O Retrato, Charlie Lovett, tradução de Bárbara Menezes, 1ª edição, Ribeirão Preto-SP:
Novo Conceito, 2014, 416 páginas.
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Peter sempre teve dificuldade de se relacionar com as pessoas, mas encontrava seu refúgio nas páginas dos livros. A única pessoa que conseguiu mudar a personalidade de Peter foi sua esposa Amanda Byerly. A morte precoce de Amanda, no entanto, deixa o marido inconsolável e depois de alguns meses, seguindo conselhos de como retomar a vida, ele resolve ir à Inglaterra para trabalhar com livros raros.

Durante o seu trabalho, Peter encontra um retrato de uma bela mulher muito semelhante a sua falecida esposa, porém a imagem foi pintada em um passado distante. Curioso, ele passa a investigar o retrato e se depara também com um problema que ultrapassou os séculos: uma obra perdida de William Shakespeare.

Praticamente sozinho no início dessa investigação, Peter precisa resolver os mistérios para não apenas descobrir a verdade sobre o retrato, como também encontrar uma possível raridade da literatura mundial que pode eternizar seu nome e seu trabalho.

“Não tinha certeza do que o fez agir assim; por algum motivo, sentia necessidade de possuir ilicitamente um livro que ela lera. Ele o devolveria à prateleira uma semana depois, com medo de que, se ela fosse tão complexa e multifacetada quanto Morris, estaria muito longe do seu alcance” (pág. 19).
Uma história sobre literatura em uma obra literária é sempre especial para os amantes da mais fascinante das artes, por isso que O Retrato mostra um charme diferente tão logo fica claro que a figura de William Shakespeare será abordada em seu enredo. Ainda que com um desenvolvimento com falhas, a escrita agradável e a ideia original envolvem o leitor.

Como é um importante dramaturgo norte-americano, não é estranho perceber que Charlie Lovett dividiu sua obra em vários núcleos, cada um em determinada época dos últimos cinco séculos, e assim apresentou personagens bem variados. O fato de ser uma obra relativamente extensa possibilita uma identificação maior com alguns personagens mais explorados, no entanto essa grande viagem através dos séculos também pode atrapalhar a leitura. São tantos personagens que qualquer descuido é suficiente para o leitor se sentir perdido.

No entanto, quando essa maluquice de situações do passado influenciam descobertas no presente – que no livro se passa em 1995 -, o enredo começa a ganhar corpo e tudo faz mais sentido. Mesmo sem características de uma obra policial, já que o objetivo do protagonista é encontrar a verdade sobre fatos que ferem a história da literatura mundial, o envolvimento é inevitável, apesar das muitas situações previsíveis.

Isso acontece porque o leitor é o único a ter todas as respostas, já que acompanha também o que se passou nos séculos anteriores, então mesmo que compreensível, incômoda ver Peter demorar tanto para perceber o que está claro para todos. De qualquer forma, os mistérios criados por Lovett, alguns baseados em casos verídicos de falsificações e polêmicas quanto à veracidade das obras de Shakespeare, torna a experiência agradável, principalmente nos momentos de tensão.

Com três partes que se completam (a primeira entre o século XVI e XX, a segunda na década de 80 e a terceira na década seguinte), O Retrato é uma obra com mistério, momentos de tensão e com uma bela história de amor, que felizmente não se perde mesmo que isso fosse plenamente possível. Em uma busca pelo Santo Graal da literatura, segredos de família, descobertas do passado, falsificações e antigas rixas representam apenas o começo.

“Peter olhou por cima do ombro de Liz enquanto ela virava a página e corria o dedo devagar pela letra rabiscada nas margens. Embora parecesse menos possível a cada minutos, uma parte dele ainda queria acreditar que William Shakespeare de Stratford-upon-Avon escrevera aquelas anotações. Ele se divertira pensando no dia em que mostraria o Pandosto a Francis Leland; o aprendiz mostrando o Santo Graal para o mestre” (pág. 354).

11 Comentários

  1. Gostei da premissa, apesar das falhas apontadas parece ser uma leitura que vale a pena.

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  2. Olá Rick

    Eu jamais ia imaginar que se tratava desse tipo de livro, sei lá, li a sinopse e nem fiquei assim tãoooo curiosa se é que me entende, mas após ler sua resenha bateu uma curiosidade, parece-me ser um livro bem interessante e o tipo de leitura que gosto, dessas que envolvem idas e vindas ao passado e presente.
    Tenho interesse em ler agora.

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    http://delivroemlivro.blogspot.com.br/

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  3. Ricardo, esse é um livro que eu não dei a menor atenção quando foi lançado e como eu já esperava você conseguiu fazer com que isso mudasse.

    Acredito que vou gostar da leitura pois tem elementos que gosto muito, como mistério e momentos de tensão, já a parte do amor é o que quase sempre me incomoda, mas parece ser bem dosado e relevante na trama.

    Não tinha ideia de que o enredo tivesse a trama ligada ao William Shakespeare, um autor que eu gosto muito. Fiquei bem curiosa pra saber mais sobre essa busca. Livro adicionado no skoob :)

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  4. Oi Ricardo,

    Bela resenha! Confesso que o livro não faz muito o meu gênero e no momento estou evitando essas viagens literárias muito complexas. Está na estante, quem sabe para ler nas férias, rs.
    Geralmente eu não gosto de tramas com relação a personalidades reais, isso meio que tira a graça do livro pra mim, acho que o bom é não ser real. Mas Shakespeare é Shakespeare, quem sabe ele não me faz mudar de ideia aparecendo em algum cantinho do texto.

    Beijos,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

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  5. Aí que perfeito esse livro, já tinha visto mas somente a capa é achei linda, mas não tive vontade de ler, mas depois da sua resenha estou fascinada pela obra.

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  6. Olá Ricardo,

    Esse livro esta na minha lista de espera de leitura e estou bem curioso, sua resenha só me animou mais....abraços.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  7. Gostei da proposta desse livro, a história parece ser bem interessante, mas essa parte de conter muitos personagens me deixa com um pouquinho de medo. Sou um tantinho lerda e, como costumo ler em lugares públicos (e com muito barulho), posso me perder facilmente. Agora com o seu comentário vou ficar mais atenta nesse ponto quando iniciar a leitura (:

    Brunna Carolinne - My Favorite Book - @MFBook
    myfavoritebook-mfb.blogspot.com.br

    P.S.: Ricardo, sobre Graffiti Moon, eu tinha me esquecido do comentário da Carina (da comparação com Passarinha), acredita? HAHA Bom, o fato é que eu SUPER amei Passarinha, então qualquer pessoa que compare essa obra com qualquer outra eu já fico um pouco receosa. Assim, Graffiti Moon é um livro muito bom, eu amei a Lucy e o Ed, a relação deles, os comentários e as conversas, os dois são excelentes personagens <3 O que acontece é que são dois livros com temáticas diferentes, então, pelo menos ao meu ver, não tem nem como compará-los. Espero que você goste de Graffiti Moon, só recomendo que vá com calma, sem expectativa, porque, pelo menos comigo, essa dita cuja sempre atrapalha minhas leituras.

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    1. Infelizmente esse ponto realmente pode atrapalhar muito, Brunna. Confesso que em alguns momentos precisava parar para lembrar em que momento da história tal personagem apareceu e o motivo dele ser importante para o enredo, mas vale a pena.

      Sobre a segunda parte do seu comentário, faz tanto tempo que confesso não lembrar se cheguei a responder lá no seu blog, por isso vou fazer isso aqui mesmo. :x Também gostei muito da Lucy e do Ed, um diferencial e tanto para a obra, e também concordo que são livros totalmente diferentes. Impossível comparar, ainda que os dois livros marquem o leitor. Acho que seguir o seu conselho, de ir com calma, contribuiu para aproveitar melhor a obra. Foi encantador, à sua maneira. :D

      Beijos,

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  8. Gosto de ver livros que apresentam uma história que complementa o romance, envolvendo vários elementos nesse caso, uma busca por uma obra perdida de Shakespeare.
    Mesmo que seja um pouco previsível ainda assim acredito que gostaria da leitura, por abordar mesmo que com algumas falhas o universo dos livros e da literatura, essa passagem de tempo entre os séculos e os vários personagens, são sem dúvida uma forma de fazer o leitor prestar atenção e ficar preso na história. Uma leitura que quero fazer com grandes chances de gostar muito.

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  9. Demorei para ler esta resenha.
    Fui pesquisar um pouco sobre o livro e a primeira coisa que pensei foi: "Que livro original".
    Um sinopse interessante, diferente em sua premissa...
    Gostei muito de saber mais sobre o desenvolvimento da trama, o que eu gostaria muito de saber, justamente por ser um romance extenso...
    Um livro que gostaria de ter a oportunidade ler.
    Parece muito, muito interessante, mesmo! =D

    Ótima Resenha, Ricardo!

    Jônatas Amaral
    alma-critica.blogspot.com.br

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  10. Confesso que entre os lançamentos da Novo Conceito, esse não tinha me chamado a atenção. Depois que li o nome de William Shakespeare, meus olhos se viraram pra ele (porquê será?!?! kkkkk). Achei essa ideia super interessante. Uma pena que a execução deixou alguns deslizes, mas que não atrapalharam tanto assim. O único problema seria essa quantidade de personagens e informações. Sou muito disperso. Então, se for ler, já sei que terei que tomar cuidado redobrado.

    @_Dom_Dom

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