que vejo não é, lógico tem seus erros, mas a união de dois grandes autores, principalmente a autora sueca já que a história é ambientada lá.
    Suspense é meio gênero favorito ainda mais quando apresenta uma boa história, capaz de envolver e prender o leitor em busca de que o crime e os culpados sejam encontrados e punidos, pretendo arriscar essa leitura.

    ResponderExcluir
  4. Estou com bastante vontade de ler este livro do Patterson, e sabe, todas as resenhas que li até agora estão elogiando o nível da história e seu desenrolar. James não é o tipo de autor que decepciona, mas por seus livros terem sempre aquela fórmula básica, acaba trazendo opiniões diversas. Fico feliz que com "Os Assassinos do Cartão-Postal" foi diferente! Não vejo a hora de poder ter em mãos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Joshua, como você disse, ele não costuma decepcionar, mas é normal alguém esperar algo de outro mundo, e sabemos que por mais excepcional que seja, a intenção do Patterson é apenas entreter. rsrs Quem tiver isso em mente não se decepciona nunca!

      Excluir
  5. Estou morrendo de curiosidade em ler esse livro! A premissa dele é bem interessante e por incrível que pareça nunca li nada do James, hehhee. Parece ser um livro bem intenso que nos prende mesmo, achei super bacana o livro ser escrito em primeira pessoa, amo livros assim. Espero poder ler muito em breve, a capa é linda! Ótima resenha!

    Beijos!

    Meu Diário

    ResponderExcluir
  6. Oi, Ricardo!
    Bem, já li Alex Cross e até gostei, mas sou um pouco receosa com qualquer livro do James Patterson depois de ler os dois primeiros livros da série Bruxos e Bruxas. Detestei a série, que possuía uma premissa muito boa.
    Quando vi o lançamento desse livro, até me interessei pela história, mas achei a sinopse um pouco repetitiva demais, com os assassinatos e tudo. De qualquer modo, não acho que seja um livro que eu tenha interesse para ler, mas vou continuar acompanhado os comentários de perto; quem sabe no futuro? rs.
    Ótima resenha!

    Beijos.

    ResponderExcluir
  7. Quero muito ler esse livro, nunca li nada de James Petterson, mas sei que ele é um ótimo escritor, eu não sabia que esse livro tinha uma co-autora, ama parece ser muito bom, já que os dois pelo o que vc disse são ótimos autores.

    ResponderExcluir
  8. Ricardo, como já comentei com você o único livro que li do James Patterson foi O diário, e eu amei demais, e coleciono a série Mulheres Contra o Crime apesar de nunca ter lido nenhum dos livros policiais dele, sendo essa coleção totalmente culpa das promos de 10 reais do submarino e do fato de eu não resistir a livros policiais.

    Quando vi que a arqueiro ia lançar mais um livro dele fiquei curiosa pois o enredo me lembrou o caso do Zodíaco.

    Ao começar a ler sua resenha, vi que esse é mais um livro do James Patterson em parceria, então decidi buscar no skoob outros livros da sua parceira, Liza Marklund, antes de dar prosseguimento a leitura. Fiquei bem interessada em A Loba Vermelha, um dos livros dela cadastrados no skoob (http://www.skoob.com.br/livro/362531-a-loba-vermelha) e gostei bastante de você ter destacado ela em sua resenha, e ter dado uma dimensão da influência dela na composição desse livro.

    Coloquei o livro na minha lista de desejados :) Como sempre uma ótima resenha.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Preciso confessar que não sabia sobre esse livro da Liza. Na verdade pesquisei, mas só achei livros publicados em Portugal, por isso pensei que esse fosse o primeiro trabalho da autora no Brasil. Curiosamente eu já conhecia a capa, mas não fazia ideia da autora. rsrs

      Também fiquei interessado por esse livro e pretendo ler assim que possível. Sobre "Os Assassinos do Cartão-Postal", tenho certeza que será uma experiência bem bacana, assim como a série Clube das Mulheres Contra o Crime - que tenho um carinho especial, por sinal.

      Beijos, Lais!

      Excluir
  9. Olá Ricardo,
    Ainda não li o livro que pretendo começar a ler do autor.
    Este livro é uma obra que me chamou a atenção quando chegou por aqui pela capa e depois pela história. Gosto muito de literatura policial e o que acho interessante é o autor sempre se renovar sempre nesse gênero. Acredito ser um gênero que a imaginação precisa ser trabalhada ao extremo para não cair no "repetitivismo".
    Acredito que está história tem um quê de originalidade, acredito, talvez. Quero muito poder ler e acompanhar esta história. Parece interessante.

    Gostei da imparcialidade muito bem definida na resenha, parabéns!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  10. Realmente, Rick, é complicado quando um autor escreve muitos livros no mesmo gênero, pois sempre as coisas começam a se repetir. Fico feliz em saber que isso não aconteceu aqui. Deve-se muito ao fato dessa parceria que você tanto enalteceu. Não conhecia essa autor, mas já anotei o nome dela pra dar uma pesquisada maior. A única pena é esse não aprofundamento nos antagonistas. Quem sabe em um próximo livro dele, né?!?!

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir